Conchavos e alianças duvidosas na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo: um caso polêmico de 1961

O começo da atual 17ª legislatura na Câmara de Vereadores de Novo
Hamburgo foi tenso. Em 1º de janeiro deste ano, a eleição da atual presidente, Patrícia Beck (PPS), foi
cercada de inesperadas articulações e alianças até então impensadas.
Inclusive,
com vereador do PP votando contra colega de bancada. No final, Patrícia superou
Issur Koch (PP) por 8 a 6. Visitando a história do Legislativo hamburguense, o
que se percebe é que foi apenas mais um de tantos casos polêmicos costurados ao
longo da história.

Um desses polêmicos episódios é de 1961. Começava o segundo
ano da quarta legislatura (1960-1963) e o presidente da Câmara era Eugênio
Nelson Ritzel. Só que houve um impasse na formação da Mesa Diretora e, com
isso, quatro vereadores – a minoria que se criou – publicaram Apedido na edição
de 10 de março de 1961 do jornal O 5 de Abril, o primeiro jornal de Novo
Hamburgo. Há 56 anos, a composição da Câmara era a seguinte: Alceu Mosmann, Alcino
Marks, Alfredo Marotzky, Arlindo Müller, Carlito Klein, Carlos Emílio Kolling, Eugênio
Nelson Ritzel, Jayme Alano e Urbano Arnecke (Caneco).


Confira a seguir o conteúdo da publicação na página 5 de O 5 de Abril:



ESCLARECIMENTO AO POVO E AO ELEITORADO

Os vereadores abaixo firmados integrantes das Bancadas do
P.S.D. e da U.D.N. com assento na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, face à
dificuldade surgida para o preenchimento do cargo de 1º Secretário, esclarecem
ao Povo e ao Eleitorado no nosso Município:

1) – que a atitude tomada pelos vereadores Arlindo Mueller,
Alceu Mosmann e Alfredo Marotzky, signatários da presente declaração, não
aceitando suas eleições para o cargo referido, não representa, de maneira
nenhuma, intransigência, como, a seguir, ficará esclarecido;

2) – que, se intransigência há, esta cabe unicamente aos
integrantes do entendimento formado pelas Bancadas do P.D.C., P.T.B. e pelo
Vereador Urbano Arnecke, os quais, de caso pensado, segundo indicam as atitudes
dos mesmos, formaram uma maioria que, agora, a toda a força, procura violentar
a vontade e a liberdade dos signatários, agindo de maneira antidemocrática;

3) – que, face pois a tal atitude, não podem os signatários,
sem quebra de dignidade, ceder à pressão prepotente que está sendo exercida;

4) – que os signatários lamentam profundamente o que está
ocorrendo e esclarecem que não estão fugindo de colaborar na Mesa da Câmara e
que, para tanto, se faz mister que os componentes da maioria formada pelas
bancadas e Vereador mencionados procedam com mais ética política e mais
respeitosa os seus pares;

5) – que, ainda, não fosse a obstinação existente ma maioria
em casa, a Mesa da Casa já estaria formada, pois, dentre esta maioria existem
elementos capazes para o cargo, elementos a que, por mais de uma vez, nos
propusemos a apoiar;

6) – que, embuídos da melhor vontade de resolver o impasse,
a Bancada do P.S.D. propôs, democraticamente, fosse reconsiderado o assunto,
procedendo-se à nova eleição da Mesa, cabendo os cargos, segundo a importância
dos mesmos às Bancadas em conformidade com a importância de suas legendas;

7) – que, destarte, ficaria respeitado o sistema
pluripartidário, a exemplo de como se procede na Câmara Federal;

8) – que, assim, caberia ao P.T.B. a Presidência, ao P.S.D.
a Vice-Presidência, ao P.D.C. a 1ª Secretaria e à U.D.N. a 2ª Secretaria.

Novo Hamburgo, 8 de março de 1961.

Alindo Mueller, Alfredo Martozky, Alceu Mosmann e Carlito
Erno Klein. Firmas reconhecidas

Sair da versão mobile