Após ser expulsa do PPS por infidelidade partidária, Patrícia Beck não teme perder mandato

A vereadora hamburguense Patrícia Beck acrescentou mais um
episódio de cisão no seu currículo político. Em alguns casos, rupturas
marcantes e nem sempre amigáveis.

O
capítulo mais recente envolve a decisão do Diretório Estadual do Partido
Populista Socialista (PPS), nesta quinta-feira (04), pela expulsão da
parlamentar. A motivação foi uma denúncia encaminhada ao PPS envolvendo a
campanha de Patrícia e colegas de partido a um candidato a deputado
estadual de outra sigla.

Ao
invés de apoiarem e valorizarem um aliado do partido, Patrícia e colegas de PPS
optaram por defender o hamburguense Issur Koch (PP). Aliás, se fala que é certa
a ida de Patrícia ao Progressistas, numa troca de apoios: em 2020, Issur é que
deverá apoiar a candidatura de Patrícia.

Após
a denúncia ser analisada por todas as instâncias internas do partido, se
decidiu pela expulsão. Com essa situação, o PPS poderá requerer à Justiça
Eleitoral o cargo ocupado pela vereadora. Isso ainda não está definido.

Na
decisão do PPS, também foi destituído o Diretório e a Executiva da sigla no
município. Foi nomeada uma comissão provisória do partido, que terá como
presidente Jurandir Cleber de Moura.

CONTRAPONTO


A vereadora foi comunicada oficialmente da decisão do PPS, nesta
sexta-feira. Ela alega que a prioridade definida pelo partido no município, em
2018, foi escolher alguém mais próximo de Novo Hamburgo. “Inclusive, pedimos a
lista dos candidatos do PPS para podermos nos posicionar, mas nada foi enviado.
Nem sabemos quem eram as opções, além da Any Oritz (deputada estadual reeleita)”,
destaca a vereadora. “O eleitor não quer mais saber de qual partido é seu
representante, mas se ele tem condições de fazer um bom trabalho pela sua
comunidade”, argumenta.

Ainda nesta sexta-feira, Patrícia esteve reunida com o advogado
Vanir de Mattos. Eles vão montar a defesa e a estratégia para que ela não perca
seu mandato. “Estou tranquila, o dr. Vanir também me tranquilizou sobre a
situação de infidelidade partidária. Vou seguir trabalhando pela comunidade,
como sempre fiz”, reforça a parlamentar, que disse ter vivenciado um dia normal de
trabalho, nesta sexta-feira, com atividades até depois das 22 horas.

Patrícia confirmou que recebeu solidariedade de lideranças de
outros partidos, mas não sabe qual caminho vai tomar. “Eu discuto, aponto
problemas, mas também sento, converso, tomo chimarrão, dou risadas. É meu jeito
de levar os temas da comunidade. Dia desses, teve um episódio em que o vereador
Raul Cassel desligou meu microfone. Na sessão seguinte, lá estava eu defendendo
a Mesa Diretora de uma situação injusta”, acrescentou.

OUTROS
EPISÓDIOS


As
rupturas de Patrícia Beck vão encorpando o currículo da parlamentar. No
passado, ela deixou o PSDB, junto com um grupo de tucanos, em razão de não ter
espaço para crescimento – o vereador Gerson Peteffi inibia o protagonismo de
novas lideranças.

Depois, passou pelo PTB, mas saiu em razão de conflitos com o
ex-secretário municipal e atual CC na Assembleia Legislativa, Carlos Finck. Ele
não estava garantindo espaço à vereadora no partido.

Patrícia foi eleita vereadora pela primeira vez como aliada do ex-prefeito Luis Lauermann (PT),
mas rompeu. Foi reeleita à Câmara de Vereadores sendo aliada da prefeita Fátima Daudt
(PSDB), e também virou oposição. Ela estava incomodada com indicações e
conchavos dentro do governo tucano, ainda em 2017, e, como alega não ter sido ouvida e
avaliou que as mudanças não estavam ocorrendo, decidiu romper.

Em
2017, ela protagonizou uma das mais ásperas disputas do Legislativo. Isso
porque, para se tornar presidente da Câmara de Vereadores, Patrícia Beck não
ficou junto de Issur Koch, grande parceiro de Legislativo no mandato anterior. Ela preferiu se
aliar a PT e PDT, que foram grandes e até desleais adversários no mandato
anterior.

Patrícia
ainda conseguiu angariar o voto de Vladi Lourenço, colega de Issur Koch. Foi um
primeiro semestre de 2017 de muitas provocações e alfinetadas. Finalmente, eles
reataram e voltaram a ser aliados. Também
teve o acordo para revezar os presidentes do Legislativo neste mandato, mas que
também foi rompido e não foi levado adiante por vários vereadores.

Na
semana passada, Patrícia Beck foi condenada a pagar indenização por danos
morais a enfermeira do município. O Portal Martin Behrend publicou a matéria: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/6454/titulo/vereadora-patricia-beck-e-condenada-a-pagar-indenizacao-por-danos-morais-a-enfermeira .
Ela avisou que vai recorrer.

MARCAS


Patrícia
Beck tem como uma de suas marcas a combatividade para enfrentar temas
delicados. Aliás, enquanto alguns vereadores de vários mandatos pouco ou muito
pouco fazem, a parlamentar é diferenciada por pesquisar e discutir com
argumentos pautas do município. Tem alguns colegas que passam vergonha por nem
saberem de onde a vereadora tirou algumas informações.

Agora,
ela também forjou essa outra característica de rupturas e polêmicasl. Um clima tenso,
de conflito, potencializado por feroz militância das redes sociais.

Somente
o tempo vai dizer o quanto toda essa energia vai ajudar ou prejudicar sua
caminhada na política.

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