A reeleição da prefeita Fátima Daudt (PSDB) para mais quatro
anos à frente da Prefeitura de Novo Hamburgo deixou para trás três adversários.
No início da campanha, eram sete candidatos postulando o cargo. Com três
desistências, restaram quatro nomes.
AVALIAÇÃO
O Portal Martin Behrend aponta motivos que não foram
favoráveis aos candidatos que finalizaram atrás de Fátima Daudt.
RODRIGO ZUCCO (REPUBLICANOS)
Fez sua estreia na política. Sua plataforma de governo foi
se apresentar como aliado do governo Bolsonaro. Em carreata no bairro Canudos,
afirmou que a Câmara de Vereadores precisava renovação: “Chega de ladrões”,
afirmou, ignorando que um dos vereadores é colega na Polícia Civil.
Afirmou querer afastar a velha política, mas teve como
aliado o ex-prefeito José Airton dos Santos, considerado Ficha Suja pela
Justiça Eleitoral e responsável por uma das maiores dívidas de Novo Hamburgo, o
rombo do Ipasem. Ganhou o reforço de outro ex-prefeito, Paulo Ritzel, que
acumula quatro derrotas seguidas nos últimos pleitos que disputou. Aliás,
Ritzel espalhou pesquisa Fake News, comprovando o triste final de carreira política.
Também teve como aliado de última hora Felipe Müller, que assim como Ritzel
abandonou a corrida eleitoral.
Zucco mostrou desrespeito e despreparo ao não comparecer à
Sabatina do Portal Martin Behrend. Uma liderança da coligação confirmou
presença por duas vezes, mas o candidato não apareceu. Até hoje não houve
qualquer esclarecimento ou pedido de desculpas, num claro sinal de falta de humildade e respeito com milhares de hamburguenses que aguardavam a sabatina.
Entre seus aliados, muitos também espalharam Fake News e
usaram da agressividade para tentar conquistar a simpatia da população. Uma
estratégia rejeitada pela maioria da comunidade. Para um delegado,
ter ao seu lado Ficha Suja e aliados divulgadores de Fake News ficou muito ruim. Agora, como está começando carreira política pode se reciclar e evoluir.
PATRÍCIA BECK (PP)
Vereadora mais votada na história de Novo Hamburgo em 2016, Patrícia
Beck não conseguiu levar sua fama das redes sociais para as urnas. Ela tem uma
legião de seguidores e defensores no mundo virtual, mas isso não se multiplicou em
votos. Um grupo de dezenas de seguidores tratava de posicionar a progressista
como futura prefeita da cidade, porém essa estratégia não emplacou na vida
real.
A fama de barraqueira e a avaliação de parte da comunidade
de a vereadora não ter um equilíbrio emocional necessário para conduzir uma das maiores
economias do Rio Grande do Sul também não ajudaram na conquista de eleitores.
Tendo uma aliança com partidos de baixa representatividade
no município – PSL, PL e Patriota –, Patrícia sofreu com a capilaridade
restrita de sua campanha para acessar mais hamburguenses. Isso representou um
fôlego reduzido no período eleitoral, não alavancando um número considerável de
novos eleitores. A nominata dos candidatos a vereador também teve uma
representatividade reduzida, não auxiliando na amplificação necessária das
ideias.
Patrícia Beck mostrou capacidade de atuação como
legisladora. Tem espaço na política e, após completar o segundo mandato como
vereadora, poderá aparecer em outras funções dentro do PP. Até porque o partido está com várias prefeituras da região, como Dois Irmãos, Ivoti, Esteio, Gramado, Rolante, Sapiranga, Igrejinha e Sapucaia do Sul.
TARCÍSIO ZIMMERMANN (PT)
O desgaste do PT no Brasil se refletiu no resultado da
campanha de Tarcísio Zimmermann. Aliás, segunda derrota seguida nas urnas do
petista de Novo Hamburgo, já que em 2018 ele não se reelegeu deputado estadual.
O PT perdeu suas bases eleitorais dentro da comunidade.
Também viu a fuga de lideranças comunitárias para outros projetos políticos.
Além disso, a memória mais recente de uma gestão do PT no
município foi o governo de Luis Lauermann. E foi uma administração catastrófica
e de péssimas lembranças para a comunidade, a ponto de finalizar na terceira
colocação em 2016, mesmo tendo a máquina pública a seu favor.
Em 2008, Tarcísio foi eleito prefeito de Novo Hamburgo. Em
2012, teve a maioria dos votos para ser reeleito, mas foi considerado Ficha
Suja e foi necessária uma eleição suplementar. Ou seja, em menos de uma década,
o petista perdeu um espaço considerável no município, o que também se reflete
com o PT em outros municípios e Estados.
Para completar este cenário de desmobilização, a nominata do
PT foi enfraquecida, com a fuga de puxadores de votos e lideranças que ajudaram
a consolidar a força do partido no município. Na eleição de 2012, por exemplo,
o PT teve sete candidatos a vereador entre os 20 mais votados. Ou seja, cerca
de 40% dos 20 mais votados eram petistas.
