Executado pelo Estado em razão de dívida, ex-vereador hamburguense é prestigiado como CC do presidente da Assembleia

Ex-vereador e ex-secretário municipal de Novo Hamburgo,
Carlos Antonio Finck (PTB) está sendo executado pelo Estado desde 2012. O
débito devido é do período em que ele integrou o governo Yeda Crusius (PSDB).
Finck ocupou a presidência da Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul
(Fundergs) – muitas fundações foram ou estão sendo extintas, pois na prática
funcionavam como cabides de empregos.

Em razão de prestação de contas indevida de entidades
esportivas, com anuência da Fundergs, o Tribunal de Contas do Estado (TCE)
imputou a Finck o débito de R$ 771.006,29 – valor referencial de março de 2012.
E já se vão mais de sete anos de defesa do hamburguense, que ainda não acertou
o valor cobrado.

Em novembro de 2018, a dívida em valores atualizados alcançou
R$ 1.861.239,82. Atualmente, a projeção indica que Finck deve reembolsar o
Estado em mais de R$ 2 milhões.

Finck foi considerado Ficha Suja em lista do
TCE em razão de não ter suas contas aprovadas, não podendo se candidatar a
cargo eletivo.

Só que, na política, alguns têm mais privilégios que outros,
e ser considerado Ficha Suja pode ser irrelevante. Finck, que já presidiu a
Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo e, nas últimas décadas, atuou como CC em
governos do PT, PDT e PSDB, foi premiado como CC do atual
presidente da Assembleia Legislativa, Luís Augusto Lara (PTB).



Na verdade, Finck assumiu como CC indicado por Lara em junho de
2017. No ano passado, seu salário durante quase todo ano foi superior a R$ 6,8
mil. Somente em fevereiro de 2018, ele recebeu mais de R$ 17 mil de salário.

Devendo cerca de R$ 2 milhões ao Estado, em 2019, ele segue
recebendo desse mesmo Estado um salário superior a R$ 4,5 mil. Dinheiro
público.

TENTATIVAS

O Estado do Rio Grande do Sul vem tentando cobrar de todas
as formas essa dívida – o processo é público e pode ser conferido no site do Tribunal de Justiça (TJ). Já se tentou
penhorar um automóvel Omega de Finck, mas curiosamente o carro não apareceu para
se efetuar o leilão. O veículo em questão é o mesmo que Finck estacionou de
forma irregular bem no Centro de Novo Hamburgo, em 2016 – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/1396/titulo/secretario-estaciona-veiculo-em-local-proibido-por-cerca-de-30-minutos-e-diz-que-foi-falta-de-atencao
. Sumiu.

O Estado também vem há anos tentando bloquear as contas de
Finck junto ao Banco Central, mas não localiza valores consideráveis. Isso é
curioso, pois no período em que foi secretário municipal no governo do PT,
Finck recebeu como salário mais de R$ 750 mil – dinheiro público – em quase
oito anos. Daria para pagar o valor devido ao Estado lá no início da cobrança.


Também houve tentativa de penhorar a residência de Finck, localizada próxima da avenida Maurício Cardoso, mas não se obteve êxito. No próprio processo
na Justiça, o Estado deixa claro que Finck recebeu importantes salários como CC
dos governos Airton dos Santos (PDT), Yeda Crusius (PSDB), Tarcísio Zimmermann
(PT) e Luis Lauermann (PT). Mesmo assim, nada de se localizar o dinheiro para
acertar o débito.


RESULTADOS



O fato é que Finck vai pulando de galho em galho, sempre
recebendo generosos salários como CC. Não importa muito o resultado, se o
governo em que atua é reeleito ou não, ele segue prestigiado. A sua dívida como
gestor também parece irrelevante. Na iniciativa privada, é improvável que um
gestor que deixe um rombo de R$ 2 milhões numa empresa siga prestigiado. Mas na
política as velhas práticas permanecem.

No governo do PT, em Novo Hamburgo, foram quase oito anos
atuando como secretário de Desenvolvimento Econômico. Nesse período, por
exemplo, nenhum tijolo foi erguido num projeto de Distrito Industrial. Como não
ganhou emprego no atual governo, saiu atacando a Prefeitura. Aliás, quando era
presidente da Fundergs, o governo estadual do PSDB servia; quando ficou sem
cargo, o governo municipal do mesmo PSDB não prestava.

