Encontrei o deputado estadual Tarcísio Zimmermann (PT) no sábado passado, na abertura oficial do evento McDia Feliz, em São Leopoldo. Na ensolarada e quente manhã, conversamos sobre futebol, Grêmio – seu clube de coração – e a causa motivadora do evento: o tratamento do câncer infantil, principalmente para crianças carentes. Eleito em outubro do ano passado para a Assembleia Legislativa com 47.465 votos, Tarcísio vem trabalhando fortemente na Frente Gaúcha em Defesa da Saúde Pública, entre outras atuações.
Após nosso encontro em São Leopoldo, encaminhei uma entrevista com o deputado estadual. Isso porque, em praticamente um ano (outubro de 2016), teremos eleições municipais e seu nome é bastante lembrado para liderar a sucessão do atual prefeito, Luis Lauermann (PT), embora o atual chefe do Executivo tenha anunciando que vai tentar a reeleição. Tendo comandado Novo Hamburgo de 2009 a 2012 e sendo reeleito para administrar o município de 2013 a 2016,
não assumiu o cargo neste segundo mandato por condenação na Lei da Ficha Limpa.
Na entrevista concedida ao blog Martin Behrend, Tarcísio Zimmermann fala das eleições municipais de 2016, da gestão do prefeito Luis Lauermann, do legado do seu governo e da crise no Rio Grande do Sul.
O senhor vai se candidatar a prefeito de Novo Hamburgo nas eleições de outubro de 2016?
Não está nos meus planos candidatura a prefeito.
Existem lideranças do PT que pedem seu retorno. Até que ponto essa divisão interna pode interferir na continuidade do projeto da atual coligação?
Fico honrado com a lembrança, mas, como disse, eventual candidatura a prefeito não está nos meus planos. A simples lembrança de nomes não configura divisão interna.
Qual a sua relação com o atual prefeito, Luis Lauermann. Afinal, ele cresceu na vida política – deputado estadual e prefeito – graças ao seu empenho e projeção. Vocês trocam muitas informações sobre o município?
Respeito sua condição de prefeito e jamais neguei contribuição quando solicitada.
O governo do município de Novo Hamburgo está tomado por secretários e diretores que vivem e residem em outros municípios. Isso prejudica a relação do Poder Executivo com a cidade?
A decisão quanto aos secretários é exclusiva do prefeito. Não recordo que tenha sido compartilhada com o partido. Quanto à relação com a cidade, cabe à comunidade avaliar.
Quais obras e conquistas que orgulham e valorizam sua passagem como prefeito de Novo Hamburgo?
Orgulho-me do diálogo com a população, do gabinete aberto à comunidade, das grandes obras na saúde, na educação, no saneamento, na iluminação pública, na habitação e na pavimentação de ruas em bairros, sem qualquer denúncia de desvios. Orgulho-me, também, de ter feito a primeira UPA do Estado e de ter reorganizado o sistema de saúde no Município. Também tenho especial apreço pelo Catavida, pela Fábrica da Cidadania, pela redução da mortalidade infantil e pelo Pacto pelo Direto de Aprender, que permitiu reduzir em 50% a repetência em nossas escolas. Registro também os esforços para reorganizar administrativamente o município, melhorar a situação financeira, o encaminhamento das negociações com a União e o Estado para obter mais recursos para a saúde, os recursos deixados para as obras do PAC, Parcão, revitalização de Hamburgo Velho e do Centro, o encaminhamento do projeto da Fenac do futuro, o CIT, entre outros.
Na sua visão, quais são os problemas que devem ser enfrentados de forma prioritária no município?
Entendo que o principal desafio de qualquer governo é o diálogo com a comunidade. É ouvir, é ter canais permanentes e qualificados com todas as entidades e mecanismos também permanentes de diálogo direto com a população. E esse diálogo precisa ser valorizado pela qualidade da resposta que o governo dá aos anseios e prioridades manifestadas pela comunidade. Assim é que podemos melhorar efetivamente a cidade em todas as áreas.
Quais são os caminhos para o RS sair da crise? Em curto e a longo prazo, o que precisa mudar de forma radical para reverter esse quadro? Como a Assembleia pode contribuir nesse processo?
Governar o Rio Grande é difícil há muito tempo. A crise vem de longe e cada governo lança mão dos instrumentos que considera mais adequados para enfrentá-la. Digo com convicção que os caminhos do atual governo não seriam os nossos. Nos últimos 16 anos o meu partido governou o Rio Grande por 8. E nesses 8 anos não houve aumento de impostos e nunca os salários dos servidores foram atrasados um dia sequer. A bancada do PT apresentou no início do ano um conjunto de medidas de curto, médio e longo prazos para enfrentar a crise. Infelizmente, o Governo Sartori optou pela chantagem, pela criação de um ambiente artificial de caos apenas para justificar o que os governos Britto e Rigotto fizeram: aumentar impostos, arrochar salários e privatizar. A maior prova da aposta no "quanto pior melhor” é o fato de que só agora, passados oito meses do mandato, o governo anuncia o envio do projeto para ampliar os saques dos depósitos judiciais, uma medida transitória, mas que, junto com outras, poderia ter sido adotada antes de criar o caos que hoje prejudica todo o povo gaúcho e trava o nosso desenvolvimento.
