9h20 de terça. Milhares de clientes da AES Sul sem energia. E dezenas de carros da empresa parados

A AES Sul parece ter uma fixação em querer alterar o sentido da palavra cliente. Isso porque, a empresa ignora milhares de “clientes” – ou seriam reféns – e mantém sua rotina como se o temporal no final da tarde desta segunda-feira (25.01)

em várias cidades do Vale do Sinos

não tivesse trazido prejuízos para milhares de moradores da região.

As mesmas práticas que o Blog Martin Behrend registrou em outubro de 2015 num temporal que deixou milhares de “clientes” sem energia elétrica por vários dias – a matéria está no link http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=1022 – estão

sendo mantidas pela empresa. As imagens trazidas pelo blog na manhã desta terça-feira (26.01), mais de 15 horas depois do temporal, são reveladoras:

– Durante a noite, o atendimento aos “clientes” é mínimo. Dezenas de carros ficam estacionados no pátio da empresa. Técnicos e trabalhadores da AES Sul praticamente não atuam, apenas equipes reduzidas fazem reparos. As fotos trazidas pelo blog foram registradas por volta de 9h20, na sede da AES Sul, em Novo Hamburgo, onde diversas equipes nem haviam se deslocado para atender as ocorrências. Reforçando: 15 horas depois, dezenas de carros da AES Sul permaneciam estacionados no pátio da empresa sem qualquer mutirão para restabelecer a energia elétrica.

– A AES Sul padronizou uma resposta aos “clientes”, via torpedo, que pouco serve ou soma. Não diz quando a energia vai voltar e

não traz informações

com precisão, deixando os consumidores na expectativa de que a energia retorne no minuto seguinte ou no dia seguinte. A empresa não se preocupa em levar informação com mais qualidade, até para que as pessoas possam se organizar e, se for o caso, buscar refúgio na casa de parentes ou levar pacientes que necessitam de equipamentos especiais para outros locais.

– É importante que os trabalhadores da AES Sul sejam respeitados, tenham seu descanso

e consigam desempenhar seu trabalho com qualidade. Mas também é preciso respeitar

os “clientes” – os que pagam a conta e os salários. Ao manter dezenas de carros estacionados no pátio, não atendendo seus “clientes” , a AES Sul deixa claro que não é sua prioridade restabelecer a energia elétrica daqueles que pagam pelo serviço. Respeito para todos os trabalhadores, mas as obrigações prioritárias devem ser com os “clientes”. Ou a AES Sul não pensa assim?

– Importante ressaltar: o temporal estava previsto e anunciado. A empresa parece não ter plano de escalas emegenciais para dar conta de situações atípicas.

Na manhã desta terça-feira, a Prefeitura de Novo Hamburgo, um posto de saúde e dezenas de trabalhadores estão sem poder trabalhar e contabilizando prejuízos. Em Campo Bom e Sapiranga a situação é parecida, com centenas de pessoas às escuras amargando perdas e dívidas. Um empresário que necessita de refrigeração para o seu negócio informa que poderá perder 30 mil quilos do produto com o qual ele trabalha – é perecível. Padarias, fruteiras, lavanderias – os prejuízos são de milhares ou, quem sabe, milhões de reais. Quem vai ressarcir esses empreendedores e trabalhadores que, afinal, são os “clientes”?

Entrei em contato com a assessoria de imprensa da AES Sul. Até o fechamento desta reportagem, não recebi retorno sobre as questões enviadas.

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