Pode ser uma tremenda coincidência. Mas a chegada de José Ivo Sartori (PMDB) ao governo do Estado, derrubando Tarso Genro (PT) no segundo turno, acontece simultaneamente a mudanças radicais na atuação do, agora, ex-comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Rio dos Sinos (CRPO/VRS), Carlos Armindo Thomé Marques. Na tarde de hoje, em solenidade no 3º BPM, em Novo Hamburgo,
Marques passou o cargo para o tenente-coronel Haroldo Edison Knebel, novo comandante do CRPO/VRS.
Além de deixar o posto no Vale do Sinos e ir atuar junto ao Estado Maior da Brigada Militar, em Porto Alegre, Marques teve uma outra infeliz notícia no começo da semana. Isso porque foi publicado no Diário Oficial do Rio Grande do Sul, na segunda-feira, ato anulando a promoção de oito tenentes-coronéis e três majores, em decreto
assinado em 2014 por Tarso Genro. Entre eles, Carlos Armindo Thomé Marques.
Em relação ao Diário Oficial do Estado, o governador José Ivo Sartori, invocando a decisão constante no Mandado de Segurança nº 70063073654, julgado pelo Pleno do Tribunal de Justiça, que considerou inconstitucional a Lei Estadual que alterava critérios para a promoção de oficias na Brigada Militar, anulou as promoções dos seguintes coronéis, que retornam a condição de tenente-coronel, sujeitos a mais uma revisão: Andreis Silvio dal Lago, Antônio Adalberto Borges, Carlos Alberto Brusch Terres, Carlos Armindo Thomé Marques, José Luiz Ribeiro Paz, Marário Yukio Ikeda, Paulo Rogério Farias Medeiros e Rogério Augusto Paese.
No mesmo ato, Sartori anulou as promoções a tenente-coronel dos majores: Alexandre Teixeira Santos, Márcia Mariza Ferreira Avila e Igor Wolwacz Junior.
Estou tentando uma entrevista com o tenente-coronel Marques desde janeiro. Troquei mensagens eletrônicas no começo do ano informando sobre a pauta: as críticas que ele vinha recebendo em redes sociais pelo fato de ter aberto voto e feito campanha por candidatos do PT. Ele, inclusive, foi fotografado abraçado em militantes petistas na reta final de campanha. Hamburguenses se manifestaram nas redes sociais condenando o posicionamento de Marques pela falta de isenção como oficial da Brigada Militar.
Nos diálogos eletrônicos que mantive, ficou combinado que ele iria sair de férias e, no retorno, conversaríamos abertamente sobre todos os assuntos. Pois bem: numa das redes sociais, Marques saiu ou me bloqueou, e o telefone de contatos que tenho não atendeu.
Para completar este enredo, no penúltimo dia de 2014, Carlos Marques esteve visitando a Prefeitura e foi recebido pelo prefeito, Luis Lauermann (PT), e pelo coordenador do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M), Mauro José da Silva. Marques foi contar ao prefeito as boas novas da sua promoção a coronel concedida pelo então governador Tarso Genro e reafirmar o compromisso do CRPO/VRS com os projetos da Brigada Militar em Novo Hamburgo. No encontro, Lauermann destacou: “Esse acontecimento (promoção a coronel) vem para respaldar o trabalho realizado pela Brigada em parceria com a Prefeitura, na continuação das ações e na ampliação dos programas que servem a nossa população.”
Pode ser tudo coincidência. Ou não.

























