Crise política em São Leopoldo tem semelhanças com rompimentos em Novo Hamburgo

Nesta sexta-feira, vice-prefeita leopoldense anunciou estar deixando cargo em secretária municipal

Heliomar Franco e Gustavo Finck enfrentam turbulências políticas desde o primeiro ano de gestão em São Leopoldo e Novo Hamburgo. Divulgação

Desde outubro de 2024, o roteiro político de Novo Hamburgo e São Leopoldo vem encontrando muitas semelhanças.

As duas cidades escolheram governos do campo da direita, como PL, Republicanos e PP.

Em São Leopoldo, a chapa vencedora foi Heliomar Franco (PL) e Regina Caetano (PP), enquanto em Novo Hamburgo foi Gustavo Finck (PP) e Gerson Haas (PL).

Nas duas cidades a promessa era de mudanças radicais, deixando a velha política para trás. Foram sinalizados profissionalismo, diálogo e transparência na forma de condução da gestão. Os discursos eram animadores e sinalizavam novos tempos nos dois municípios que, juntos, contam com quase 500 mil moradores

O ano de 2025 começou e, com o passar dos meses, os desafios foram chegando. As promessas não foram sendo cumpridas. Alianças políticas até então impensadas foram sendo construídas. E o desgaste chegou nos dois governos. O que chama a atenção é que foram duas mulheres com posições estratégicas nos governos municipais que provocaram tremor político no Vale do Sinos.

SÃO LEOPOLDO

Em São Leopoldo está o fato mais recente. Nesta sexta-feira (30), a vice-prefeita de São Leopoldo, Regina Caetano (PP), divulgou um vídeo comunicando sua saída do comando da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (Sedetec). Ela foi direta: os motivos envolvem divergências diretas com o prefeito Heliomar e a primeira-dama, Simone Dutra. No seu perfil no Instagram, ela menciona alguns dos principais motivos envolvidos nesta decisão e reforça que seguirá com seu papel institucional de vice-prefeita.

O vídeo no Instagram pode ser conferido aqui: https://www.instagram.com/p/DUIrNaikdrP/ .

A saída de Regina se soma a outros movimentos que ocorreram escancarando o desgaste do governo Heliomar. Entre os mais significativos, tem o anúncio do PSDB, também neste mês, de rompimento com o governo municipal e, no ano passado, a saída de Gabriel Dias do comando do Semae, que já havia provocado ruídos.

NOVO HAMBURGO

Em Novo Hamburgo, um dos fatos mais rumorosos envolveu a saída da até então titular da Secretaria de Gestão, Governança e Desburocratização, Andréa Schneider Pascoal, que pediu exoneração do cargo em novembro de 2025. Ela era uma das mais influentes secretárias do governo e saiu alegando que “Após reflexão cuidadosa, entendo que o atual contexto da gestão não mais se alinha, em sua integralidade, às convicções e premissas que me levaram a aceitar o desafio. Por coerência com a minha história e com o compromisso que assumi comigo mesma ao ingressar no Governo, considero mais adequado afastar-me neste momento.”

O Portal Martin Behrend publicou a carta divulgada por Andréa: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/secretaria-andrea-schneider-pascoal-pede-exoneracao-do-governo-finck .

Também no ano passado, houve dezenas de exonerações em cargos estratégicos do governo Finck, muitos saindo por não concordarem com a forma de gestão, outros tendo de sair para abrir espaços a CCs de indicações políticas a partir de alianças que, durante a campanha, foram completamente rechaçadas. Na Comusa, Comur e Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo houve desligamentos e trocas em grande número, inclusive de aliados dos partidos da base.

O festival de promessas não cumpridas pelo prefeito Finck e diversas incoerências também foram alvos de turbulências políticas. Os vereadores Cristiano Coller (PP) e Felipe Kuhn Braun (PSDB), por exemplo, tiveram suas indicações no governo exoneradas, pois os dois parlamentares mantiveram coerência e ética num projeto envolvendo servidores do município, votando contra o governo. O fato é que, quando era vereador, Finck havia defendido com vigor os servidores, e ao assumir o Executivo traiu a categoria com um projeto prejudicando os trabalhadores.

Como 2026 é ano de eleições, certamente mais rompimentos deverão ser noticiados nos próximos meses.

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