Um evento realizado na noite de ontem, na Unisinos, causou desconforto entre alunos e centenas de protestos nas redes sociais. Universitários se sentiram enganados – alguns falam em intimidação – ao serem convidados a comparecer ao auditório da Unisinos, onde representantes do MST, da CUT e outros movimentos sociais fizeram uma explanação política em defesa ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). O encontro foi promovido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que também vem sofrendo críticas por ignorar a democracia de opiniões entre os milhares de estudantes, fazendo defesa aberta e unilateral da presidente da República.
Uma estudante de Engenharia Química publicou um desabafo no Facebook. Ela também enviou o material para o Blog Martin Behrend. Em poucas horas, foram mais de cinco mil compartilhamentos. O material também recebeu atenção do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC/SP) e do deputado estadual Marcel van Hattem (PP/RS), que compartilharam o texto. O texto foi o seguinte:
“Hoje, na disciplina de América Latina e Sustentabilidade, meu professor nos conduziu para uma palestra que segundo ele “era pertinente ao estudo” e ia ser “objeto de prova”. Chego no auditório central da Unisinos e me deparo com isso: uma palestra, sediada dentro da Unisinos (que se diz imparcial no quesito política), com uma mesa com MST, CUT e militantes de outros movimentos. Isso é antiético e ILEGAL! Peço que todos se mobilizem, porque isso é um ultraje! Já firmei reclamação formal junto à ouvidoria da Unisinos. Cansei das tentativas imorais que esses movimentos tentam de convencer que o governo é bom, que o impeachment é golpe.
Agora, uma universidade particular, em que eu devia estar tendo aula… Mas não, fui obrigada a participar de algo que não apoio, nem acredito, porque isso será objeto de prova!!!! Universidade é lugar de imparcialidade, não disso!”
Centenas de estudantes, familiares dos universitários e outros cidadãos também postaram comentários, a maioria concordando com o desabafo da estudante e questionando a postura da Unisinos. Confira a seguir alguns posicionamentos:
“Infelizmente, as universidades públicas ou privadas são um campo fértil para as ideologias socialista e comunista. O pessoal do MST aprendeu que é melhor plantar ideias do lançar feijão, arroz, soja ou outro produto agrícola qualquer.”
“Doutrinação para um sistema corrupto e obsoleto onde os ditos “líderes” cegam e emburrecem as pessoas! Lamentável que a Unisinos, uma Instituição que até o momento eu considerava acima de qualquer suspeita, tenha promovido esta vergonha!”
“Isso é o aparelhamento cultural do movimento comunista. Estão nas escolas, faculdades, universidades, na classe artística, nas instituições governamentais, na classe política…”
“Eu me pergunto: 14 anos de PT e esses caras continuam sem terra? Por que será? Incompetência do governo? Ou falta de vontade de trabalhar?”
“Que tristeza saber disso na Unisinos. Comecei meus estudos ali. Gostaria de saber dos padres jesuítas, que são os donos da Unisinos, se eles estão a par disso e se eles concordam que o MST também invada as terras da igreja (que não são poucas), né.”
“Vergonha! Esses movimentos não agem na legalidade e são apoiados por algumas universidades, que não querem que o aluno pense, mas querem manipulá-lo. É um abuso inominável.”
A universidade, por sua vez, divulgou duas manifestações oficiais. A primeira foi publicada no Facebook:
“Nós somos uma universidade que acolhe o debate e a diferença de opinião. De forma suprapartidária, estamos abertos ao diálogo de todos que desejarem fazê-lo dentro da ordem e respeito ao próximo. A universidade é um ambiente complexo, por onde transitam o exercício reflexivo e o debate crítico. Por consequência, há várias correntes de pensamentos, linhas de pesquisas, por vezes divergentes, dando conta da amplitude dos objetos de estudo em profunda modificação no mundo.
O debate ocorrido na data de 14.04 sob o nome “Debate sobre conjuntura política e desafios” foi organizado e divulgado pelo DCE da universidade https://www.facebook.com/events/1069613516455577/. A cedência do auditório comprova o posicionamento aberto e plural da instituição, sempre disponível para diálogo.”
A segunda manifestação da Unisinos foi enviada ao Blog Martin Behrend no final da tarde de sexta-feira, já que alguns alunos questionaram uma suposta intimidação sofrida, tendo que assistir à palestra para realização de trabalho ou prova. A seguir, o segundo comunicado oficial:
“É prática da Academia que o professor tenha autonomia para desenvolver o Plano de Ensino, respeitando o desenvolvimento da Ementa da Atividade Acadêmica.
O aluno pode se manifestar a favor ou contra, visando a ampliar o debate e a construção do conhecimento.
Em caso de eventos, como palestras, debates, seminários, simpósios, congressos, por exemplo, o professor avalia a aderência do conteúdo com a Atividade Acadêmica, para considerar presença obrigatória ou facultativa.”
O Blog Martin Behrend também procurou o professor que conduziu a turma da estudante de Engenharia Química para a palestra, mas ele não respondeu aos questionamentos feitos numa rede social.
