Na próxima sexta-feira estaremos celebrando os 190 anos da imigração alemã no Brasil. A epopeia dos colonos por estas terras teve início oficial em 25 de julho de 1824, quando 39 imigrantes desembarcaram na Feitoria do Linho Cânhamo – hoje, São Leopoldo, considerado o berço da imigração alemã no Brasil. Tenho participado de algumas atividades e eventos relacionados à data e, lá pelas tantas, veio a inquietude: a atual Novo Hamburgo tem vergonha de ter sido colonizada por alemães?
Por que esta data é tratada com insignificância pelo poder público e iniciativa privada? Será que temos vergonha destes colonos que cruzaram o Atlântico, perderam familiares pelo caminho, se depararam com mato e vida selvagem e que, sem Bolsas-Auxílio ou mamatas governamentais, construíram um novo país a partir do seu esforço, suor, disciplina e educação? Será que por serem de pele branca não merecem reconhecimento? Será que por não terem
Bolsa Família ou qualquer outra Bolsa Compra de Votos estão sendo ignorados?
Procurei no noticiário das Secretarias de Cultura e Turismo de Novo Hamburgo alguma informação ou
homenagem. Até agora, identifiquei apenas em maio a compra pela Prefeitura de 480 livros sobre a imigração alemã, que serão distribuídos entre as bibliotecas e escolas municipais, além do acervo do Arquivo Público Municipal. E só.
Da mesma forma, nada identifiquei na programação da Câmara de Vereadores. A conclusão que chego é que, como museu, monumento e o legado dos alemães não votam, preferem apagar a história. Não há explicação para ignorar os 190 anos da imigração alemão.
Deixo aqui registrado como jornalista, neto e bisneto de alemães, minha homenagem nesta semana de muita importância – ao menos para quem valoriza o legado dos imigrantes. Menciono o Monumento ao Imigrante, um símbolo de Novo Hamburgo a ponto de figurar na bandeira do município. A pedra fundamental do monumento foi lançada em 20 de setembro de 1924, quando ainda se comemoravam os 100 anos da imigração alemã. A inauguração oficial do monumento – hoje localizado no interior da Sociedade Aliança – ocorreu com intensa programação nos dias 13, 14 e 15 de novembro de 1927. Trago detalhes da inauguração do Monumento ao Imigrante registrados no jornal O 5 de Abril, nas edições de 11 de novembro de 1927 e 18 de novembro de 1927. Inclusive, com anúncios em alemão e um encarte com toda programação e os integrantes das comissões organizadores.
O Monumento ao Imigrante é um símbolo e
uma eterna reverência aos alemães de pele branca que cruzaram o mundo para fundar cidades e dar um novo rumo para o Sul do Brasil. A estes alemães que sangraram e se entregaram, minha admiração. Que as novas gerações sejam mais corajosas e honradas para reconhecer tudo que fizeram por nossa gente.
PS: Registro que na quinta-feira a Rádio ABC 900 deverá apresentar
programa ao vivo da Sociedade Aliança, valorizando o Monumento ao Imigrante. A Revista Expansão em sua última edição também tem cobertura especial dos 190 anos. E, há mais de um mês, nos meus comentários diários na Rádio União, venho lembrando a data.
PS2: O Monumento aso Imigrante pode ser visitado gratuitamente por qualquer cidadão nos horários em que a Sociedade Aliança está de portas abertas. Ele é um patrimônio público protegido pelo clube.
