Dr. Casemiro virou nome de UPA. Na década de 1940, o médico quase foi prefeito de Novo Hamburgo.

A nova UPA de Novo Hamburgo, no bairro Rio Branco, inaugurada no dia 23 de junho, presta justa
homenagem a um homem que fez muito pelos hamburguenses: Boleslau Casemiro
Konarzewski. Virou a UPA Dr. Casemiro.

Nascido na cidade de São Luiz Gonzaga, na região gaúcha das Missões, em 21 de
novembro de 1912, o dr. Casemiro veio para Novo Hamburgo poucos dias antes de
completar 30 anos, portanto, no final do ano de 1942.

Rapidamente, sua fama de profissional de primeira e com um carisma
a toda prova se espalharam pela cidade do Vale do Sinos. Era muito conhecido
por sua atuação pioneira no atendimento em saúde 24 horas e junto à Associação
Médica do Rio Grande do Sul, além de estar à frente de entidades de classe do
Município.

E foi essa fama que colocou dr. Casemiro numa acirrada
disputa política no final da década de 1940. Mesmo com poucos anos residindo na
cidade, ele superou Leopoldo Petry, ficando atrás de Carlos Armando Koch.

Em
15 de novembro de 1947, ocorreu a votação para prefeito de Novo Hamburgo. Eram
candidatos: Carlos Armando Koch (Coligação Democrática), Dr. Casemiro
Konarzewski (PTB) e Leopoldo Petry (PRP).
Dos 7.200 eleitores aptos a
votar, 5.698 compareceram às urnas. Esse pleito também marcou a formação da
primeira composição da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, que atuou de 1948
a 1951.



Após
a apuração, veio a indefinição: a anulação dos votos da 95ª seção (localizada
na agência Vargi), na qual “foi encontrada uma sobrecarta a mais”, conforme
registro do jornal O 5 de Abril.
Sem
as indicações dessa seção, Koch estava 190 votos à frente de Dr. Casemiro. Só
que os votos em disputa da citada sessão eram superiores à diferença que
existia entre os dois primeiros candidatos.

A
partir da suspeita de alguma infração, o PTB ingressou com recurso no
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que, no dia 8 de dezembro de 1947, decidiu
pela anulação dos votos daquela seção e sustou a posse de Carlos Armando Koch
como prefeito de Novo Hamburgo.
A votação na 95ª seção ficou marcada
para 11 de janeiro de 1948. Já no caso do vice-prefeito, como a diferença
obtida no pleito era suficiente, não houve a necessidade de nova votação e
Guilherme Becker (Coligação Democrática) foi o vitorioso superando José F.
Noschang (PTB) e Henrique Biondi (PRP).


A
votação para prefeito de Novo Hamburgo em 15 de novembro – sem a 95ª seção –
ficou assim:

Carlos
Armando Koch (Coligação Democrática) – 2011 votos

Dr.
Casemiro Konarzewski (PTB) – 1821 votos

Leopoldo
Petry (PRP) – 1540 votos


Assim,
em 11 de janeiro de 1948, 228 hamburguenses estavam habilitados a votar na 95ª
seção.
O pleito foi conduzido sob a
supervisão do juiz de Direito dr. Bayard de Toledo Mércio. A expectativa era
grande, pois poderia ocorrer a virada do Dr. Casemiro. Compareceram para votar
185 hamburguenses, que acabaram selando a vitória de Carlos Armando Koch. O
resultado da eleição suplementar foi: Koch (127), Dr. Casemiro (54) e Leopoldo
Petry (1) – além dos votos brancos ou nulos.


Dessa
forma, a votação para prefeito de Novo Hamburgo somando os votos de 15 de
novembro de 1947 e 11 de janeiro de 1948 ficou assim:

Carlos
Armando Koch (Coligação Democrática) – 2138 votos

Dr.
Casemiro Konarzewski (PTB) – 1875 votos

Leopoldo
Petry (PRP) – 1541 votos


Em
relação à formação da primeira Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, foram
eleitos:
Aloysio A. Friedrich (PRP),
Alvício Klaser (Coligação Democrática), Alzir Schmiedel (PTB), João Adriano
Wolf (Coligação Democrática), Luiz Oswaldo Bender (Coligação Democrática),
Oscar Adams (Coligação Democrática), Oscar Horn (Coligação Democrática), Plinio
Arlindo de Moura (PRP) e Ruy Noronha de Mello (PTB). O primeiro presidente da
Câmara, em 1948, foi Oscar Adams.

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