Agora, está como CC no gabinete do presidente do Poder Legislativo.
Um exemplo nada positivo para tantos outros que procuram fazer da política um
ambiente de menos privilégios e favorecimentos.


COINCIDÊNCIAS?

A reportagem do Portal Martin Behrend acompanha também o
trabalho do filho de Carlos Finck, Gustavo Finck, que segue os passos do pai e
constrói carreira como CC. Ligado ao esporte, ele trabalha atualmente no
governo Eduardo Leite (PSDB). Finck é assessor do ex-deputado federal e atual
secretário estadual João Derly (PRB).

O ex-comunista Derly é o atual titular da Secretaria de
Esporte e Lazer do Estado do Rio Grande do Sul. Neste ano, Finck chegou a
trabalhar por alguns dias no gabinete do deputado estadual Issur Koch (PP), e
recebeu convite para atuar no governo tucano. Aceitou na hora aderir ao projeto
do PSDB.



Curiosamente, Gustavo Finck faz denúncias e críticas à
gestão do esporte no governo Fátima Daudt (PSDB), especialmente ao
ex-secretário Jorginho Schmidt (PSDB). São recorrentes as indignações de Finck
quanto ao comportamento e suposto uso indevido de recursos públicos do governo
tucano municipal. Contudo, o débito devido por seu pai – também na área do
esporte – jamais gerou qualquer indignação do CC do governo Eduardo Leite.

Diante dessa coincidência – Carlos Finck atuou no esporte
num governo do PSDB e, agora, Gustavo Finck atua no esporte num governo do
PSDB, sendo que ambos fazem fortes críticas ao PSDB municipal – a reportagem
enviou questionamentos a Gustavo Finck. Confira as manifestações:


Considera um bom exemplo para a sociedade que teu pai siga
recebendo dinheiro público como CC na Assembleia, sendo que o Estado está
quebrado?

Que pergunta sem fundamento e com pitadas de inveja, mas vou
te responder: Meu pai sempre honrou com suas obrigações, seja ela política ou
dentro da nossa casa. Ele prestou um grande serviço para Novo Hamburgo e agora
com sua experiência ajuda o Estado através do seu trabalho na Assembleia
Legislativa. Tenho orgulho do meu pai e o tenho como espelho para minha
formação pessoal e política.


Pretende usar teu salário, dinheiro público, já que está
na área do esporte, para que o Estado recupere este valor cobrado?

Meu salário é fruto do meu trabalho que executo honrosamente
para ajudar o Estado a construir uma vida melhor a todo povo gaúcho.


Acha coincidência tu e teu pai atuarem no esporte, em
governos do PSDB?

Pura coincidência. Hoje estou lotado na Casa Civil e cedido
para a Secretaria de Esportes, com o intuito de ajudar o atual secretário João
Derly (PRB) na construção dessa nova e importante pasta do governo Eduardo
Leite (PSDB).


Ocupa um bom cargo no PSDB estadual, mas faz muitas
críticas ao PSDB municipal. Considera coerente, é oportunismo por cargos?

Não entendi muito bem essa pergunta quando tenta falar em
oportunismo, até porque minhas críticas e elogios nunca foram oportunistas e
sim coerentes com a realidade que vivemos em Novo Hamburgo. A Prefeita Fátima
acertou em desligar o atual secretário Jorginho Schimdt e acertou também na
indicação do novo secretário Preto, o qual já me coloquei à disposição para
ajudar a mudar a realidade da falência do esporte hamburguense. Acredito que a
força de vontade de fazer as coisas acontecerem, será o diferencial do Preto e
ele terá o total apoio da comunidade esportiva local.


Nos teus espaços, vejo muitas críticas a más gestões do
esporte – Fátima Daudt e Jorginho Schmidt são dois exemplos. Mas nunca se
indignou com esse rombo deixado na gestão do teu pai na Fundergs, que é o
esporte. Por que essa dívida que chega a R$ 2 milhões nunca te deixou indignado
e nunca divulgou nas tuas redes sociais?

