O 5 de Abril foi o primeiro jornal do município de Novo Hamburgo.
Circulou de forma ininterrupta de maio de 1927 a fevereiro de 1962. Ele começou a ser impresso um mês após a emancipação e, pela relevância da data da independência municipal, levou o nome de O 5 de Abril.
Desde que o Portal Martin Behrend entrou no ar, em 2014, um dos espaços oferecidos aos leitores é o resgate de reportagens do jornal O 5 de Abril. É a preservação da história deste veículo de comunicação.
ARSÊNIO
A reportagem recuperada é de agosto de 1928. Ela envolve a morte de duas crianças – irmãos – em Novo Hamburgo, que foram envenenados por arsênico.
A recuperação deste triste acontecimento tem relação com um terrível episódio que o Rio Grande do Sul está vivenciando desde o final de 2024: a morte de integrantes de uma mesma família que comeram um bolo que continha… arsênico. O caso é ainda mais dramático pois quem envenenou a matou as pessoas foi uma familiar.
O Portal Martin Behrend registrou as conclusões da Polícia Civil sobre o caso: “Bolo envenenado em Torres: mulher presa responderá por quatro homicídios” – a matéria está no link https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
Vale destacar: arsênio é um metal presente na natureza, com traços presentes em alimentos e cosméticos; já arsênico é um veneno que pode matar, composto por uma concentração de arsênio.
1928
Então, voltando ao jornal O 5 de Abril. Na edição de 17 de agosto de 1928, está o registro da notícia de duas mortes por envenenamento. Mesmo com quase um século de distância do acontecimento, o nome original da família será omitido em respeito aos descendentes.
Confira o texto da matéria da página 2 daquela edição, sendo que foi mantida a grafia original da época:
Envenenamento
Como devem estar lembrados os nossos leitores, falleceram nesta villa, no dia 3 do corrente, dois innocentes filhinhos do sr. XXX , victimados por intoxicação, produzida por leite envenenado.
Como ficou demonstrado por analyse do leite, este continha regular quantidade de arsenico.
Havendo vehementes indicios de que o toxico fosse administrado propositalmente no leite, o sr. Marcolino dos Santos Pacheco, activo delegado de Policia, poz em campo, a fim de desvendar o mysterio em que estava envolvido o caso.
Terminados os seus trabalhos, enviou seu relatorio ao promotor publico da Comarca.
Embora guarde-se absoluto sigillo sobre o resultado das investigações, sabemos recahirem suspeitas sobre uma mulher visinha do sr. XXX.
