A Oncologia SUS no Vale do Sinos segue como um dos principais debates da atualidade. São centenas de moradores de baixa renda que precisam de tratamento oncológico na luta contra o câncer.
O Hospital Regina, de Novo Hamburgo, que era referência para pacientes de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos, deixou essa condição.
Em dezembro do ano passado, por indicação do Ministério Público Federal (MPF) em razão da longa fila de espera por atendimento, a referência para os pacientes de Campo Bom, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos passou a ser o Hospital Bom Jesus, em Taquara, através do serviço da Oncoprev.
Em janeiro deste ano, com o Regina informando que também não atenderia mais os pacientes de Novo Hamburgo por desequilíbrio financeiro, Taquara passou a ser .o destino dos hamburguenses – o contrato se encerra em definitivo em 26 de maio.
CAMPO BOM
Uma das grandes dúvidas dessa mudança do Hospital Regina para o Hospital Bom Jesus – via Oncoprev: se são os mesmos pacientes, se são os mesmos recursos da pactuação, o que vai ser diferente? Será que a fila vai andar? O que poderia mudar se a situação é praticamente a mesma?
As respostas começam a aparecer.
Em Campo Bom, os números atestam o impacto positivo da troca de referência da oncologia para o Hospital Bom Jesus, em Taquara. No início de dezembro do ano passado, quando as consultas oncológicas do SUS ainda eram realizadas no Hospital Regina, em torno de 80 pacientes campo-bonenses esperavam por atendimento, alguns há mais de quatro meses.
Hoje, todos que aguardavam naquele momento já foram atendidos e apenas 13 pessoas esperam agendamento de consulta, nenhum há mais de 30 dias.
Para o prefeito de Campo Bom, Luciano Orsi, a decisão pela troca de referência não poderia ter sido mais assertiva. “A Administração Municipal não mediu esforços para defender a mudança que hoje salva vidas”, observa. No Regina, Campo Bom tinha direito a dez atendimentos oncológicos por mês. No dia 7 de dezembro, a troca de referência foi confirmada em audiência do Ministério Público Federal.
Entre 9 de dezembro e 10 de fevereiro, um intervalo de dois meses, 73 pacientes campo-bonenses tiveram consultas agendadas em Taquara. “Os relatos dos pacientes acerca da mudança são positivos, todos puderam iniciar seus tratamentos, e a Prefeitura continua disponibilizando o suporte necessário no que diz respeito ao transporte”, afirma o secretário de Saúde de Campo Bom, João Paulo Berkembrock.
NOVO HAMBURGO
Novo Hamburgo é a cidade que tem mais pacientes oncológicos pelo SUS. São cerca de 900 hamburguenses. Conforme previsto, a Oncoprev deverá manter esse ritmo de acolhimento para zerar a fila de atendimentos.
A reportagem do Portal Martin Behrend recebeu, neste final de semana, o relato de um paciente do Vale do Sinos que foi atendido em Taquara.
“Fui diagnosticado com neoplasia renal em dezembro. Então, fui encaminhado para o hospital de Taquara, pois Novo Hamburgo não iria mais atender oncologia. Até agora tive só a consulta e exames feitos pré-operatórios, mas nenhum procedimento foi feito. O hospital de Taquara só tem um urologista atendendo uma vez na semana e com certeza não dará conta da demanda. Precisamos urgentemente reabrir a oncologia de Novo Hamburgo, pois corremos o risco de não dar segmento aos tratamentos já iniciados e/ou não sermos nem sequer assistidos na nossa convalescência. Quanto ao atendimento do pessoal, nada a reclamar. São extremamente atenciosos. Me refiro quanto a demora, pois a demanda será maior com os pacientes que virão do hospital Regina.”
A Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo segue sua mobilização. A entidade já esteve reunida na Prefeitura de Novo Hamburgo, Câmara de Vereadores, Ministério Público Federal, Universidade Feevale e com políticos gaúchos no Congresso Nacional. Nesta semana, deverá ter um novo encontro com o Hospital Regina.
A luta da Liga é pelos pacientes oncológicos. E, para os pacientes, o melhor é manter o atendimento em Novo Hamburgo. A questão, agora, não é tão fácil, mas as voluntárias da Liga só vão sossegar quando o atendimento voltar/ficar no município.
RECURSOS DO MUNICÍPIO
Ainda em relação aos atendimentos da Oncologia SUS, os recursos têm origem e são de responsabilidade do governo federal por ser um serviço de alta complexidade. Os valores são financiados pelo Ministério da Saúde.
No caso do Hospital Regina, a Prefeitura de Novo Hamburgo direciona recursos do orçamento municipal para reforçar os atendimentos. É um recurso que poderia ir para outras áreas da saúde hamburguense, e que a Prefeitura opta em direcionar aos pacientes oncológicos, complementando valores enviados pelo governo federal que são insuficientes para a demanda existente.
Segundo apurado pelo Portal Martin Behrend, as demais Prefeituras não destinariam recursos do seu orçamento para complementar e reforçar mais atendimentos.

























