A poucos meses da eleição, vereadores aprovam CPI do transporte coletivo em Novo Hamburgo

A eleição municipal em Novo Hamburgo ganhou um novo ingrediante.

A poucos meses do pleito de outubro, um grupo de cinco vereadores propôs a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Colocado em votação durante a sessão desta segunda-feira (20), o requerimento foi aprovado por 8 votos a 6. Essa é a primeira CPI aberta pela Câmara desde 2014, quando foi instaurado colegiado para analisar os serviços prestados pela AES Sul.

O pedido de criação de comissão para apurar os problemas relatados no transporte público foi assinado por Cristiano Coller (PP), Enio Brizola (PT), Gustavo Finck (PP), Inspetor Luz (PP) e Lourdes Valim (Republicanos).

Durante a votação, somaram-se a eles os três integrantes da bancada do PSDB: Felipe Kuhn Braun, Raizer Ferreira e Tita. O quórum foi suficiente para garantir a instauração do colegiado, que será composto por um membro de cada partido com representação na Câmara.

Com menos de um mês da nova operação do transporte coletivo, a CPI pretende esclarecer os motivos dos problemas que prejudicam muitos usuários – e, claro, ser palanque político para quem busca se promover para a próxima disputa.

INTEGRANTES

Logo após a votação, os líderes de bancada foram chamados ao Plenarinho Pedro Thön para a indicação dos nomes. O grupo ficou formado por Enio Brizola (PT), Fernando Lourenço (Solidariedade), Inspetor Luz (PP), Ito Luciano (Podemos), Lourdes Valim (Republicanos), Raizer Ferreira (PSDB) e Ricardo Ritter – Ica (MDB).

O início dos trabalhos deve ocorrer dentro de sete dias. A partir de então, o colegiado terá outros 120 dias (prorrogáveis por igual período) para realizar diligências, inquirir acusados e testemunhas, requisitar informações, convocar secretários municipais e elucidar os fatos.

Os resultados da apuração serão reunidos em relatório e finalizados com a elaboração de um projeto de resolução ou pedido de arquivamento. Se for o caso, as conclusões também serão encaminhadas ao Ministério Público.

Antes da votação, Enio Brizola defendeu a criação da comissão. “Estamos tentando qualificar o transporte na cidade há 15 anos, mas sempre esbarrando na Justiça. Agora, quando entrou uma empresa nova, o que se tinha de expectativa para algo bom, com ônibus novos, como sempre lutamos, transformou-se em frustração total. As pessoas estão pagando outras modalidades de transporte para trabalhar, porque não tem ônibus. Primeiramente, tentaram colocar a culpa nos trabalhadores. Depois, responsabilizaram a falta de combustível, desmentida pela associação de distribuidores. Antes mesmo da enchente, já havia uma grande confusão de horários. Faltavam ônibus e chovia para dentro dos veículos. Aquilo que era para ser novo já é velho. Como se dará a volta às aulas sem transporte coletivo?”, indagou o vereador.

HISTÓRICO

Após décadas de espera, o governo da prefeita Fátima Daudt (MDB) conseguiu realizar a licitação para uma nova empresa assumir o transporte coletivo no município. Era uma das maiores demandas e desafios da comunidade.

A Viação Santa Clara (Visac-RS) venceu a disputa colocando em circulação ônibus novos e parte da frota com ar-condicionado.

Contudo, desde o início da operação, se verificam problemas: uma inesperada rebelião de motoristas contratados da antiga concessionária (foram contratados para valorizar quem já atuava, mas abandonaram nos primeiros dias); dificuldade de adaptação de novos motoristas; algumas rotas difíceis de serem cumpridas no horário projetado; muitos atrasos; e restrições na circulação em razão do risco de falta de combustível por causa da enchente.

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