Novo Hamburgo precisa de um aeroporto comercial! Isso foi manchete há 60 anos no jornal O 5 de Abril

Alguém aí acha que o debate de um aeroporto no Vale do Sinos é algo recente? Temos atualmente um projeto em estudo, do Aeroporto 20 de Setembro, em Portão, como alternativa para o Aeroporto Salgado Filho – que tem limitações físicas para expandir. Seria uma obra para ficar pronta em 2025, 2030, quem sabe.


Além de beneficiar voos comerciais, este novo aeroporto teria valiosa importância para a indústria gaúcha, que se ressente de um equipamento adequado e competitivo – no caso, o Salgado Filho.


Pois há 60 anos, na edição de 15 de julho de 1955 do jornal O 5 de Abril, este tema já estava em debate. E a prioridade era um aeroporto em Novo Hamburgo com foco na aviação comercial. A indústria do Vale do Sinos crescia rapidamente na década de 1950 e os custos para escoar a produção até Porto Alegre estavam atrapalhando os negócios. Com o título “Aviação Comercial”, Adalmiro Moura publicou artigo defendendo abertamente um aeroporto na atual área de Aeroclube de Novo Hamburgo, no bairro Canudos. Confira na íntegra o artigo:


“O desenvolvimento de Novo Hamburgo, no setor industrial, está exigindo que o poder público Municipal, e as classes conservadoras se unam, para a organização de um aeroporto comercial na cidade.



O volume de carga que sai de Novo Hamburgo, para as praças do Norte do país, está impondo a necessidade de embarque ser feito, diáriamente aquí, para os pontos de destino. Não se justifica mais, que a mercadoria seja transportada para Porto Alegre e dalí, então, seja embarcada via aérea, para os outros Estados. O embarque, porque mais econômico e mais seguro, deve ser feito aqui mesmo. Diminuir-se-ia não só as despesas de transporte até a Capital, como o frete também seria mais barato, pela concentração da carga nas companhias que operassem no aeroporto comercial que preconizamos. E Novo Hamburgo seria, ainda, o estuário de bôa parte da produção de Taquara, São Leopoldo, Sapiranga e Campo Bom – todas estas localidades interessadas no transporte aéreo mais barato e mais rápido.


A Varig – orgulho do Rio Grande moderno – traria, sem dúvida, a colaboração para o desenvolvimento do parque industrial do Município, cobrindo parte da despesa com as instalações necessárias. Ao Município e as classes interessadas, se reservaria a tarefa de completar o empreendimento, dividindo, entre sí, num amplo e progressista esforço de conjunto as despesas de custeio das obras que, em grande parte, já foram realizadas pela Prefeitura e pelo Aéro-Clube desta cidade. A manutenção seria custeada por pequena taxa.


Vê-se que o caminho está aberto. Trata-se de complementar i que já existe, dando maior utilidade ao patrimônio já adquirido pelos dinâmicos dirigentes do nosso aéro-clube. É obra de visão, pioneira, que não pode e deve ser encetada, em honra do progresso de Novo Hamburgo. Este, amigos leitores, o nosso PONTO DE VISTA.”

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