A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo retoma suas sessões nesta quarta-feira (18). Durante os trabalhos, deve ser colocado em votação um ofício assinado pelo prefeito Gustavo Finck (PP) pedindo a tramitação em regime de urgência do Projeto de Lei nº 10/2026.
Caso a solicitação seja acolhida pelos vereadores, o texto será discutido duas vezes no mesmo dia. Protocolada antes do Carnaval, a matéria autoriza o Executivo a parcelar dívidas com o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais de Novo Hamburgo (Ipasem) no montante de R$ 18,4 milhões.
Mesmo com os cofres cheios em razão da alta expressiva do IPTU, o governo municipal quer repetir o início do ano de 2025. Na oportunidade, a Câmara de Vereadores autorizou o Executivo a parcelar em até cinco anos dívida contraída junto ao Ipasem no montante de R$ 31,1 milhões.
Lideranças do governo Finck afirmaram, à época, que estavam dando um voto de confiança ao prefeito em razão de ser o primeiro ano de mandato. “Nosso prefeito está há menos de 30 dias no cargo e com uma granada sem pino nas mãos”, destacou o vereador Giovani Caju (PP, líder do governo, ao justificar votar a favor do parcelamento.
Será que, um ano depois, vai ter mais um voto de confiança? Ou qual será o argumento para justificar mais um parcelamento?
FINCK ERA CONTRA
Quando atuava como vereador, Gustavo Finck fazia discursos e defesas intensas contra o parcelamento. Justificava sua contrariedade aos parcelamentos não apenas por aumentar o deficit do instituto previdenciário, mas também por limitar investimentos em áreas importantes da cidade.
Agora, como prefeito, ele vai para o segundo pedido de parcelamento da dívida com o Ipasem – ignorando completamente seus posicionamentos nos tempos de vereador.
Projeto de Lei nº 10/2026 estabelece o reajuste das parcelas conforme variação inflacionária e o acréscimo de juros simples de 0,5% ao mês. É a dívida do município que vai seguir crescendo.
MANIFESTAÇÃO
O ex-secretário municipal da Fazenda, Gilberto dos Reis, fez uma publicação em rede social com tom crítico e lamentando a incoerência de Finck. “Quando era vereador, liderou a oposição e ajudou a impedir a reforma da previdência. Hoje, como prefeito, já fez um parcelamento em 2025 e agora encaminha o segundo parcelamento no início de 2026, em regime de urgência. Não é por falta de arrecadação. O município tem receitas, inclusive com o IPTU. É por falta de coerência. Quem ontem impediu a solução, hoje enfrenta as consequências. E agora tenta jogar nos vereadores a responsabilidade por um problema que ajudou a criar”, salientou o ex-secretário municipal.
Segundo acompanhamento público, o município arrecadou, nas primeiras semanas deste ano, mais de R$ 148 milhões.
