Falta de caráter e vergonha na cara: enfrentamento de vereadores aquece disputa pela presidência da Câmara

A disputa pela presidência da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo no ano de 2019 esquentou o clima no Palácio 5 de Abril.

Na sessão noturna desta segunda-feira (19), os vereadores Enio Brizola (PT) e Gabriel Chassot (Rede) trocaram farpas e acusações. Foram posicionamentos duros e com a utilização de expressões como “falta de caráter” e “vergonha na cara”.

O primeiro a se manifestar na sessão foi o petista. Ele comunicou seu desligamento do grupo responsável pela eleição à presidência de Patrícia Beck (PPS), em 2017, e Felipe Kuhn Braun (PDT), neste ano. O acordão costurado ainda em 2016 incluía eleger Enio Brizola como presidente em 2019 e Vladi Lourenço (PP) em 2020.

Em 28 de janeiro de 2016, o Portal Martin Behrend publicou matéria, com o acordo assinado por oito vereadores – Chassot estava do outro lado, não fazia parte -, determinando quem seria os presidentes no período 2017-2020. A matéria “Oito vereadores montam bloco pluripartidário reunindo antigos desafetos e siglas rivais” está no link http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…

Batizado de gestão compartilhada, o grupo pluripartidário foi perdendo fôlego à medida que integrantes foram mudando de posição em relação ao governo Fátima Daudt (PSDB). “Tomo essa decisão com orgulho pessoal. Fiz todos os esforços para manter a união. Alguns tiveram a hombridade de comunicar que estavam passando para o governo, caso do Nassom Luciano (PTB), que me procurou, e do Enfermeiro Vilmar (PDT), que também se manifestou sobre suas razões”, destacou Brizola.

A seguir, o vereador do PT disparou: “Ao contrário de outro vereador, que jurou que estava com o grupo, se exaltou, esbravejou, e disse que nada do mundo impediria que permanecesse no grupo”. “No momento certo, irei dizer o seu nome”, completou. “Mantenho minhas posições. Não me vendo”, continuou Brizola.

Ainda na sua fala, Brizola destacou ter valores e princípios. “É falta de caráter estar no grupo para passar informações. No momento certo vou dizer o nome se nenhum medo. Medo eu desconheço”, acrescentou. “Quero comunicar a todos que não faço mais parte do grupo em razão da quebra de confiança, quebra de padrões éticos. Até porque eu não perco a vergonha na minha cara”, finalizou.

RESPOSTA

No momento da sua manifestação, Gabriel Chassot fez logo questão de se acusar como o vereador citado por Brizola. “Eu não tenho porque esconder que sou eu o cara que tu tá
falando. Agora, não tenho acordo para cumprir com ninguém. Dizer que não tenho caráter? Quem fala isso dá uma
pesquisada na própria vida”, rebateu.

Chassot reforçou que sua vida é um livro aberto, destacou seus 14 anos como chefe de gabinete (vereador Antonio Lucas/PDT) e abriu voto para Raul Cassel (MDB) para assumir a presidência do Legislativo em 2019. “Eu não
tenho medo de falar, já que tu (Brizola) ficou nas meias palavras, eu sou direto”, destacou Chassot. “Se fizeram acordo lá atrás, é problema de quem assinou o acordo”, complementou.

O parlamentar ainda destacou que sua posição tem relação com alinhamento com o governo de Fátima Daudt (PSDB), a partir de melhorias e conquistas que estaria conseguindo para a região onde fez mais votos: bairro São José, Vila Diehl e Kephas.

Com o grupo pluripartidário perdendo aliados, o acordão não deverá eleger Brizola. Com isso, Raul Cassel aparece como grande favorito para presidente a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo no próximo ano. Está tudo decidido? Não, a política, assim como a vida, é bastante dinâmica. Assinatura de alguns políticos, como se vê, não está valendo muita coisa.

Detalhe: na sessão desta quarta-feira (21), esse dramalhão deve ter um novo capítulo. É provável que Brizola renuncie ao seu cargo na Mesa Diretora. Ele é o 1º secretário. Se isso ocorrer, haverá eleição para algum vereador assumir essa posição.

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