Virou tarefa de gincana encontrar fotos de Fátima Daudt e
Lucas Redecker juntos, sorridentes e alinhados.
A prefeita de Novo Hamburgo e o deputado federal racharam as
relações há algum tempo e isso tem impacto direto nas articulações para a
eleição municipal de 2024.
Fátima Daudt entrou no PSDB e teve a indicação para
concorrer à prefeita pelas mãos de Redecker. Ele é o grande responsável pela
pavimentação do caminho para a arquiteta e urbanista se lançar como candidata.
Só que diversos pequenos episódios foram desgastando as
relações. A ponto de Fátima deixar o PSDB e ir para o MDB.
ALINHADOS EM 2016
Em maio de 2016, o Portal Martin Behrend registrou: “A
empresária Fatima Daudt, 49 anos, é a pré-candidata do PSDB na corrida
eleitoral para a Prefeitura de Novo Hamburgo… Fatima garante que o PSDB está
unido em torno do seu nome e aposta no secretário estadual de Minas e Energia,
Lucas Redecker, como um grande cabo eleitoral – ele fez mais de 23 mil votos no
município na última eleição para deputado estadual. ‘O Lucas está 100% com
a gente. O engajamento dele será grande’…”
A matéria completa pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
No primeiro mandato de Fátima na Prefeitura, a jornalista Manuela Redecker – esposa do deputado federal – trabalhava lado a lado com a prefeita.
Essa situação em que padrinho e afilhado político rompem não
é novidade. Existem dezenas de casos que se repetem pelo Brasil. Pessoas
próximas aos dois políticos não conseguem apontar um episódio específico que
provocou a ruptura. Citam uma situação aqui, outra acolá. Se houve algo mais
forte e emblemático, ficou entre eles.
Na situação de Novo Hamburgo, a maior dúvida é saber se a
atual coligação que comanda o município – liderada por MDB e PSDB – terá condições
de dialogar e se manter unida.
Nesse imbróglio, ainda tem o caso do vice-prefeito
hamburguense e diretor-geral da Comusa, Márcio Lüders. Após quase 30 anos, ele
deixou o MDB e foi pro PSDB. Ou seja, o governo municipal segue liderado pelos
dois partidos, só que as siglas estão em diferentes posições. E Lüders deixou o
MDB após episódios desgastantes.
O atual governo tem um legado para compartilhar com a
comunidade. Serão oito anos de ações para reforçar o que foi construído para o
município. Juntos, MDB e PSDB têm uma boa representatividade. São seis
vereadores – num total de 14 – embora o vereador Inspetor Luz (MDB) siga
magoado e fazendo beiço para a prefeita, que agora é sua colega de partido.
Além disso, existem lideranças regionais relevantes, fortes representantes nos
bairros e o apoio do governador Eduardo Leite (PSDB) e do vice-governador
Gabriel Souza (MDB). A base é boa.
Só que para MDB e PSDB seguirem unidos, Fátima e Lucas terão
de tomar um chá juntos e fazer uma terapia para se reaproximarem. Passa pela
capacidade de diálogo de Lucas e Fátima uma sequência da coligação.
Do contrário, são vários os caminhos.
O PSDB pode se alinhar com partidos como PL, Republicanos e
PP – alinhados com o bolsonarismo. O vereador Raizer Ferreira (PSDB), por exemplo, fez campanha explícita para
Jair Bolsonaro e não seria problema se alinhar com partidos bolsonaristas.
Dessa soma de siglas poderia surgir uma chapa em que despontariam nomes como
dos deputados estaduais Issur Koch (PP) e Rodrigo Zucco (Republicanos), do
vereador Gustavo Finck (PP), da ex-vereadora Patrícia Beck (PP), do ex-vereador
Naasom Luciano (PSDB), do ex-presidente da CDL-NH, Jorge Stoffel (PL), e do próprio
Raizer Ferreira.
Já o MDB poderia tentar, mais uma vez, importar o
ex-prefeito de Campo Bom e atual secretário estadual da Agricultura, Giovani
Feltes – admirado por Paulo Kopschina, uma das grandes lideranças da sigla e conselheiro da prefeita. Ou,
ainda, indicar a ex-prefeita de Dois Irmãos, Tânia Teresinha da Silva, que tem
muita afinidade com Fátima Daudt. Tânia já comandou a Fundação de Saúde Pública
de Novo Hamburgo na gestão do PSDB.
Em uma outra hipótese, o MDB poderia se somar ao
grupo de partidos acima citado criando uma grande frente para enfrentar um candidato do PT
e parceiros da esquerda.
É verdade que ainda faltam 16 meses. É muito tempo mesmo.
Só
que as costuras e os namoros de coligações também costumam levar tempo. E muita coisa passa
por Fátima e Lucas – há quem diga que Redecker prefere se aliar ao bolsonarismo do que voltar a se aproximar da prefeita. O tempo vai mostrar se terá chá de aproximação ou se as
feridas abertas não cicatrizaram.
Na semana passada, por exemplo, o governador Eduardo Leite esteve em Novo Hamburgo palestrando na Oficina de Negócios do Sindilojas. Lá compareceu Redecker, mas Fátima – por coincidência de agendas – estava fora de Novo Hamburgo, e eles não se encontraram. Segue a gincana em busca das fotos…
