A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) também está cansada de só ficar dialogando sem ser atendida. Não tendo seus apelos e mobilizações reconhecidos pela Assembleia Legislativa, a entidade adotou um posicionamento prático: não participará das reuniões da Frente Parlamentar da Indústria, conduzidas pelo deputado estadual João Fischer, o Fixinha (PP).
Leia na íntegra a nota oficial
assinada pelo presidente da Fiergs, Heitor José Müller:
Exmo. Deputado
João Fischer
Assembleia Legislativa
Senhor Deputado:
"Comunicamos que a partir desta data a Federação e o Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul não mais participarão das reuniões da Frente Parlamentar da Indústria sob a sua presidência.
Esta decisão está baseada na incoerência dos votos de V. Exa. favoráveis aos projetos do Executivo de elevação das alíquotas do ICMS e, ao mesmo tempo, ocupar a função citada naquele fórum cujo objetivo seria de defender o crescimento do setor industrial.
Os resultados das votações – com a diferença de apenas um voto nos dois projetos apresentados – reforçam a posição que ora lhe transmitimos."
Ainda ontem, a Fiergs reforçou um levantamento realizado pela entidade por meio de sua Unidade de Estudos Econômicos. “O que o governo fará com a receita a mais de impostos? Esta é a questão. Se gastar tudo mês a mês, não terá recursos para os investimentos necessários. Então, vamos travar a economia gaúcha, com desemprego, prejuízos sociais e a redução da competitividade das empresas. O Rio Grande do Sul será um dos Estados mais caros para produzir e viver. Provavelmente, vai reduzir a atratividade de novos empreendimentos”, prevê o presidente da Fiergs, Heitor José Müller.
O trabalho realizado pela Fiergs
aponta que, segundo análises do próprio governo do Estado, os aumentos na folha de pagamentos da segurança pública (concedidos no governo Tarso Genro) e o crescimento vegetativo das despesas de pessoal (cerca de 3% a.a.) farão com que essas despesas aumentem aproximadamente R$ 1,3 bilhão em 2016. “Desta forma, cerca de 77% da elevação de ICMS será alocada nessas despesas. Essa foi a tônica dos últimos anos no Rio Grande do Sul, onde o governo sempre utiliza aumentos de impostos para pagar as despesas atuais e o ‘espaço extra’ para despesas futuras”, comenta Müller.

























