Lomba Grande abandonado e acidente por falha em sinaleira. Notícias de Novo Hamburgo em… 1947!

Recordar é viver. Recordar, também, é perceber que existem situações que, mesmo com o passar das décadas, permanecem no noticiário. Durante minhas pesquisas no primeiro jornal de Novo Hamburgo, O 5 de Abril, me deparei com a edição de 17 de junho de 1947. Na capa do exemplar, que circulou há mais de 68 anos pelas casas, indústrias e comércios do município, duas notícias chamam a atenção por similaridades com problemas atuais de Novo Hamburgo.

Quase sete décadas após esta edição de O 5 de Abril, dilemas e incomodações seguem acompanhando os hamburguenses – seja pelo abandono constante de Lomba Grande ou pela falta de sincronia ou, até mesmo, apagões de sinaleiras. A diferença é que, atualmente, existem muito mais facilidades e tecnologias para resolver os problemas – já competência é algo bem mais escasso na atualidade. Registro a seguir trechos das duas reportagens:

Telefone para Lomba Grande

Como é de domínio público, Lomba Grande, terceiro distrito deste município, é um local, praticamente, isolado. Pessimas estradas tornam-no quase inacessível. Não possui serviço telegrafico nem telefonico, vendo-se assim relegado ao abandono, quase alheia ao que vai pelos centros maiores, inclusive pelo seu proprio municipio.

Há tempos, uma comissão de moradores daquele distrito esteve na Prefeitura Municipal, solicitando as providencias dessa repartição para colocação de uma rede telefonica em Lomba Grande.

Efetivamente, o sr. Euclides Costa, não se fez esperar no cumprimento de sua promessa, entrando em entendimento com a Companhia Telefonica Rio Grandense no sentido de ser colocada a rede telefonica em Lomba Grande. Para esse fim, dispõe a Prefeitura Municipal da importância de 35 mil cruzeiros, quantia com a qual dará início aos trabalhos de instalação de telefones no 3º distrito, tão pronto lhe seja fornecido pela Companhia Telefonica o orçamento para tal solicitado.

Só depois do desastre a sinaleira funcionou

Segunda-feira última, cêrca das 19,30 horas, o caminhão de carga de placas

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de Lomba Grande, de propriedade de Afonso Plentz, dirigido por Gervásio Fisch, deixava esta cidade com destino áquela localidade. Ao atingir o cruzamento da linha férrea, à Rua Lima e Silva, não estando, na ocasião, funcionado a sinaleira existente naquele local, o que dava a compreender estar a passagem livre, Gervásio Fisch não teve dúvida em continuar com seu veículo em marcha, assomando os trilhos, sendo aí surpreendido por um trem de carga, que procedente de Taquara, demandava a gare local…

Em consequência dessa colisão, o chofer Gervásio Fisch recebeu ferimentos contusos no crâneo e na região dorsal direita e leves escoriações na mão esquerda, sendo atendido pelo dr. Casemiro Konarzevski, que prontamente compareceu ao local.

Como acima dissemos, a sinaleira existente no local do acidente encontrava-se apagada… Si é este o primeiro acidente que se registra por êsse motivo, não é, porém, a primeira vez que as sinaleiras destinadas a alertar os condutores de veículos nas passagens dos cruzamentos da linha férrea se conservam quedas e mudas enquanto o trecho de alarme está sendo percorrido por trens e carros motores… O interessante é que, após o desastre, a sinaleira funcionou, servindo assim, não para prevenir, mas para anunciar o acidente…

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