Na sua história, o município de Novo Hamburgo já teve
algumas crises e períodos críticos: falta de farinho de trigo e sumiço dos pães,
escassez de água, racionamento de energia elétrica, greves setoriais. Nesse rol
de eventos, é preciso incluir a “Crise da falta de banha e arroz”. Essa situação
foi registrada em março de 1953. E trouxe muita dor de cabeça para a
comunidade.
Na capa da edição de 27 de março de 1953, o jornal O 5 de
Abril – o primeiro jornal de Novo Hamburgo – trouxe a manchete: “Falta de banha
e arroz”.
Confira a seguir a reportagem na íntegra relatando o problema – com as
atualizações gramaticais:
Em todo o país as consequências inexoráveis de uma gestão
econômica em bases errôneas estão tomando vulto cada vez maior e mais
desastroso. Nesta cidade, a falta quase completa de artigos indispensáveis,
principalmente a banha e o arroz, eleva o descontentamento popular ao ponto de
oferecer aos elementos extremistas o terreno propício para a sua propaganda deletéria.
Em face da ameaça eminente de ser esta cidade envolvida nas
malhas pérfidas da greve, os condutores do operariado, através dos sindicatos
de classe secundados pelo Prefeito Municipal, tomaram a iniciativa de
salvaguardar a tranquilidade no seio da família comunal.
Com esse desiderato pela frente, realizaram segunda-feira
última uma reunião, que teve lugar na sede da Associação Comercial. Após
focalizar-se, com realismo e sem rodeios, a verdadeira situação, foi constituída
uma comissão para, junto aos poderes superiores, pleitear as medidas
imprescindíveis para o abastecimento local, principalmente de banha e arroz,
cujas cotas estão reduzidas a quantidades irrisórias.
Terça-feira última viajou, assim, à Capital do Estado,
numerosa caravana com a incumbência de encaminhar medidas capazes de conjurar a
deflagração da greve. Quanto à banha, voltaram os emissários com a promessa de
imediata solução, porém, quanto ao arroz, somente há perspectivas para um
abastecimento dentro de alguns dias, do tipo popular, aliás o mais preferido
pelos consumidores.
Ao que tudo indica, o desfecho dos “démarches” se encaminham
para uma solução satisfatória, evitando-se, assim, um mal de imprevisíveis
consequências.
























