A vida segue agitada em São Leopoldo. E não foi somente a passagem do ex-presidente Lula pelo município, na noite de sexta-feira (23), que trouxe forte movimentação. Não bastasse a crise financeira no cofre municipal, agora vem uma crise no Poder Executivo.
Um racha interno no governo do prefeito Ary Vanazzi (PT) representou afastamento de nomes importantes do partido e de aliados. Um dos principais ruídos envolve atritos nas relações humanas da Secretaria Municipal de Educação, insubordinações e denúncias de machismo na relação com professoras municipais, inclusive com interferência de outros setores. O então secretário municipal de Direitos Humanos, Hélio Teixeira (PCdoB), foi exonerado.
Essa decisão envolvendo Teixeira motivou as
professoras Mariléia Sell (secretária adjunta de Educação) e Quênia Strassburg (diretora de
Gestão da Educação Básica) a pedirem afastamento – ainda na semana passada. Já nesta segunda-feira (26), foi a vez do ex-reitor da Faculdades EST, Oneide Bobsin, também pedir exoneração do cargo.
CONFIRA NOTA OFICIAL DA PREFEITURA DE SÃO LEOPOLDO DIVULGADA NESTA SEGUNDA-FEIRA (26)
“Comunicamos que o professor
Oneide Bobsin solicitou sua exoneração como Secretário de Educação do Município
de São Leopoldo. Igualmente, solicitaram seus respectivos afastamentos as
professoras Mariléia Sell (secretária adjunta) e Quênia Strassburg (diretora de
Gestão da Educação Básica). O Sr. Paulo Ritter igualmente solicitou o seu
afastamento do cargo de diretor administrativo.
Assumirá, como novo Secretário
Municipal de Educação, o professor Ricardo Fernandes da Luz – que hoje ocupa o
cargo de Secretário da Fazenda. Nos próximos dias, o novo secretário de
Educação anunciará a recomposição da SMED e as principais medidas a serem
implementadas na secretaria.
O Sr. Roberto Ostermann
assume interinamente a Secretaria da Fazenda. O Secretário-Geral de Governo, Sr.
Marcel Frison, acumulará interinamente a Secretaria Municipal de Direitos Humanos
no lugar do professor Hélio Teixeira – que foi exonerado. São Leopoldo, 26 de março de 2018.”
A ex-deputada estadual e atual vereadora Ana Affonso (PT), também se manifestou nesta segunda-feira no Facebook. Ela é líder do governo Vanazzi na Câmara de Vereadores.
Diante dos acontecimentos ocorridos na Secretaria de Educação
nos últimos dias, venho manifestar minha opinião como vereadora, líder do Governo
na Câmara, presidente da Comissão de Educação e principalmente como professora
da rede municipal de ensino:
1 – Considero extremamente equivocada e injusta a exoneração
unilateral da colega Rosane Soares, uma
profissional extremamente dedicada, competente, que realizou excelente trabalho
desde o início do governo à frente do RH, enfrentando inúmeras adversidades para garantir o bom andamento das
escolas;
2 – Esta situação gerou grande consternação interna
e externa, contrariando o comando da secretaria que optou, pela saída da
gestão, por esta e por outras razões;
3- As práticas de machismo devem ser combatidas por
nós, todos os dias, em todos os espaços, e superadas principalmente quando
estão relacionadas às relações de poder, e neste caso, cabe ao governo apurar
se houve abuso de poder do diretor administrativo, práticas de assédio moral, e
dar direito ao contraditório, à servidora, para com diálogo e firmeza, promover
o equilíbrio e a justiça dentro dessa área que se propõe à construir com
Educação em Direitos Humanos, uma nova mentalidade para superar as
desigualdades de gênero presentes na sociedade, e sobretudo valorizar os
quadros concursados que estão nessa perspectiva.
4 – Aos que optaram por sair da gestão, incansáveis
professor Oneide Bobsin, professora Mariléia Sell e professora Quênia Strasburg, manifesto minha
solidariedade e apoio, pela qualidade pedagógica e política destes quadros,
reconhecidos na rede e nas Universidades. Essa é uma grande perda, lamento
muito e me cabe agradecer por todo o empenho dedicado neste curto e difícil
período, marcado por enormes dificuldades, fruto do que herdamos nessa cidade,
e também do brutal desmonte em nível federal, com cortes nas políticas
educacionais que afetam diariamente nossa rede de SL;
5 – Por último, quero manifestar que nenhuma forma
de oportunismo político, cabe neste momento, e não contribuirá para avançarmos
encontrando saídas para a crise gerada. Seja daqueles que querem eleitoralmente
desgastar o governo, seja daqueles que tiveram internamente responsabilidades
nessa gestão.
O momento exige capacidade de reflexão, humildade,
auto crítica e paciência. Sigo acreditando na nossa capacidade humana de
superar desafios. O momento político que vivemos, tão crítico e
agudo, deve nos ensinar a sermos diferentes, humanizar as relações e lutar
juntos para fortalecer o processo democrático, pautados pelo respeito.
Ana Affonso – professora e vereadora do PT”
NOTA OFICIAL DA PREFEITURA DE SÃO LEOPOLDO – DIVULGADA NESTA SEGUNDA-FEIRA
Em relação às denúncias de exercício de assédio moral e misoginia durante determinado conflito entre gestores na Secretaria Municipal de Educação de São Leopoldo (SMED), temos a dizer o que segue:
1. Consideramos inaceitável o exercício do assédio moral e/ou da misoginia nas relações de trabalho, por quaisquer dos nossos dirigentes, assessores ou servidores públicos.
2. Nosso governo é intransigente na defesa dos direitos das mulheres e promotor de políticas públicas pela igualdade de gênero.
3. Entendemos que situações onde se expressam indícios ou denúncias de assédio moral e/ou misoginia devem ser profundamente investigadas para que a administração tenha a sustentação necessária na aplicação das devidas punições e, igualmente, tenha garantias de que acusações infundadas (ou de caracterizações inadequadas para estes conceitos) não prosperem com consequências nefastas aos acusados.
4. Assim sendo, não toleraremos que este assunto seja tratado de forma leviana, gerando decisões precipitadas e inconsistentes.
5. Isto posto, constituiremos uma Comissão de Alto Nível para averiguação do caso em tela, instauração e acompanhamento da Comissão Sindicante, e na produção, às luzes da legislação vigente e da formulação acadêmica existente, de parâmetros para o enquadramento de situações de assédio moral e misoginia para toda a Administração Pública no município de São Leopoldo.
6. Estes parâmetros, posteriormente, serão debatidos com os sindicatos representativos dos servidores públicos nos fóruns previstos na Mesa Permanente de Negociação, para seu aprimoramento e institucionalização.
7. A Comissão de Alto Nível será coordenada pela Procuradora-geral do Município, Angelita Rosa, e composta pelas seguintes dirigentes governamentais: Angélica Severo (Secretária Adjunta de Administração); Danusa Alhandra (Secretária de Políticas para as Mulheres) e Simone Koch (Coordenadora do Controle Interno da Prefeitura). A comissão terá o prazo de 30 dias para apresentar seus pareceres e proposições relativas às suas atribuições ora estabelecidas. São Leopoldo, 26 de março de 2018.
