Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo premia quatro lideranças que se destacaram no combate ao racismo

A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo concedeu, na noite de 22 de novembro, o 2º Prêmio Sebastião Flores a quatro pessoas que se destacaram pela atuação em defesa dos direitos dos negros e no combate ao racismo no município.

Os premiados em 2018 foram Graziela Pires da Silva, na categoria Cultura, Margarida Marília da Silva, Personalidade Negra, Masse Tidjane Mbengue, Ação Social, e Rosane Dutra, na categoria Trabalho. A premiação também marca o Dia da Consciência Negra, celebrado no Brasil em 20 de novembro, data atribuída à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.

Compuseram a Mesa Diretiva dos trabalhos o presidente da Câmara, Felipe Kuhn Braun; o coordenador de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial e também membro da Comissão de Avaliação, Ilson Jeroni Rodrigues da Silva; o membro da Comissão de Avaliação, indicada pela Secretaria de Educação, Celi Teresinha Reinhardt; e o membro da Comissão de Avaliação, indicado pela Secretaria de Cultura, Alex Jonatan Lassakoski. Enio Brizola (PT), Gerson Peteffi (MDB), Inspetor Luz (MDB), Professor Issur Koch (PP) e Sergio Hanich (MDB) acompanharam a solenidade. Nor Boeno (PT) justificou a ausência. O secretário de Desenvolvimento Social, Roberto Daniel Bota, também estava presente.

A PREMIAÇÃO

Graziela Pires da Silva (categoria Cultura)

O vereador Inspetor Luz (MDB) entregou o prêmio Sebastião Flores, na categoria Cultura, para Graziela Pires da Silva, representada por sua professora Selenir Kronbauer e por sua mãe, Cleci Pires da Silva. “Em nome da Graziela, agradecemos pelo reconhecimento e a visibilidade do trabalho desenvolvido por ela. Sabemos que o Município tem uma representatividade muito grande de pessoas que estão trabalhando em prol de uma sociedade mais justa e mais fraterna”.

Formada em magistério pelo Colégio Santa Catarina e cursando musicoterapia pela Faculdades EST, com extensão pela UFRGS e pela Roehamptom University, em Londres, Graziela Pires da Silva dedicou grande parte de sua trajetória acadêmica e profissional à música. De 2009 até 2016, trabalhou como regente dos Coros Municipais – Escola de Arte-Educação, de Campo Bom. Em paralelo ao seu atual trabalho na Secretaria de Cultura campo-bonense, ela comanda como vocalista a banda 50 Tons de Pretas.

Além de sua ligação com a arte, Graziela também se destacou por contribuições nas áreas social e de defesa dos direitos humanos, sendo vencedora do prêmio Oliveira Silveira – Ações Afirmativas (UFRGS) em 2015. No mesmo ano, foi uma das pesquisadoras convidadas a representar a região sul na criação do relatório sobre Intolerância Religiosa para o Ministério dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial, em Brasília. Em 2018, foi contemplada com um edital do Fundo de Apoio à Cultura – Pró-Cultura para realizar o primeiro musical estrelado por crianças com autismo do Rio Grande do Sul, em parceria com a musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf.

Margarida Marília da Silva (categoria Personalidade Negra)

O presidente Felipe Kuhn Braun entregou o prêmio Sebastião Flores, na categoria Personalidade Negra, para Margarida Marília da Silva. “Me sinto muito honrada em receber este prêmio nesta Casa. Foi o carnaval que me trouxe para cá há 28 anos, como rainha. Depois me tornei professora municipal. Sabia que desenvolveria um grande trabalho, principalmente às pessoas iguais a mim. Através do carnaval, mostro aos meus alunos o que é uma cultura. Essa festividade já foi muito valorizada, mas hoje está esquecida em nosso Município”, disse. Margarida contou, ainda, que procura homenagear o carnaval, os sambas enredos e toda a sua riqueza durante as suas aulas. “Realizo um trabalho sério e pautado na educação e gostaria de ver o meu carnaval resgatado aqui em Novo Hamburgo. Estou aqui fazendo esse pedido a todos vocês”, salientou a homenageada.

Professora da rede municipal de ensino de Novo Hamburgo há 28 anos, Margarida Marília da Silva atua na Escola Municipal de Arte Carlos Alberto de Oliveira – Carlão nos cursos de dança afro-brasileira infantil, infanto-juvenil e adulto. Formou-se em magistério, com habilitação pluridisciplinar para ensino fundamental. É formada em Letras-Espanhol pela Universidade Federal de Pelotas, com extensão em Procedimentos Didático-Pedagógicos Aplicáveis em História e Cultura Afro-Brasileira pela UFRGS.

Masse Tidjane Mbengue (categoria Ação Social)

Enio Brizola entregou o Prêmio Sebastião Flores, na categoria Ação Social, para Masse Tidjane Mbengue, conhecido como Massamba. “Muito obrigada pelo prêmio. Recebo-o como forma de motivação. Faz cinco anos que estou nesta cidade”, contou Massamba. Ele aproveitou a ocasião para pedir ajuda das autoridades para conseguir os documentos necessários para poder viajar e visitar a sua família senegalesa. Brizola colocou a Comissão de Direitos Humanos à disposição do laureado.

Presidente da Associação dos Senegaleses de São Leopoldo e Novo Hamburgo, Massamba Tidjane Mbengue vive no Brasil desde janeiro de 2015. Deixou para trás sua família com a qual trabalhava na área de agricultura e criação de animais. No Brasil, atualmente, em paralelo à atividade de confeiteiro, atua como palestrante em escolas, abordando a questão do preconceito racial, desigualdade e desafios vividos pelos imigrantes africanos.

Rosane Dutra (categoria Trabalho)

Gerson Peteffi entregou o Prêmio Sebastião Flores, na categoria Trabalho, para Rosane Dutra. “Estou muito feliz por estar aqui representando o povo negro, em especial as mulheres negras. É muito difícil chegarmos onde queremos. Mas vamos conseguir, com certeza. Muito obrigada”, disse Rosane.

Natural de Novo Hamburgo, Rosane Dutra atua como auxiliar de disciplina concursada na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha desde maio de 1989. Entre suas atribuições está manter a ordem dentro do âmbito escolar, atender aos alunos, professores, funcionários, pais e comunidade em geral, além de remanejar turmas, quando necessário. Há mais de 15 anos, vem dedicando-se a uma série de cursos, especialmente na área de pedagogia.

Seu empenho e dedicação se estende também a outros segmentos. Em 2017, recebeu o Certificado de Honorabilidade pelos serviços prestados à Sociedade Cruzeiro do Sul. Formada em ciências jurídicas e sociais pela Unisinos, cursou também por um período ciências contábeis, mas não chegou a concluir.

O Prêmio Sebastião Flores

A atividade foi proposta por meio do Requerimento n° 1.308/2018, assinado pela Mesa Diretora, composta pelos vereadores Felipe Kuhn Braun, presidente; Vladi Lourenço, vice-presidente; Enio Brizola, primeiro secretário; e Gabriel Chassot, segundo secretário. Criada em 2013, ano em que ocorreu sua primeira edição, a distinção é outorgada a pessoas ou entidades que se destacaram pela atuação em defesa dos direitos dos negros e no combate ao racismo no Município.

As sugestões, apresentadas até o dia 30 de agosto, foram avaliadas por representantes da Câmara de Novo Hamburgo, Coordenadoria de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial e Secretarias de Cultura, Educação e Esporte e Lazer. Com informações da assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo

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