Vereador eleito denuncia suposta agressão de filho do presidente da Câmara e revela: “Tenho medo de ser assassinado”

“Nunca tive medo de morrer. Mas hoje tenho esse medo. De ser
assassinado ou algo assim. Nem saio de noite para cuidar dos meus cachorros”. A
declaração anterior é de Gabriel Chassot (Rede), vereador eleito em Novo
Hamburgo com 1.824 votos.
Na segunda-feira, ele registrou novo Boletim de
Ocorrência (BO) denunciando suposta agressão de Rafael Lucas (PDT) no saguão da
Câmara de Vereadores. Lucas é filho do atual presidente do Legislativo
hamburguense, Antonio Lucas (PDT).
Chassot e a família Lucas têm a mesma base
eleitoral: bairros São José, Kephas e Vila Diehl. Rafael fez mais votos que o
vizinho – 2.596 –, mas foi Chassot que garantiu uma vaga em função da legenda.

Em relação ao episódio de segunda-feira, Chassot esperava uma
reunião ao lado do vereador eleito Felipe Kuhn Braun (PDT), do advogado Márcio
Lüders (PMDB) e de Elci da Silva. Segundo Chassot, Rafael Lucas saiu do
elevador e, ao perceber sua presença, deu um encontrão fazendo com que ele
fosse jogado em direção ao balcão da recepção. “As câmeras de monitoramento vão
provar o que estou falando. Espero que as imagens não desapareçam. É só
conferir”, destaca a suposta vítima.

Como Rafael Lucas não foi localizado para falar do caso, Antonio
Lucas se manifestou a respeito do episódio. “É mais uma encenação dele. Seremos
obrigados a registrar uma ocorrência sobre falso comunicado de agressão. Ele
está se fazendo de coitado e quer se promover em cima do nosso trabalho”,
destacou Lucas. “Isso não é atitude nem comportamento de quem vai assumir um
cargo tão importante como vereador de uma cidade como Novo Hamburgo”,
completou.

Esse episódio registrado na segunda-feira é apenas mais um
capítulo envolvendo Gabriel Chassot x família Lucas.
O parlamentar da Rede trabalhou
por 14 anos com o atual presidente da Câmara de Vereadores. Primeiro, foi
coordenador de posto de saúde e, mais tarde, atuou dentro do gabinete do pedetista.
Em março deste ano, o assessor comunicou que estaria deixando o trabalho e que
poderia concorrer a vereador por outro partido. Numa reunião no gabinete da
presidência, Lucas teria agredido Chassot com socos. Houve registro de BO e
exame de corpo de delito.

A direção da Rede em Novo Hamburgo está atenta aos episódios
e vem mantendo reuniões com o Ministério Público. Chassot revela que o clima de
animosidade piorou depois das eleições. “Ele (Rafael) fez uma boa votação, mas
acabou ficando de primeiro suplente. É uma lástima, pois poderiam ser dois
vereadores aqui do bairro. Só que o ambiente está cada vez pior”, destaca
Chassot. Já Antonio Lucas contesta as acusações e diz que chegou a hora de
parar de fazer fofoca. “A eleição passou. Cada um vai seguir com seu trabalho.
Da nossa parte, não aconteceu nada e espero que isso pare”, completou o
presidente da Câmara.

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