Na Câmara de Novo Hamburgo, o PMDB – com quatro vereadores – e o PP – com um vereador – fazem uma fiscalização rigorosa no governo do prefeito Luis Lauermann (PT). No Parlamento hamburguense, não restam dúvidas: as duas siglas são oposição e apontam com rigor diversos problemas da administração petista. Naturalmente, os partidos – tem outros, como o PPS – se afirmam como contraponto e alternativas ao modelo de gestão que vem sendo praticado no município.
Só que tem um detalhe neste roteiro: os pré-candidatos a prefeito do PMDB e PP tiveram passagens recentes por governos do PT. O ex-prefeito Paulo Ritzel (PMDB) foi presidente do Conselho de Administração da Comusa no governo do ex-prefeito Tarcísio Zimmermann (PT). Leonardo Hoff (PP) foi diretor administrativo e financeiro da Trensurb no governo da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).
A partir de sugestão de pauta de leitor, o Portal Martin Behrend contatou os dois pré-candidatos. Eles garantem: são oposição ao governo do PT em Novo Hamburgo e explicam os motivos de terem aceito os convites para atuar em governos petistas.
PAULO RITZEL – PRÉ-CANDIDATO DO PMDB E EX-PREFEITO
Se o PMDB faz tantas críticas ao PT e vice-versa, por que assumir cargo num governo do PT? Quando tu deixas de ser prefeito, entra num outro grupo: dos ex-prefeitos. Costumo manter relações saudáveis e até encontros com outros ex-prefeitos. Tem o Níveo Friedrich, o Alceu Mosmann, o Miguel Schmitz, o Airton dos Santos, o Tarcísio Zimmermann. É normal que a gente se encontre e troque ideias. E fica uma relação de respeito e diálogo entre esses ex-prefeitos. Quando deixei de ser prefeito, fui convidado e assumi cargos no governo do Atalíbio Foscarini (PMDB), do Airton dos Santos (PDT) e o Tarcísio Zimmermann (PT). Só não assumi no governo do Jair Foscarini, pois era um cargo demasiadamente político. Então, essa é uma situação que fica acima das questões políticas.
Em relação ao governo do Tarcísio, foi criada uma aproximação em função da sua esposa, a Silvia, que é minha colega de profissão – dentista. Num evento, ele disse que estava precisando de um nome representativo para ser presidente do Conselho de Administração da Comusa. E aceitei o desafio por dois anos. Agora, somos oposição. E já estamos mostrando isso.
– Se for confirmado candidato, sua proposta será uma continuidade do governo do PT? É bom lembrar que, mesmo na eleição presidencial, parte do PMDB gaúcho não apoiou a Dilma e o PT, mas estavam simpáticos com a candidatura da Marina Silva. Nós somos oposição ao PT em Novo Hamburgo. Claramente oposição. Já viemos há um bom tempo denunciando vários problemas na administração municipal, as coisas que estão erradas. Não temos nada contra as pessoas do Tarcísio e do prefeito Luis Lauermann e não vamos atacar as pessoas. Duvido que o Lauermann tenha vontade de errar, mas se vê que ele não está preparado para o cargo, não está preparado para administrar um município do porte de Novo Hamburgo. É só ver como está a cidade.
Quando o PMDB me indica, mostra que busca um nome experiente e experimentado, que já foi deputado estadual constituinte, deputado federal e prefeito. A história das administrações do PMDB e o nosso legado estão aí e podem ser conferidos diariamente. Nossos candidatos podem circular nos bairros sem problemas, pois ninguém enriqueceu em função da política. Eu sigo trabalhando no meu consultório para sustentar minha família. No dia que começar a campanha e tivermos debates, ficará claro o quanto ajudamos Novo Hamburgo. Para a comunidade ter ideia, a mudança e o crescimento de Campo Bom começaram com o ex-prefeito Giovani Feltes. Ele veio buscar ideias na nossa administração, com nosso governo. E, hoje, o PMDB segue na Prefeitura de Campo Bom e sabemos como eles avançaram na comparação com nossa cidade. Vamos rebater mentiras e críticas infundadas. Vamos mostrar como trabalhamos e deixamos obras para a cidade. Claro que, se os eleitores desejarem optar e fazer experiências com nomes que estão surgindo por aí, vamos respeitar. Mas temos muita coisa para mostrar. Somos oposição e queremos ajudar Novo Hamburgo a voltar a se desenvolver.
