Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver… A história de superação e amor de Fernanda pelo tricolor

Uma torcedora gremista carregando uma faixa “Nenhum câncer
acaba com essa história” e com a cabeça pintada de azul e a mensagem em preto “Amor
sem fim”
chamou a atenção de muitos torcedores que acompanharam, na Arena, a
vitória do Grêmio sobre o Toluca, por 1 a 0, terça-feira, em confronto da
Libertadores da América. A surpreendente figura logo foi parar nas redes
sociais em vários grupos do Facebook ligados ao tricolor. Afinal, quem é essa
torcedora?

É a sapiranguense Fernanda Fernandes de Oliveira, 20 anos,
moradora da Vila Irma.
Na terça-feira, ela se reencontrou com o time do
coração. Foi um momento especial. Sem ir ao estádio há mais oito meses, ela
conseguiu, finalmente, retornar à casa do Grêmio. Foi uma vitória para alguém
que, segundo um diagnóstico inicial, não teria muito tempo de vida. “Foi muito
sofrido não poder ir aos jogos. Sempre fui acostumada a estar perto do Grêmio.
Terça foi especial”, relata Fernanda.

O sufoco da sapiranguense teve início em agosto do ano
passado, quando apareceram dores no braço direito. Foram quatro meses
de desconforto, dores e exames sem esclarecimentos. Contudo, na semana do Natal
do ano passado, veio um laudo preliminar: ela estava com um tumor maligno no
braço direito e a suspeita era de contaminação de outras partes do corpo. Era
câncer e o cenário apontava improvável reversão.

A partir daquele momento, Fernanda passou por uma série de
exames e foi internada no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. Com mais
profundidade e tendo sido submetida a diferentes testes, apareceu um novo
diagnóstico: tumor ósseo sinovial.
“Não é dos mais fracos, nem dos mais fortes.
É intermediário. Mas, naquele momento, alterou a situação. Até então, eu não
sobreviveria por muitos meses”, relata.

Com essa definição, Fernanda iniciou o tratamento
quimioterápico imediatamente, em quatro ciclos. Em função da quimio, o cabelo
logo caiu. Só que ela não se abateu. A torcedora está encerrando o último
ciclo, a imunidade está em elevação, o quadro ainda inspira cuidados, mas é de
reação. A sapiranguense não estava 100% liberada para ir ao jogo, contudo, a
paixão pelo tricolor foi mais forte.

Conhecedores da situação e da relação apaixonada da
torcedora, o escritor Natal Dornelles e o empresário Epifânio Loss viabilizaram
quatro cadeiras Gold para o duelo contra o Toluca. Fernanda, duas irmãs e um
cunhado estavam lá comemorando a vitória. Foi um reencontro emocionante. “Eu já
tinha pintado meu cabelo de azul outras vezes, mas estava comprido. Agora, foi
diferente. Minha irmã usou spray azul para tingir o cabelo e, depois, com
tinta, escreveu ´Amor sem fim´. Foi uma maneira de registrar meu amor pelo
clube”, detalha.

A diretoria do Grêmio também não ficou alheia ao fato. Tanto
que entrou em contato com Fernanda e, no duelo do domingo contra o Juventude,
na semifinal do Gauchão, na Arena, ela receberá tratamento especial. Além de
quatro ingressos, a sapiranguense poderá conhecer ambientes internos da Arena e
ter contato com os jogadores, entre outros detalhes. “Quando eu estava em
tratamento, recebi alguns vídeos com mensagens dos atletas. Mas, no domingo,
vai ser bem diferente. A ficha ainda não caiu”, admite. Na próxima semana, ela
passará por novo exame para saber se terá de colocar uma prótese no osso
afetado pelo tumor.

Essa é história recente de Fernanda Fernandes de Oliveira,
20 anos, que encarna como poucos o hino tricolor que diz: “Com o Grêmio, onde o
Grêmio estiver…”

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