A velha política pulsa em Novo Hamburgo: governo Finck exonera e pune a coerência de vereadores

Os votos de dois vereadores representaram exonerações na Prefeitura

Servidores lotaram plenário e protestaram na sessão desta quarta-feira. Moris Musskopf/CMNH

A velha política pulsa em Novo Hamburgo. Do toma lá da cá. Dos interesses obscuros – ou nem tanto assim. Da falsa independência de poderes.

Nas últimas 24 horas, alguns CCs do Poder Executivo foram exonerados. Eles foram indicações técnicas e políticas de dois vereadores, Cristiano Coller (PP) e Felipe Kuhn Braun (PSDB). Ambos integram a base do governo do prefeito Gustavo Finck (PP).

Se Coller e Kuhn Braun são aliados do governo, por que suas indicações perderam o emprego?

O motivo é a votação realizada na sessão de quarta-feira (29), na Câmara de Vereadores. O Legislativo  aprovou por 10 votos a 4, em primeiro turno, o Projeto de Emenda à Lei Orgânica nº 2/2025, que trata da Reforma da Previdência Municipal. A proposta do Executivo impacta na carreira dos servidores, que lotaram o plenário para protestar e registrar a inconformidade com a votação.

– Votaram a favor (10): Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP), Eliton Ávila (Podemos), Giovani Caju (PP), Ico Heming (Podemos), Ito Luciano (Podemos), Joelson de Araújo (Republicanos), Juliano Souto (PL), Nor Boeno (MDB) e Ricardo Ritter – Ica (MDB).

– Votaram contra (4): Cristiano Coller (PP), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Enio Brizola (PT) e Professora Luciana Martins (PT).

O Pelom volta à pauta de discussão na sessão da próxima segunda-feira (3). A proposta precisa ser aprovada em dois turnos de votação, conforme determina o regimento interno para alterações na Lei Orgânica Municipal. O texto precisa ter a votação favorável de, pelo menos, 10 dos 14 vereadores.

COERÊNCIA

Por que Coller e Kuhn Braun votaram contra o projeto, mesmo sendo apresentado pelo governo Finck? É que, na legislatura passada, a ex-prefeita Fátima Daudt (MDB) apresentou um projeto bem parecido. E, assim como em 2025, Coller e Kuhn Braun foram contra. Eles foram coerentes com seus votos.

Já coerência é uma palavra que não serve para Gustavo Finck. Quando a ex-prefeita Fátima Daudt apresentou o projeto, o então vereador foi contra, cobrou auditoria, se aliou aos sindicatos e ficou ao lado dos servidores.

Contudo, como prefeito, Finck traiu os servidores e apresentou o projeto que, no mandato passado, ele foi ferozmente contra. É a velha política mais viva do que nunca. Há dois anos, quando era vereador de oposição, foi contra; agora, como prefeito, defendeu o projeto.

Para intimidar os vereadores, todos os secretários do governo Finck foram escalados para se posicionar na Tribuna de Honra do Legislativo. Ficaram ali expostos aos vereadores, que costumam recorrer aos secretários para resolver algumas demandas. Um constrangimento total entre poderes.

Mais do que uma total incoerência, Finck não gostou da postura ética e coerente de seus aliados que mantiveram o voto contrário. Como retaliação, o governo municipal mandou exonerar aliados de Coller e Kuhn Braun. A reportagem não confirmou a quantidade exata, mas foram algumas exonerações.

VEREADORES

O Portal Martin Behrend confirmou com várias fontes as exonerações. Os dois vereadores também foram consultados pela reportagem. Confira o posicionamento deles sobre o caso:

Cristiano Coller (PP): “Não posso ser incoerente nesta votação. Há dois anos, já travamos essa mesma discussão, e agora, só porque estou no mesmo partido do prefeito, não seria correto agir de forma diferente. Desde o início deixei claro que não é por pertencer ao mesmo partido que irei votar contra aquilo que considero certo. Quero poder chegar em casa, olhar nos olhos dos meus filhos e ter a consciência tranquila de que mantive minha coerência, meus princípios e minha ética.”

Felipe Kuhn Braun (PSDB): “Votei pela minha consciência. Neste momento prefiro não me manifestar sobre outros assuntos. ”

CCS INCOMPETENTES OU PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

Diante das exonerações, algumas fontes também questionaram o Sistema de Governança implantado na Prefeitura. Liderado pela Secretaria de Gestão, Governança e Desburocratização (SMGDD), que é conduzida pela advogada Andréa Schneider Pascoal, os mecanismos de controle implantados são o Centro de Monitoramento da Gestão (GGDATA), a Diretoria de Gestão de Metas e Avaliação de Desempenho (DGMAD) e o Programa de Desempenho e Avaliação (PDA).

Diante das exonerações repentinas por motivos políticos, surgiram questionamentos:

 

A secretária foi procurada pela reportagem e, neste momento, optou por não se manifestar sobre a pauta.

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