O prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), entrou no segundo ano de mandato repetindo o que fez boa parte do primeiro ano: não cumprindo promessas e ignorando seus posicionamentos nos tempos em que era vereador hamburguense.
Nesta quarta-feira (18), em projeto de iniciativa da Prefeitura, oito vereadores aprovaram mais um parcelamento das dívidas do município com o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais de Novo Hamburgo (Ipasem). Desta vez, um montante de R$ 18,4 milhões referentes a contribuições previdenciárias patronais não depositadas de setembro a dezembro do ano passado.
Na prática, o projeto defendido por Finck aumenta a dívida do município, diminui os investimentos na cidade e utiliza o Ipasem como banco para financiar outras ações.
Enviado à Câmara Municipal de Novo Hamburgo com pedido de tramitação em regime de urgência, o projeto de lei teve toda a sua discussão concentrada na tarde desta quarta-feira, 18. Após dois turnos de votação, uma delas extraordinária, o texto foi aprovado com a anuência de oito vereadores. Cinco parlamentares se manifestaram contrariamente.
Quando vereador, Finck sempre criticou os parcelamentos propostos e mostrava indignação com esse tipo de postura. Agora, quando prefeito, repete o gesto: foram dois projetos pedindo parcelamentos de quase R$ 50 milhões, em 2025 e 2026.
Como foi a votação*:
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Votaram a favor (8): Deza Guerreiro (PP), Eliton Ávila (Podemos), Giovani Caju (PP), Ico Heming (Podemos), Ito Luciano (Podemos), Joelson de Araújo (Republicanos), Nor Boeno (MDB) e Ricardo Ritter – Ica (MDB)
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Votaram contra (5): Cristiano Coller (PP), Daia Hanich (MDB), Enio Brizola (PT), Felipe Kuhn Braun (PSDB) e Professora Luciana Martins (PT)
* O presidente Juliano Souto (PL) votaria apenas em caso de empate.
PREFEITO NA CÂMARA
Antes da votação, o prefeito Gustavo Finck subiu à tribuna para justificar, mais uma vez, aquilo que sempre foi crítico. “Vereadores, o meu compromisso com todos vocês é que nenhuma vez mais será enviado qualquer tipo de parcelamento”, pontuou o administrador, referindo-se ao Ipasem.
Sem apresentar os valores para a comunidade de uma suposta crise financeira, Finck reforçou que a escassez de recursos ocorreu porque, ao assumir a Prefeitura, encontrou um déficit de R$ 220 milhões herdado da última gestão. Segundo ele, R$ 160 milhões já foram pagos. “Até outubro do ano passado tivemos a honra e a consolidação do pagamento em dia, o que deu uma sobrevida ao Ipasem”, afirmou.
Desde o ano passado, a reportagem do Portal Martin Behrend tenta, sem sucesso, acessar os números informados pelo prefeito. Até porque, ele contratou centenas de CCs em 2025, num claro sinal de sobra de valores.
O texto aprovado autoriza a Prefeitura a parcelar, em até 60 meses, a dívida de R$ 18.409.640,34, com reajuste das prestações conforme a variação inflacionária e acréscimo de juros simples de 0,5% ao mês. Também estão previstas a aplicação de multa em caso de atraso na quitação das obrigações e a vinculação do Fundo de Participação dos Municípios como garantia de pagamento. O prefeito acrescentou que o recurso será parcelado com juros superiores aos dos aportes de investimento. “Assim, vamos pagar esses juros, mas é a última vez”, garantiu.
Durante a exposição do prefeito, diversos parlamentares fizeram questionamentos tanto sobre a situação do Ipasem quanto sobre outras áreas que estariam carentes de investimentos e atenção. A vereadora Professora Luciana Martins, primeira a se manifestar, afirmou que o pagamento de juros mais elevados terá impacto negativo para a cidade. “Estamos aprovando prejuízo para a cidade”, lamentou, questionando ainda o valor do déficit atuarial e da dívida do Ipasem.
Com o acolhimento do pedido de urgência, o Projeto de Lei nº 10/2026 foi submetido a duas votações no mesmo dia, graças à realização de uma sessão extraordinária logo após o encerramento da tradicional plenária de quarta-feira.