LEONARDO HOFF – PRÉ-CANDIDATO DO PP E EX-VEREADOR
– Se for confirmado candidato, sua proposta será uma continuidade do governo do PT? Em 1998, me filiei ao Partido Progressista, primeiro e único partido, e sou um defensor da fidelidade partidária. Venho da iniciativa privada, onde atuei de 1991 até 2004 na Schwan Assessoria Empresarial, onde fui sócio. Minha formação (currículo) e o bom trânsito que sempre tive na área empresarial me deram oportunidades na política. Sou considerado na área pública um gestor competente. Em 2008, me especializei em finanças públicas. Por isto trabalhei em diversos governos e com diversos partidos, como PSDB (fui secretário de Estado no Governo Yeda), PT (diretor administrativo e financeiro da Trensurb) e PMDB (diretor administrativo do Grupo CEEE), nunca atendendo a minha vontade pessoal, mas a uma convocação do partido para um trabalho republicano, pela comunidade, em todos os cargos que exerci.
Respondendo a tua pergunta, em nossa cidade, como vereador, fui o maior opositor do governo do ex-prefeito Tarcísio (PT). Ele aumentou o imposto e eu, além de votar contra, apresentei projeto para reduzir o imposto. Ele e sua base de governo fecharam os mercados nos domingos e eu, através de uma ADIN (como presidente do PP), derrubei a Lei no TJ/RS. Eles a toda hora entram com ações contra suposta propaganda antecipada contra mim, e eu ganhei todas elas no TSE. Isto prova que somos adversários e nunca aliados no campo político. Mas o fato dele ser PT e eu ser do PP e membro da oposição, não me estimula, de jeito nenhum, a trabalhar contra minha cidade, pois consegui ajudar o município na gestão dele, como secretário-chefe adjunto da Casa Civil do Governo Yeda, a conquistar mais de R$ 1 milhão para a reforma da Central de Polícia e contratualizar a saúde do Hospital Municipal de Novo Hamburgo, de R$ 13 milhões/ano para R$ 27 milhões/ano. Então, afirmo que não serei continuidade do governo do PT. Eles prometeram a passagem integrada e não cumpriram. Nós vamos cumprir. Eles estão perdendo empresas para municípios vizinhos, nós vamos entrar na disputa pelos empregos e vamos ser agressivos na política de atração de investimentos. Eles aumentaram o imposto ISS em 50% (de 2% para 3%) e nós vamos diminuir novamente. Investimentos milionários como a ampliação do hospital Unimed e do Grupo Herval pararam há anos na “burocracia da Prefeitura”. Nós vamos retomar e agilizar estas importantes obras.
Se faz tantas críticas ao governo do PT, por que ocupou cargo num governo petista? Como disse acima, ocupei funções partidárias do PP, de forma republicana e defendendo as boas práticas de governança corporativa, com resultados claros e objetivos em todas funções pelas quais passei. Na Trensurb, em específico, por ter sido durante o governo do PT, impossível não falar da chegada do trem na cidade, da conquista do aeromóvel e da compra dos novos trens. Acho que estas conquistas não são favor, e são obrigações do governo para com a sociedade, que paga muito imposto.
E as minhas críticas são contra as pessoas dentro do PT que tomam atitudes que afrontam valores caros para nossa sociedade. Quando um partido defende publicamente seus condenados, aí merece, sim, críticas de todos. O bom de tudo é que em todos os lugares que trabalhei sou sempre lembrado como alguém que tratou bem as pessoas e fez um bom trabalho. E isto é a marca que ficou nestas instituições em que trabalhei.
