A estudante de São Leopoldo de 14 anos, internada na UTI Pediátrica do Hospital Regina, em Novo Hamburgo, diagnosticada com meningite, faleceu na madrugada desta terça-feira (2). Ela estava internada desde o sábado passado (30).
Foi a segunda morte, em menos de um mês, registrada em crianças/adolescentes de São Leopoldo. No caso da jovem de 14 anos, foi diagnosticada meningite tipo C.
A notícia da internação da jovem foi divulgada pelo Portal Martin Behrend: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/6067/titulo/prefeitura-de-sao-leopoldo-divulga-nota-sobre-estudante-com-suspeita-de-meningite-internada-no-hospital-regina
VANAZZI
Em coletiva à imprensa na tarde desta segunda-feira, (1º), o prefeito de São Leopoldo Ary Vanazzi (PT) comunicou medidas emergenciais de prevenção à meningite na cidade, além do reforço ao calendário obrigatório de vacinação que compreende a dose de vacina para o tipo C.
Em análise dos casos, da confirmação de um deles sendo de meningite B e este, agora, confirmado como meningite C, a Prefeitura afirma que não há surto da doença na cidade.
HISTÓRICO DE CASOS NA CIDADE
O secretário Municipal de Saúde, Ricardo Brasil Charão, informou o histórico de meningites na cidade, sendo de: 2012, 3, em 2013 e 2014, nenhum, em 2015, 4, em 2016, 4, em 2017, 1, em 2018, 1 e em 2019, até o momento, 2 casos. “É importante destacar que desde o primeiro caso, no início de março, o nosso Centro de Vigilância em Saúde tem atuado com o devido rigor, e podemos descartar a possibilidade de surto. São dois casos que estão separados por mais de 20 dias, são de lugares diferentes da cidade e com diagnósticos diferentes”, afirmou o Secretário Charão.
VACINAS SERÃO COMPRADAS
Prefeito Vanazzi anunciou a decisão de comprar doses da vacina do Tipo B e de remédios antibióticos como forma de prevenção. A iniciativa é totalmente técnica e visa acalmar a população. Ambos só serão utilizados se necessário. Vanazzi ainda pediu para a comunidade confiar nos órgãos oficiais e lamentou o uso político do tema. “É inadmissível que usem das mães, das crianças, dos mais pobres para assustar e criar um pânico na população. Estamos tomando todas as medidas de atenção e prevenção para nossa população. No serviço público existem agentes, trabalhadores da saúde, técnicos e muitos outros profissionais que, assim como eu, são responsáveis, são pais e mães. É um crime descredibilizar o trabalho realizado”. E completa: “Estou afirmando que não temos surto de meningite em São Leopoldo”.
AULAS MANTIDAS
Na escola estadual onde a menina de 13 anos estuda, pelo pânico causado a toda a comunidade escolar, as aulas foram suspensas hoje. A Secretaria Municipal de Saúde, a direção da escola e a Coordenadoria Regional de Educação, reuniram-se e definiram que não há motivos para suspensão total das aulas. “Amanhã de manhã (3ª) as equipes da Prefeitura estarão na escola para conversar e esclarecer dúvidas de pais, professores e alunos. Além disso, todas as iniciativas de prevenção estão sendo tomadas pelo Centro de Vigilância em Saúde”, explica Charão.
AÇÕES DEFINIDAS
1) Determinação da compra das vacinas para meningite tipo B e antibióticos.
2) Determinação de visitas e conversas com informações técnicas para as pessoas e regiões dos casos apontados, como na Escola Estadual Amadeo Rossi, que retoma atividades nesta terça-feira.
3) Oficiar o Governo do Estado a se manifestar sobre a questão da meningite na região.
4) Ação efetiva da Vigilância em Saúde na análise dos casos e situações que possam surgir.
MENINGITE
A meningite refere-se a uma inflamação nas meninges, membranas que revestem o sistema nervoso central. Pode ser causada por diferentes agentes etiológicos como vírus, bactérias, fungos e protozoários e também pode ocorrer por outras causas como traumatismos, por exemplo.
Do ponto de vista da saúde pública, a Doença Meningocócica é a de maior relevância pela magnitude de sua ocorrência e o potencial de produzir surtos.
É causada por uma bactéria: Neisséria Meningitidis (meningococo) que se apresenta em vários sorogrupos, os principais são A,B,C,W,Y e X. A transmissão se dá através do contato direto de pessoa a pessoa por meio de secreções respiratórias. A incubação é em média de 3 a 4 dias, podendo variar até 10 dias. A transmissibilidade se mantém até o meningococo desaparecer da nasofaringe. O grupo etário de maior risco são os menores de 5 anos.
O espectro clínico varia desde febre transitória e bacteremia oculta até formas fulminantes, com a morte do paciente em poucas horas após o início dos sintomas.