As redes sociais pertencem a mim e eu divulgo ou crítico o
que acho necessário. Sobre o meu pai, ele não deixou rombo algum, e assim como
os demais presidentes da Fundergs estão recorrendo dessas cobranças indevidas,
pois os mesmos apenas assinaram os convênios com as entidades, e essas que
devem responder e serem cobradas pelo estado (está sendo feito) por não
prestarem contas ou prestarem contas de forma irregular. Meu pai nunca pegou
dinheiro público para fomentar o esporte, apenas responde solidariamente pois
como presidente da Fundergs, assinou a liberação dos recursos aos projetos
esportivos contemplados por essas entidades. Várias entidades já devolveram os
recursos e outras buscam reparação na Justiça Comum.


Caso tenha mais alguma consideração a fazer sobre esse caso,
o espaço está à disposição.

Mesmo entendendo que essa matéria tenha lado, tendenciosa e
de total sem propósito, pois busca fatos de quase oito anos atrás do meu pai,
tentando macular a minha imagem após as denúncias que fiz ao ex-secretário
demitido Jorginho Schimdt. Com a maior tranquilidade e convicto que estou no
caminho certo, respondi todas as perguntas que me foram feitas, pois não
escondo nada de ninguém e seguirei apoiando iniciativas populares como foi essa
denúncia. Continuarei fazendo o melhor para Novo Hamburgo, seja trazendo
emendas parlamentares que ultrapassam R$ 2 milhões de reais para investimento
em demandas prioritárias da cidade ou fazendo denúncias de má gestão de
qualquer pessoa que use a cidade de Novo Hamburgo para benefício próprio. Sigo
leal aos meus princípios e lutando por dias melhores ao cidadão de Novo
Hamburgo. Meu nome é Gustavo Finck, casado, maior de idade, família constituída
com dois lindos filhos nascidos aqui em Novo Hamburgo e agora também respondendo
questões relativas ao passado do meu pai. Se quiser saber mais da minha vida eu
posso lhe contar, pois luto pela minha cidade e respiro a boa política todos os
dias, também sei interpretar quando uma matéria como essa tenta inverter os
papéis das denúncias contra o Jorginho Schimdt, pois ele sim, deve satisfação
ao Ministerio Público e ao povo hamburguense, já eu, mantenho a cabeça erguida
por tudo que já fiz de bem e que ainda vou construir para Novo Hamburgo.


Desde o começo da semana, o Portal Martin Behrend entrou em contato com Carlos Finck e
Luis Augusto Lara. Até o fechamento da reportagem, não houve retorno dos
questionamentos.


NOTA DO EDITOR



Gustavo Finck usou as seguintes expressões para tentar
desqualificar e desrespeitar a reportagem: “pergunta sem fundamento”, “pitadas de
inveja”, “matéria tenha lado, tendenciosa e de total sem propósito”.

Inicialmente, se o objetivo fosse ter lado, não se abriria
espaço para contraponto.

Não foi perguntado ao CC sobre o teor das
questões. Isso não interessa para a comunidade. Mas a reportagem decidiu manter as colocações para que a
população perceba como se busca atacar quem traz informação à comunidade.

Carlos Finck e Gustavo Finck são funcionários públicos. São
CCs pagos pelo povo gaúcho. Como Gustavo Finck
registrou, a rede social é dele e ele decide o que publicar.

Também cabe lembrar que o governo que Gustavo Finck defende
atrasa os salários de vários servidores, entre eles, milhares de professores de
Educação Física, responsáveis por motivar e treinar jovens gaúchos. Mas, como a
rede social é particular, esse atraso dos salários do governo do PSDB com os
professores de Educação Física – numa clara desvalorização a quem trabalha com esporte junto à juventude – não aparece.

É por isso que existe a imprensa. Para publicar aquilo que
alguns buscam omitir ou esconder da população, que paga os salários dos CCs.

Em relação a Jorginho Schmidt, a reportagem do Portal Martin
Behrend frisa e reforça: confirmadas as denúncias e caso ocorra condenação, que
o ex-secretário municipal pague por suas atitudes.

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