Finck não assina e segurança pública deverá perder recurso indicado pelo próprio Finck

Recurso foi repassado para o Conselho Comunitário Pró-Segurança Comunitária de Novo Hamburgo (Consepro-NH)

É uma situação surreal. Mas é a realidade.

A segurança pública de Novo Hamburgo deverá perder recursos em razão de o prefeito Gustavo Finck (PP) não ter assinado uma liberação oficial até esta sexta-feira (12).

O detalhe e a ironia do caso: quem indicou a destinação deste recurso público, ainda em 2024, foi o próprio Gustavo Finck, quando era vereador.

O Portal Martin Behrend ficou sabendo da situação que provoca angústia e causa decepção no Conselho Comunitário Pró-Segurança Comunitária de Novo Hamburgo (Consepro-NH), formado por hamburguenses voluntários. Detalhe: os projetos estavam protocolados e ficaram meses esperando um retorno do Executivo.

O CASO

No ano passado, o então vereador Gustavo Finck destinou R$ 30 mil para o Consepro-NH. Essa é uma prática que passou a ser adotada nos últimos anos em Novo Hamburgo: os vereadores destinam recursos dentro do orçamento do município para entidades indicadas por eles.

A partir da indicação do valor, o Consepro dividiu o recurso em R$ 20 mil para a Brigada Militar e R$ 10 mil para a Polícia Civil. Dentro do planejamento da entidade, os voluntários começaram a trabalhar em dois projetos.

O projeto da Brigada Militar envolve melhorias no monitoramento. O projeto da Polícia Civil foi para a 1ª Delegacia de Polícia envolvendo um notebook para aperfeiçoar as investigações.

Os voluntários se envolveram com vários deslocamentos dentro da Prefeitura para deixar toda a parte burocrática resolvida. Estava tudo engatilhado. Ninguém apontou problemas. Faltava apenas a assinatura do prefeito Finck para liberar o recurso indicado pelo vereador Finck, em 2024.

Com o prazo esgotando, voluntários do Consepro reforçaram a mobilização junto a interlocutores do governo municipal. O vice-prefeito Gerson Haas (PL) foi acionado.

Diante da pressão, a Prefeitura informou que havia necessidade de adequações no material protocolado. Sem isso, nada feito. Então, os voluntários do Consepro foram refazendo a partir das orientações do Executivo. Mexe num local, arruma em outro. A Prefeitura, em cima da hora, pedindo mais mudanças, e o Consepro fazendo tudo para ter esse recurso à disposição.

Resumo da história: até às 17 horas desta sexta-feira, o prefeito Finck não havia assinado a liberação de um recurso indicado por ele para garantir mais segurança para os hamburguenses. A verba deverá ser perdida. “É um descaso do prefeito com a comunidade. Não é dinheiro pro Consepro, é para melhorar as condições das nossas polícias”, desabafou um integrante da entidade.

PREFEITURA

O Portal Martin Behrend procurou a Prefeitura de Novo Hamburgo. Foi oferecido espaço para o governo esclarecer para a comunidade os motivos de o prefeito não liberar um valor que ele mesmo indicou. Até o fechamento da reportagem não houve retorno.

NOVOS CASOS

Esse caso do Consepro-NH não é isolado. O Portal Martin Behrend tem conhecimento que mais entidades da cidade, de diferentes setores, estão cobrando os valores indicados pelos vereadores em 2024, mas que não estão sendo pagos pela Prefeitura.

Uma entidade cultural, por exemplo, recebeu a indicação de R$ 30 mil. Como havia a certeza – até anúncio foi feito no ano passado – de que o valor chegaria, a entidade usou este valor em um projeto ao longo de 2025. Só que o valor não foi depositado. Agora, os integrantes estão tirando dinheiro do bolso para honrar as dívidas.

ORÇAMENTO DE 2026

Para 2026, Câmara de Vereadores e Prefeitura chegaram a um novo acordo que garantiu aos parlamentares hamburguenses a oportunidade de destinar recursos para escolas e entidades da cidade por meio de emenda à Lei Orçamentária Anual (LOA).

Para 2026, cada vereador pôde direcionar até R$ 150 mil, totalizando R$ 2,1 milhões. O valor corresponde a 0,09% dos mais de R$ 2,25 bilhões em despesas previstas para o próximo ano.

Agora, como se vê na prática, é bom as entidades não se entusiasmarem. Em muitos casos, os valores ficaram só no anúncio.

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