“Mas já!?” Foi desta forma que começou a conversa com o secretário estadual de Minas e Energia, Lucas Redecker (PSDB). Entrei em contato com ele para falar das eleições municipais de outubro de 2016, mas que terão as definições dos candidatos daqui nove meses. Tendo sido o deputado estadual mais votado em Novo Hamburgo no ano passado, com 23.700 votos – de um total de 96.561 votos recebidos
–, ele é um dos candidatáveis para o próximo pleito no município. “Antes de falar em nomes para prefeito, precisamos definir projetos para a cidade. Se vai ser Lucas, Pedro ou João, vamos ver mais adiante”, avalia.
Redecker já foi candidato a prefeito (2004) e vice-prefeito (2008) quando ainda engatinhava na política e estava apoiado no trabalho do seu pai, o ex-deputado federal Júlio Redecker (falecido na tragédia do Airbus da TAM, em 17 de julho 2007, no Aeroporto de Congonhas). “Claro que ser prefeito de Novo Hamburgo interessa, até porque já fui candidato. Mas a questão é que precisamos ter projetos para melhorar o município e, a partir disso, juntar esforços”, sublinha. “Não quero participar de reunião de partidos onde a pauta será divisão de cargos ou interesses pessoais.
Precisamos saber quem está disposto a trabalhar para melhorar a cidade”, completa.
O PSDB em Novo Hamburgo já avisou aos seus filiados que pretende lançar candidato próprio em outubro do ano que vem. Quem, além de Lucas Redecker, poderia enfrentar uma disputa sem que o partido fosse atropelado por outras siglas? O vereador Gerson Peteffi (PSDB) está acomodado no seu sexto mandato e vem trabalhando apenas para garantir suas sucessivas reeleições. Aliás,
alguns
tucanos condenam a asfixia criada por Peteffi, que vai completar 24 anos ganhando na Câmara e como médico, sem abrir espaços para novas lideranças. Sem Redecker, qual tucano faria frente numa eleição municipal?
A chegada de Redecker poderia ser um dos fatos novos na eleição municipal, quebrando uma rotina dos últimos 30 anos envolvendo PT, PMDB e PDT. Desde o início da década de 1980, apenas estes três partidos elegeram prefeitos. “Eu fico contente em ser lembrado e considero isso natural, até mesmo em função da votação que recebi no ano passado. Contudo, ainda acho cedo para qualquer definição”, despista. Tentar conquistar uma Prefeitura do porte de Novo Hamburgo significaria muito para o partido, que já administra São Leopoldo, Estância Velha e Ivoti na região, e faz o contraponto ao PT no plano nacional.
Redecker foi reeleito para a Assembleia Legislativa no ano passado, ampliou significativamente sua votação, mas mudou de endereço e aceitou o convite do seu partido para assumir a Secretaria Estadual de Minas e Energia. Vem dando a cara a tapa no governo de José Ivo Sartori (PMDB), que vem sendo bastante pressionado e criticado. “Arrependido pela escolha? Nem um pouco. O Estado precisa de pessoas competentes para nos tirar dessa situação e sinto que faço parte desse desafio”, garante.
Redecker não disse não. Também não disse sim. Eu senti que ser eleito prefeito de Novo Hamburgo seria um ponto fora da curva dentro de sua projeção como político. Seu próximo passo
dentro de uma escalada natural
seria tentar uma eleição para deputado federal. Mas isso é uma avaliação minha. Da parte dele, não houve qualquer confirmação. Tem de esperar.
