Péssima notícia para os hamburguenses. A gestão do atual prefeito, Luis Lauermann (PT), vai colecionando mais dificuldades. Algumas, criadas pela sua equipe. Outras, herdadas de administrações anteriores. E ainda tem a meteorologia que complicou de vez seu trabalho – enchentes de 2013 e temporal de 31 de janeiro de 2014. Isso não é bom para ninguém que gosta da cidade.
Lauermann nem chegou à metade do seu mandato e as dificuldades tendem a aumentar. Sua figura não emplaca
como a de um líder.
1 – Lauermann foi alçado ao posto de prefeito no vazio deixado pelo impedimento de Tarcísio Zimmermann assumir a Prefeitura. Foi um candidato-tampão. Fez mais de 46 mil votos para deputado estadual e mais de 70 mil para prefeito impulsionado por fortes cabos eleitorais, mas parece faltar o timing de líder.
2 – Sua gestão continua sofrendo interferências do ex-prefeito Tarcísio Zimmermann. Alguns secretários não convencem Lauermann, que precisa engolir as imposições do colega. Além disso, herdou dívidas e impasses da gestão de
Tarcísio, mas não pode usar como desculpa.
3 – O secretariado está rachado. Não há uma unidade. Os interesses são difusos. Há gente de alta capacidade e outros que foram encostados em cargos. Tem secretário respondendo a processo na Justiça por gastos supostamente indevidos, outro que mal conhece a cidade, um que é odiado por muitos servidores que atuam em sua área e tem secretário irritado ao ver colegas sendo bajulados apenas por apoio político.
4 – Luis Carlos Bolzan, que deixou nesta semana a Secretaria da Saúde, era uma espécie de joia da coroa. Veio de Brasília, onde atuava no governo federal, com um perfil técnico e a bagagem de poucos profissionais. Pediu para sair alegando “incompatibilidade administrativa” e detonando a falta de gestão.
5 – O primeiro escalão é composto por vários nomes derrotados. Secretários, diretores e outros CCs são de São Leopoldo, Sapiranga e Campo Bom, por exemplo, onde o PT ficou fora dos governos. A Prefeitura de Novo Hamburgo tem na linha de frente uma legião de perdedores em municípios da região.
6 – A base na Câmara de Vereadores está fragmentada. Vereadores com personalidade estão votando alguns projetos pensando na comunidade, e não necessariamente nos interesses do partido. A articulação está fragilizada.
7 – O PDT, fiel aliado dos últimos anos, sente a instabilidade e a fragilidade e seguidamente acena com ameaças ou mais espaço no governo.
8 – Lauermann tem vida social e comunitária reduzida. Como não é de Novo Hamburgo e fixou residência faz pouco na cidade, não tem relações mais fixas em clubes, sociedades ou pontos de encontro. Está deslocado da intimidade do município.
9 – O prefeito foge de sabatinas da imprensa e evita encontros com polêmicas em público. Fica na defensiva, não quer sair da trincheira. Deveria sair mais e ver que tem uma cidade que cobra, mas que pensa no melhor futuro para todos.
10 – O vice-prefeito, Roque Serpa (PTB), tem um perfil tão discreto que sua atuação quase passa invisível. Apesar do trabalho no Terceiro Setor – inclusive tendo criado uma coordenadoria – sua falta de experiência para auxiliar a administração pouco acrescenta.
11 – Lauermann anunciou que o projeto Fenac do Futuro seria o trunfo para eternizar seu nome na história de Novo Hamburgo e o projeto estaria encaminhado ou finalizado até dezembro de 2016. Faltando menos de dois anos para as próximas eleições municipais, o projeto segue esperando soluções burocráticas para avançar.
12 – Todas estas situações de dificuldades na administração resultam numa das cidades mais esburacadas do Estado, que tem coletes a prova de balas da Guarda Municipal vencidos, com patrimônio histórico
virando pó, falta de fiscalização no rombo milionário do Ipasem, festejos do Natal de 2013 de uma incrível pobreza, ar-condicionado da Prefeitura seguidamente quebrado, praças sujas, parques e espaços públicos (ginásios) abandonados, projetos estacionados ou se arrastando dentro da Prefeitura, etc, etc, etc. Fora situações históricas trancadas ou prestes a explodir: duplicação da Rua Rincão, dívida da Comusa com Corsan, licitação do transporte coletivo trancada, Avenida dos Municípios (parceria com governo do Estado?), Distrito Industrial engavetado, violência crescente (parceria com governo do Estado?), revitalização de Hamburgo Velho, etc… Os problemas – muitos deles básicos – se avolumam.
13 – O prefeito precisa urgente trabalhar uma pauta positiva. Anunciar recursos, obras, pensar em soluções para jogar a cidade para cima. A pauta negativa vai atropelando. Para isso ele vai precisar que sua equipe – o primeiro escalão – jogue junto. E aí temos um grande problema. O prefeito declarou na sua posse seu slogan de trabalho: “Todos cuidem de todos. Todos cuidem de tudo”. Na prática, poucos estão cuidando de pouca coisa. Falta liderança.
Prefeito Lauermann. Se este texto chegar a suas mãos, considere como um desafio. Use como combustível para promover as mudanças necessárias. A cidade precisa avançar. Se não encontrar amparo em sua equipe, venha conversar com presidentes de clubes sociais, esportivos ou
de serviços, visite
bares e cafés da cidade. Venha dialogar. A cidade é nossa, a cidade é sua. Recuar e se encapsular vai piorar as coisas. Ainda dá para reverter esta previsão: a pior administração da história de Novo Hamburgo. Depende das suas atitudes.
PS: Tenho certeza que uma pessoa pelo menos vai questionar: como ele pode definir se vai ser a pior administração ou quem é ele para definir isso? Vai lá, meu amigo: é a minha opinião baseada em pesquisas e leituras dos jornais O 5 de Abril e NH, de livros do município, documentos, pesquisas e, claro, das minhas observações.
