De acordo com levantamento realizado pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) diretamente com os municípios, mais de 22 mil crianças já receberam uma dose da vacina contra a Covid-19 no Rio Grande do Sul, até o fim da tarde desta terça-feira (25).
A maioria tem alguma comorbidade ou faz parte da turma dos mais velhos da faixa etária que pode se vacinar (10 e 11 anos).
Esse avanço da imunização contrasta com ataques de grupo antivacina.
CARRO DE SOM
Nesta manhã, em Novo Hamburgo, um carro de som foi visto circulando pelas ruas de diversos bairros espalhando Fake News.
O Portal Martin Behrend recebeu um vídeo de um empresário hamburguense indignado com a situação. “São quatro ou cinco frases botando dúvida na vacinação infantil. A que está mais nítida no vídeo é ‘os fabricantes não garantem a eficácia’. Se voltar aqui na rua tento um vídeo melhor”, informou o leitor. O vídeo não foi postado no Portal, pois o áudio está muito baixo.
Em outro trecho, está sendo dito que as crianças não vacinadas não poderão ter acesso às escolas.
PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Novo Hamburgo enviou um posicionamento sobre a importância da vacinação:
Novo Hamburgo defende vacina e avança na imunização
O prefeito em exercício de Novo Hamburgo, Márcio Lüders (MDB), destaca a adesão da população hamburguense à vacinação contra a Covid-19. Até o final da tarde desta terça-feira (25), Novo Hamburgo já havia aplicado 425.939 doses de imunizantes contra o coronavírus. “Nesta manhã, no primeiro dia da ampliação da vacinação de crianças, agendei a imunização da minha filha Rafaela, de 11 anos. Estou comprometido com o cuidado dela e a vacinação é fundamental. Aproveito para fazer chamamento a todos para que se vacinem. Não se justifica mensagens antivacina e contra a ciência que estão circulando na região. Isso é uma atitude contra o Brasil”, enfatiza o prefeito.
Para o secretário municipal de Saúde, Naasom Luciano, já está mais que provado que a vacinação é a grande responsável pela queda no número de óbitos e internações. “Contra a ciência não há argumentos. A verdade é que, na medida que a vacinação vai avançando, observa-se queda no número de mortes e internações”, destaca.
Naasom lamenta que mensagens antivacina circulem pela região, justamente no momento tão importante que é a ampliação da proteção das crianças. “As vacinas já se mostraram seguras. Quem ama protege e vacina”, destaca.
Das 425.939 doses aplicadas em Novo Hamburgo até o final da tarde desta terça-feira, 196.657 foram de primeiras doses e 172.805 de segundas doses, além de 62.266 de terceiras doses (há 5.789 doses únicas que aparecem duas vezes, na primeira e segunda dose).
Em relação à população completa de Novo Hamburgo, estimada pelo IBGE em 247.303 pessoas, 79,52% receberam a primeira dose e 70% foram imunizados também com a segunda dose. Já o percentual de pessoas que receberam a terceira dose (dose de reforço) chega a 25,2%. Observa-se uma forte adesão na dose de reforço (terceira dose) da comunidade.
CAMPO BOM
Em Campo Bom, o início da vacinação contra a Covid-19 voltada às crianças de 5 a 11 anos era um momento esperado pela Prefeitura. A imunização começou na última semana e ficou explícito pela alegria no rosto dos pais e das crianças o resultado positivo dos primeiros dias de imunização.
Entretanto, seja por falta de informação ou ideologia política, cidadãos têm atacado a vacinação, por meio de Fake News, nos canais oficiais de comunicação da Prefeitura, com o objetivo de gerar medo nos pais ou responsáveis.
Em vídeo para as redes sociais, o prefeito Luciano Orsi (PDT) informa sobre o início da imunização e seu posicionamento a favor da vacinação infantil (aprovada pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Em resposta, sofri uma série de ataques coordenados por um grupo antivacina movido por ideologia política. Isso ficou evidente quando verifiquei o perfil das pessoas que comentaram e constatei que a maioria não era da região; mas sim de cidades como: Jundiaí, Feira de Santana, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Brasília, Criciúma. Quero deixar claro: não irei me curvar a ataques ou ameaças, principalmente vindo de fontes sem embasamento científico nenhum”, afirma Orsi.
Em ensaios clínicos realizados pela Pfizer, em crianças, nos Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha, os resultados, consolidados no último mês de outubro, indicaram eficácia de 90,7% na prevenção da doença em crianças de 5 a 11 anos. Os Estados Unidos, que até 19/12 aplicou 8,7 milhões de doses em crianças, não registrou confirmação de qualquer reação grave em decorrência da vacina.
Embora menos suscetíveis ao agravamento da doença, no Brasil já se somam mais de 300 óbitos de crianças por Covid-19, segundo dados oficiais. “Respeito a decisão dos pais que não vão vacinar seus filhos, no entanto, neste momento precisamos da união e solidariedade, visando a saúde das crianças e pensando que em breve iniciaremos o ano letivo. Por isso reforço meu pedido: vacine seus filhos. Está com dúvidas? Fale com o pediatra. Não deixe que o medo criado por mentiras influencie nas suas ações”, diz Orsi.
