Faleceu um dos grandes responsáveis por Gramado ter o Festival de Cinema

Em 2022, o Festival de Cinema de Gramado vai celebrar 50 edições.

De 12 a 22 de agosto deste ano, a Região das Hortênsias vai reverenciar um evento que colocou Gramado nos roteiros nacional e internacional de grandes eventos culturais e cinematográficos.

A primeira edição do Festival de Cinema é de 1973. Só que a relação do cinema com Gramado começa alguns anos antes.

Em 1969, foi realizada a 1ª Mostra de Cinema de Gramado. Naquele ano, artistas como Eva Wilma e John Herbert, entre outras estrelas da dramaturgia, encararam a estreita rodovia que levava até a Região das Hortênsias para prestigiar a novidade.

Já em 1971, ocorreu a 2ª Mostra de Cinema de Gramado. Novamente, a cidade ganhava projeção e destaque com a realização do evento.

Até que, em 1973, a partir de circunstâncias da época, e já tendo Gramado uma expertise e notoriedade cinematográfica em razão dos eventos anteriores, começava a história do Festival de Cinema.

1ª MOSTRA DE CINEMA DE GRAMADO

O fato é que, até o final da década de 1960, Gramado era essencialmente um destino conhecido de veranistas gaúchos.

Foram visionários como P.F. Gastal, Claudio Behrend, Gino Perine, entre outros, que se mobilizaram para promover a Mostra de Cinema junto da Festa das Hortênsias e, a partir desse evento, alçaram Gramado a um outro patamar.

Nesse contexto de personagens fundamentais para a 1ª Mostra de Cinema, ganha destaque a figura do jornalista Luiz Carlos Machado Lisboa. Foi ele que, através da sua cobertura, do seu envolvimento e do seu engajamento, repercutiu com força a movimentação de artistas por Gramado.

Um fato decisivo para ocorrer a mostra: naquele começo de 1969, estava ocorrendo a comemoração dos 20 anos do Clube do Cinema de Porto Alegre e, por sugestão de Lisboa e articulação de Behrend, se viabilizou a vinda das estrelas até a Região das Hortênsias.

Em sua coluna na extinta Folha da Tarde, Lisboa tratou de detalhar tudo o que estava ocorrendo na Região das Hortênsias, os artistas convidados, os filmes em exibição, as festas de final de tarde e toda a badalação em torno de um evento inédito. Turistas passaram a visitar Gramado para saber o que estava ocorrendo naquela primavera de janeiro de 1969.

Se hoje Gramado tem um Festival de Cinema, muito se deve ao engajamento cultural e jornalístico de Lisboa na articulação e promoção do evento. Ele já tinha acompanhado um festival latino e tinha essa motivação de realizar algo semelhante no Rio Grande do Sul.

FALECIMENTO

Nesta terça-feira (15), aos 93 anos, Lisboa faleceu. O velório foi realizado no Crematório Metropolitano, em Porto Alegre.

No Obituário produzido pelo jornal Zero Hora, Lisboa é apresentado como “um dos maiores entusiastas e incentivadores da cultura de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul… Entre suas realizações, destacam-se a participação na criação do Brique da Redenção, no final dos anos 1970, e no Festival de Cinema de Gramado… Luiz Carlos também fez parte da elaboração do planejamento turístico de Gramado”.

Obrigado, Lisboa. Gramado, o Rio Grande do Sul e o cinema brasileiro agradecem por tua intensa dedicação.

Que a geração visionária das duas Mostras de Cinema de Gramado seja devidamente homenageada e reconhecida por sua contribuição..

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