Nilson Torriano ajuda a escrever a história dos negros na Câmara de Novo Hamburgo

A sessão da noite desta segunda-feira (10) da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo ficou marcada por uma estreia.

Mais do que isso, ajudou a reforçar a história dos negros no Parlamento hamburguense.

Após prestar compromisso (ritual ocorre sempre que um nome assume pela primeira vez), o primeiro suplente do Partido dos Trabalhadores (PT), Nilson Torriano, ocupou sua vaga na Câmara de Novo Hamburgo. Ele assumiu a cadeira do titular Enio Brizola (PT), licenciado por motivo particular.

O petista, que fez 1380 votos e foi o 23º mais lembrado nas eleições de outubro de 2020, é o segundo negro a integrar o Legislativo hamburguense em 17 legislaturas.

Torriano tem 47 anos e é natural de São João do Ivaí (PR). Em Novo Hamburgo, atuou como conselheiro tutelar de 2013 a 2020 e integra a direção municipal do partido.

Guarda Civil no município de São Leopoldo, atualmente exerce a função de assessor especial de Políticas de Segurança Pública na cidade vizinha – que é comandada pelo prefeito Ary Vanazzi (PT)..

CAUSAS HUMANITÁRIAS

Ao ocupar a tribuna, o defensor das causas humanitárias ressaltou o quão difícil foi chegar ao parlamento, mesmo como suplente, e considerou significativa a sua presença na Câmara na semana que marca os 134 anos da abolição da escravatura. “Como homem negro e de comunidade sei que tem uma simbologia muito grande eu estar aqui. Ainda mais próximo a essa data, que não foi um presente, porque nós sabemos toda a dificuldade e as lutas que temos que enfrentar diariamente em busca de igualdade. Um exemplo é esta Casa. Novo Hamburgo tem 94 anos de emancipação e, em todo esse tempo, apenas um homem negro foi eleito, devido a uma pauta evangélica”, lembrou, citando o vereador Renato Fernandes (2001-2004), que não chegou a completar seu mandato.

Para ele, a característica da cidade, muitas vezes pautada apenas pela origem germânica, torna ainda mais complicada a busca por uma paridade. “Sabemos da importância disso para que jovens e crianças possam ocupar esse e todos os espaços no futuro. Seguimos lutando para que nas próximas legislaturas a gente possa ter mais diversidade e representatividade.”

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