​Um grande enigma na eleição de Novo Hamburgo

A eleição municipal em Novo Hamburgo tem um grande enigma.


A questão a ser decifrada: qual será o percentual da
migração de votos para os candidatos a prefeito levando-se em conta a votação
para presidente e para governador, em 2022?


VOTAÇÕES EM 2022


No segundo turno da eleição para presidente, em 2022, o
resultado em Novo Hamburgo foi:

Jair Bolsonaro (PL) – 95.799 votos

Lula (PT) – 44.134 votos


No segundo turno da eleição para governador, em 2022, o
resultado em Novo Hamburgo foi:

Onyx Lorenzoni (PL) – 74.195 votos

Eduardo Leite (PSDB) – 62.770 votos


CABOS ELEITORAIS



Novo Hamburgo tem cinco candidatos a prefeito: Fufa Azevedo
(PT), Gustavo Finck (PP), Raizer Ferreira (PSDB), Tânia da Silva (MDB) e
Tarcisio Zimmermann (PDT).

Cada um deles conta com cabos eleitorais fortes mandando
mensagens: deputados federais, deputados estaduais, senadores e ex-senadores,
presidente e ex-presidente, governador e ex-governadores.

Pegando os cinco candidatos e fazendo um cruzamento
com a eleição presidencial de 2022, dois abriram voto para Bolsonaro: Raizer Ferreira e Tânia da Silva. Fufa Azevedo e Tarcisio Zimmermann
abriram voto para Lula. Já Gustavo Finck praticamente ficou neutro – é raro
achar em rede social algum posicionamento dele para presidente na eleição de 2022.

VOTOS DE BOLSONARO

Em 2022, grandes lideranças estaduais e municipais de
partidos como MDB, PSDB, Podemos, Cidadania e PSD abriram voto para Bolsonaro. Os próprios candidatos a prefeito Tânia da Silva e Raizer Ferreira
fizeram isso, assim como deputados federais como Lucas Redecker (PSDB) e Alceu
Moreira (MDB), para ficar em rápidos exemplos. Só que, nesta eleição, Redecker
é o grande cabo eleitoral de Raizer e Moreira é um puxador de votos de Tânia,
inclusive tendo feito uma declaração emocionada sobre a candidata. E essa mesma postura se repete com outros deputados.



Uma situação é clara: os 95 mil eleitores de Jair Bolsonaro
(PL), em sua imensa maioria, vão se dividir entre Gustavo Finck –
tem o vice Gerson Haas (PL) –, Tânia da Silva e Raizer Ferreira.

Finck se apresenta como o candidato de Bolsonaro em Novo
Hamburgo – o ex-presidente gravou uma mensagem de apoio, que está rodando na
campanha. E tem com ele grandes puxadores de votos na cidade, como os deputados
Tenente Zucco (PL), Delegado Zucco (Republicanos) e Issur Koch (PP).

Ao mesmo tempo, o ex-deputado federal e ex-ministro de Bolsonaro,
Onyx Lorenzoni, veio a Novo Hamburgo no final da semana dizer que é apoiador de
Tânia da Silva – ela abriu voto para Onyx na eleição para governador na disputa
contra Eduardo Leite (PSDB) e Gabriel Souza (MDB). Num gesto de gratidão, o ex-ministro – que segue filiado ao PL – fez questão de sinalizar que acredita no trabalho de Tânia.

Aliás, em 2022, Tânia não apoiou a chapa do seu colega de
sigla Gabriel Souza, mas parece que isso não deixou mágoas, já que o
vice-governador esteve em Novo Hamburgo quando Tânia foi oficializada candidata
do MDB.

Essa posição de Onyx está gerando um desgaste em setores da direita. Isso
porque, o PL tem Gerson Haas como vice de Gustavo Finck, mas o ex-ministro
bolsonarista optou por trazer seu apoio e prestígio para a candidata do
MDB.

Dessa forma, os votos de Bolsonaro – 95 mil – certamente vão
se dividir entre essas três candidaturas. Nesse cálculo tem outra
incógnita: a rejeição ao histórico de alinhamento comunista, socialista e petista da família Finck.
Gustavo já atuou com candidato do PCdoB e da Rede – ele fez
campanha para Marina Silva. O pai de Gustavo, o ex-vereador Carlos Finck, foi
secretário municipal em governos liderados por PT, PCdoB e PDT. Essa bagagem “vermelha”
incomoda e gera desconfiança em parte dos eleitores da direita.



VOTOS DE LULA

Analisando o cenário dos dois candidatos que apoiaram o ex-presidente
Lula, Tarcisio e Fufa estavam alinhados com o petista. Dos 44 mil votos para
Lula, os simpatizantes e militantes da esquerda vão se dividir.

Lula está pedindo voto para Fufa em mensagem enviada para a
campanha em Novo Hamburgo. Já Tarcisio foi o maior porta-voz do PT em Novo
Hamburgo nos últimos 20 anos. Ele foi filiado à sigla por 40 anos. Não tem como
dissociar.

Fufa vem recebendo apoio de grandes petistas, como o
ex-governador Olívio Dutra e de vários deputados federais da sigla. Já Tarcisio
vem sendo festejado por lideranças do PDT no Estado, como os deputados
federais Pompeo de Mattos e Afonso Motta, além do ministro do governo Lula Carlos
Lupi (PDT).

Se a esquerda se dividir de forma
equilibrada, nenhum dos candidatos vai ter a votação necessária para se eleger prefeito.
Agora, se um dos candidatos conseguir canalizar mais votos e
atenções, crescem as chances de emplacar seu nome.


VOTAÇÃO DOS ÚLTIMOS CINCO PREFEITOS ELEITOS

Na lista abaixo, estão as votações dos últimos cinco prefeitos
eleitos em Novo Hamburgo e o número de candidatos que estavam em cada disputa:

Fátima Daudt – 51.467 votos (5 candidatos)

Fátima Daudt – 36.435 votos (7 candidatos)

Luis Lauermann – 70.521 votos (2 candidatos)

Tarcisio Zimmermann – 70.442 (3 candidatos)

Jair Foscarini – 56.065 (6 candidatos)


PROJEÇÃO

Na primeira votação de Fátima Daudt, em 2016, havia um
cenário de forças parecido com o atual. Além da Fátima Daudt, também tiveram
votações expressivas o ex-prefeito Paulo Ritzel, o então prefeito Luis
Lauermann, o ex-presidente da Câmara de Vereadores, Leonardo Hoff e o
ex-prefeito Airton dos Santos (concorreu, mas teve votos anulados pois sua
candidatura não foi válida).

Dessa forma, com cerca de 180 mil eleitores em Novo Hamburgo, e tendo um
histórico aproximado de 25% de votos brancos, nulos ou abstenções, a estimativa
do Portal Martin Behrend é que o novo prefeito de Novo Hamburgo será eleito
alcançando cerca de 40 mil votos.

Só que o enigma persiste: como ocorrerá a migração de votos,
tendo como base a eleição presidencial de 2022? As pesquisas que estão sendo realizadas
por alguns partidos trazem alguns indicativos, mas ainda tem quase um mês de
campanha.

Está claro e cristalino que os votos da eleição presidencial de 2022 serão distribuídos entre os cinco candidatos. E o que se passa na cabeça do eleitor? Quem tem essa capacidade de influenciar esse direcionamento do voto?

Ao que tudo indica, esse enigma só será revelado no
começo da noite de 6 de outubro de 2024.

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