O desespero por cargo público já não é mais disfarçado.
O Partido Progressista (PP) fará de tudo para empregar o ex-deputado estadual João Fischer, o Fixinha, para presidir a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa). E ser pago com dinheiro do governo estadual, que há meses não consegue pagar os servidores em dia.
Só que essa indicação tem alguns detalhes. Um deles: a Cesa vai ser extinta. Em abril de 2018, a Assembleia Legislativa aprovou o projeto de lei que autoriza a extinção da Cesa. Logo, vão empregar um político em algo que está em vias de sumir.
Agora, mais um capítulo: o nome de Fixinha passou por avaliação do conselho de administração da estatal, nesta quinta-feira (28). Após análise da ficha entregue pelo ex-deputado, o grupo analisou que faltavam documentos para preenchimento de pré-requisitos conforme a lei das estatais.
Um dos itens exigidos é a conclusão do ensino superior completo. O conselho da companhia apontou que Fixinha detém apenas o ensino fundamental completo.
O conselho da Cesa deu 30 dias para Fixinha apresentar a papelada que resta. O presidente do Partido Progressista (PP), Celso Bernardi, informou que a legenda vai insistir na indicação de João Fischer.
A Cesa está em processo de extinção, que teve início no governo de José Ivo Sartori (MDB). A Companhia deve encerrar as atividades em até dois anos. Essas informações foram antecipadas na coluna de Rosane de Oliveira, em GauchaZH, e por Lucas Rivas, do Correio do Povo.
FATOS
Certa vez, Fixinha sentenciou: “Eu não sou político. Eu estou político em razão de ser deputado.” Como se vê, não é bem assim. E o PP se apresenta em diversos momentos como o partido da boa política – nesse caso, para pegar dinheiro do cofre do Estado e fazer de tudo para empregar um político rejeitado pelas urnas.
Lembrando: Fixinha votou a favor no Tarifaço do Sartori e na renovação do Tarifaço do Leite, que aumentou severamente a carga tributária em diferentes segmentos da economia gaúcha.
