Usuários afirmam: ligação de Novo Hamburgo a Porto Alegre é miserável! Já em 1940!

“Os jornais da Capital e este semanário não se tem cansado de reclamar a quem de direito o miserável estado de trechos da estrada que liga os dois municípios (Novo Hamburgo e São Leopoldo) em direção à capital do Estado”. Desta forma, o jornal O 5 de Abril – o primeiro jornal de Novo Hamburgo – abria artigo na capa da edição de 5 de julho de 1940 detonando as condições da rodovia federal, atual BR-116, entre o Vale do Sinos e Porto Alegre. Entre os registros de inconformidade, está o fato de se encontrar “uma série de lagoas em pleno leito”.

Mais adiante, o texto destaca que “o seu estado entre os limites de Novo Hamburgo e São Leopoldo é miserável.” A reportagem lembrava que a rodovia servia para escoar boa parte da produção do Vale do Sinos, com destaque para Dois Irmãos, Campo Bom e Sapiranga. Segundo levantamento apurado à época, mais de 600 veículos circulavam diariamente pela rodovia. O prefeito hamburguense, Odon Cavalcanti, foi ouvido pela reportagem para trazer sua avaliação sobre o descaso com a estrada.

Esse texto é de julho de 1940. Estamos em novembro de 2014. Mais de 74 anos depois, a ligação entre Porto Alegre e o Vale do Sinos continua com manchetes negativas. São

congestionamentos constantes, pista irregular, água acumulada – há mais de 70 anos tem piscinões na BR-116! –, falta de sinalização, estrutura ultrapassada – vide a estreita ponte sobre o Rio dos Sinos e o acesso a ERS-240, no bairro Scharlau, que geram engarrafamentos diários – entre outras situações.

Já tivemos no poder militares, ditadores, governos democráticos, direitistas e esquerdistas. Ninguém resolveu o problema da BR-116. Há mais de 70 anos são paliativos ou obras emergenciais. E, mesmo assim, o Vale do Sinos conseguiu crescer e se desenvolver. É o caso clássico da perseverança e da determinação do povo. Mesmo com os governos sendo um atraso e inchando há décadas o Custo Brasil, os obstáculos vão sendo superados.

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