Jorge Tatsch muda voto e confirma: quem manda nele é o prefeito Lauermann, e não seu eleitorado

Esqueçam o discurso inflamado do vereador Jorge Tatsch
(PCdoB) na sessão anterior da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Aquele
parlamentar que lembrou um leão aguerrido, afirmando que “Não fui eleito pelo
prefeito. Fui eleito pelo povo. Eu voto segundo meus ideais e no que for melhor
para a população”, virou um gatinho acuado. Na sessão desta segunda-feira,
Tatsch mudou de ideia e votou a favor do projeto de lei 24/2016, que parcela
débitos assistenciais da Prefeitura com o Instituto de Previdência de
Assistência dos Servidores Municipais de Novo Hamburgo (Ipasem). Na prática, o
voto do vereador comunista ajudou a empurrar para o próximo prefeito uma dívida
do Executivo com o Ipasem. O valor do financiamento é superior a R$ 2,4 milhões
em 240 vezes.

O fator determinante para Tatsch mudar o voto tem duas letras:
CC. Após a votação da sessão de quarta-feira, quando o projeto de lei enviado
pelo Executivo foi derrotado por 7 votos a 6 em primeira votação, alguns CCs
empregados na Prefeitura e ligados ao comunista receberam um recado do tipo:
“Ou o vereador muda o voto ou vocês vão perder a boquinha na Prefeitura”. Na
sessão anterior, Tatsch também disse, numa alusão ao local de trabalho do
prefeito Luis Lauermann (PT), que seu pai “mora no Santo Afonso, e não na
Rondônia”.

Hoje, na votação do segundo turno, ele fez questão de deixar
claro onde mora seu pai, que emprega seus amigos e indicações: 9º andar do
Centro Administrativo Leopoldo Petry. Lá está quem manda em Tatsch. Com o voto
favorável do comunista ao projeto de lei, o placar virou para 7 a 6 a favor do
parcelamento da dívida da Prefeitura com o Ipasem. Detalhe: Tatsch não justificou para os hamburguenses o motivo da troca.

Com aprovação do projeto, Lauermann e sua base na Câmara de
Vereadores dão o seguinte recado para a comunidade: azar do próximo prefeito,
que herdará ainda mais dívidas para honrar; nossa administração é que não vai
pagar esse rombo.

Votaram a favor do parcelamento da dívida: Fufa Azevedo (PT)
| Enio Brizola (PT) | Roger Corrêa (PCdoB) | Jorge Tatsch (PCdoB) | Cristiano
Coller (Rede) | Naasom Luciano (PTB) | Vilmar Heming (PDT)

Votaram contra o parcelamento da dívida: Sergio Hanich
(PMDB) | Gerson Peteffi (PMDB) | Raul Cassel (PMDB) | Inspetor Luz (PMDB) |
Issur Koch (PP) | Patrícia Beck (PPS)

PS: Na quarta-feira, o Portal Martin Behrend havia destacado a posição independente de Tatsch: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…

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