O palco do Teatro Paschoal Carlos Magno recebeu, na noite
desta quarta-feira, um momento ímpar na história das eleições municipais. Cinco
candidatos a prefeito se fizeram presentes para debater projetos para a cultura em Novo
Hamburgo: Fatima Daudt (PSDB), Leonardo Hoff (PP), Luis Lauermann (PT), Mauro
Brochier (PMN) e Rafael Schüler (PSOL). Um fato lamentado pelo setor
artístico-cultural foi a ausência de dois candidatos: os ex-prefeitos Paulo
Ritzel (PMDB) e Airton dos Santos (PV). Airton avisou antecipadamente que não
iria e Ritzel, através de um assessor, informou minutos antes do debate começar
que não estaria presente.
Cerca de 130 pessoas acompanharam o encontro. A iniciativa
foi do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC), que tem o escritor e
advogado Henrique Schneider como presidente. “A iniciativa foi importante e
estamos contentes com a mobilização”, resumiu Schneider após o evento. O debate
foi mediado por Zé Renato Oliveira (Vale TV) e Stephany Sander (Rádio ABC e
Correio do Povo). A seguir, o Portal Martin Behrend apresenta algumas
observações do evento.
Fatima Daudt (PSDB)
– Informou que no seu governo pretende realizar a Virada
Cultural, que já existe em grandes cidades brasileiras.
– Destacou que, num eventual governo, o secretário municipal
da Cultura poderá ser escolhido através de uma lista com três nomes a ser
entregue ao Executivo.
– Destacou ser incentivadora de Parcerias Público Privadas
(PPP), inclusive para reativar espaços públicos abandonados e ignorados pela
Prefeitura, mas precisa dialogar com o setor.
– Não trouxe propostas mais diretas e concretas para o
setor.
– Lamentou a ocupação da Secult por tantos CCs e prometeu valorizar mais servidores de carreira.
Leonardo Hoff (PP)
– Anunciou que, se eleito, o futuro secretário municipal de
Cultura será o ator, diretor, escritor e produtor cultural Luis Fernando
Rodembuch, valorizando um profissional do setor cultural.
– Atacou o prefeito Luis Lauermann, que gastou fortunas com
alguns eventos que não foram bem executados, como o Natal.
– Lamentou a revitalização de Hamburgo Velho estar parada há anos e não ter sido investido um centavo em oito anos do governo do PT.
– Frisou que pretende democratizar mais os recursos do setor
cultural e ilustrou citando a Orquestra de Sopros, que recebe um valor
considerado alto por ele, com a maioria dos integrantes de fora de Novo
Hamburgo e que não estaria cumprindo parte do seu compromisso.
– Lamentou a ausência de Paulo Ritzel e Airton dos Santos do
debate.
– Trouxe valores gastos pelo governo do prefeito Luis
Lauermann, mas não mostrou de onde vieram as informações, sendo contestado pelo
prefeito.
Luis Lauermann (PT)
– Considerou um marco para a cultura no município a
aprovação do Plano Municipal de Cultura e do Fundo Municipal de Cultura
(Funcultura).
– Destacou a criação no seu governo do Conselho Municipal de
Políticas Culturais (CMPC).
– Salientou a realização de editais, em 2015 e 2016, para a
ocupação do Teatro Paschoal Carlos Magno e para realização de projetos
culturais. Frisou ser um instrumento democrático e acessível a todos.
– Garantiu que os editais seguirão avançando num eventual
segundo mandato.
– Destacou a criação da Escola Municipal de Arte Carlos Alberto de
Oliveira, o Carlão.
– Mentiu descaradamente ao afirmar que seu governo não
pratica discriminação. Há poucos metros do prefeito estava um profissional que
sofre discriminação permanente por não pensar como o prefeito. Mentiu ao omitir
que seu governo pratica a censura e o “racismo de ideias”.
Mauro Brochier (PMN)
– Disse que só tomará decisões após consultar o setor
cultural. Respeitará os profissionais do setor.
– Mencionou que um futuro secretário da Cultura poderá ser
indicado pela classe cultural
– Anunciou que, num eventual governo, tornará Novo Hamburgo
a Capital Gaúcha do Esporte – com reflexos na área cultural.
– Pretende manter um diálogo aberto e constante com o setor
cultural
Rafael Schüler (PSOL)
– Disse que aumentará os recursos na área da cultura através
do corte de 70% dos CCs e gastos com publicidade. Com isso, pretende pular de
1% para 2% dos recursos do orçamento para a área cultural, chegando a R$ 20
milhões por ano.
– Elogiou os editais criados no governo de Luis Lauermann,
mas disse que pretende desburocratizar e tornar mais acessível para os
artistas.
– Citou a criação de um Estúdio Público Popular, que já
existe em cidades de São Paulo e Santa Catarina. Artistas poderão ser
beneficiados desse espaço para realizar suas gravações.
– Criticou a Fundação Scheffel, que receberia somente seis
mil pessoas por ano, e que seria protegida pela elite hamburguense. Trouxe um
número falso, numa irresponsabilidade e falta de respeito com o legado de
Scheffel, além de mostrar falta de interesse em preservar um acervo tombado
pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
– Bradou “Fora Temer” e “Adeus Cunha”, mas protegeu Dilma e
Lula. Para o candidato do PSOL, os crimes cometidos e/ou acobertados pelos
líderes do PT não merecem indignação.
Paulo Ritzel (PMDB) e Airton dos Santos (PV) – Os fujões da
noite. Não participar de um debate não significa que deixarão de investir na
cultura. Tanto que um importante articulador cultural disse ao Portal Martin
Behrend que quando eles foram prefeitos conseguiu viabilizar alguns projetos
e investimentos na cultura. No entanto, a ausência é um indicativo do interesse
e da prioridade que a pauta terá num futuro governo. Uma pena. Mas quem perde
são os próprios candidatos, que deixaram espaço para os concorrentes
conquistarem a simpatia da plateia.
OBSERVAÇÃO – O debate sobre a cultura foi inédito, mas deixou a desejar.
Alguns assuntos que não foram abordados ou foram mencionados superficialmente:
– Onde estão os R$ 30 mil das Meninas Cantoras de Novo
Hamburgo?
– Diminuição e desvalorização da Feira Regional do Livro. Qual o motivo de apequenar a feira?
– Desvalorização e sumiço de eventos relacionados à
imigração alemã – discriminação com a cultura germânica e o legado dos
imigrantes
– Abandono do patrimônio histórico e cultural, incluindo
casas, monumentos e outros espaços abandonados ou semiabandonados
– Aparelhamento político-partidário da Secult
– Falta de apoio ao projeto Casa da Cidadania – alguém lembra,
em Canudos? “Prefeitura vira as costas para 240 crianças no bairro Canudos”: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
– Aproveitamento de espaços como Parque Floresta Imperial,
Parque do Trabalhador, Ginásio da Fenac e outras praças
– Descaso com a Biblioteca Pública Machado de Assis
