A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo viveu mais uma cena
lamentável na tarde desta quarta-feira. E, novamente, protagonizada por uma
figurinha carimbada no Legislativo: o titular da Secretaria Geral de Governo e
Relações Comunitárias, Gilnei Andrade (PT). Ele já teve outras atitudes
lamentáveis, como ocupar de forma indevida o espaço da Tribuna de Honra. Seu papel
é fiscalizar cada gesto dos parlamentares e fofocar para o prefeito. Felizmente,
sua atitude foi reprovada por vários vereadores.
O que motivou o “piti” desrespeitoso de Andrade foi um voto de Jorge
Tatsch (PCdoB), integrante da base do governo do prefeito Luis Lauermann
(PT). Por 7 votos a 6, um projeto que pretende autorizar o Executivo a parcelar
compromissos com o Ipasem foi rejeitado em primeira votação. O comunista foi
contrário ao pedido da Prefeitura e ajudou a oposição a, num primeiro momento,
barrar a inciativa. A segunda votação será na sessão de segunda-feira. Se o
projeto passar, parte dos compromissos poderão cair no colo do prefeito a
partir de 2017.
Logo após Tatsch pronunciar seu voto, Andrade invadiu o
plenário por uma das portas laterais e foi tirar satisfações do comunista. Foi
chegando junto. No mesmo momento, o vereador Fufa Azevedo (PT) justificava
seu voto, mas não conseguiu encaminhar sua explanação com tranquilidade, pois
Andrade ficou cobrando a postura da Tatsch, que também subiu o tom de voz.
O gesto do CC de Lauermann foi prontamente reprovado pelos
vereadores. “Lamentável o que presenciamos aqui”, destacou Issur Koch (PP). “Precisamos
de mais ordem e respeito”, frisou Patrícia Beck (PPS). “O voto a cabresto não
existe mais. Esse tempo já passou”, ressaltou Inspetor Luz (PMDB). “Esse gesto
não foi legal. Isso não pode se repetir”, comentou Cristiano Coller (Rede). “Não
concordo com esse gesto. Vou pedir ao prefeito Lauermann para advertir o Gilnei
sobre essa postura”, garantiu o presidente da Câmara, Antonio Lucas (PDT).
Jorge Tatsch também se manifestou sobre o ocorrido. “Não fui
eleito pelo prefeito. Fui eleito pelo povo. Eu voto segundo meus ideais e no
que for melhor para a população”, desabafou. Na sequência, ele destacou que não
se sente filho de Luis Lauermann para ter de obedecer tudo que o chefe do
Executivo manda. “Meu pai mora no Santo Afonso. Ele não mora no bairro Rondônia
(junto da Prefeitura)”, emendou.
Após ser enquadrado, Gilnei Andrade seguiu assistindo à
sessão das cadeiras na plateia. No local onde todo e qualquer cidadão deve ficar. A
expectativa fica para segunda-feira: será que Tatsch manterá a coerência do
voto ou cederá a pressões?
