A edição de 6 de setembro de 1957 do jornal O 5 de Abril registra um dos mais interessantes embates envolvendo o setor calçadista do Vale do Sinos. Tudo porque estava em curso no Rio de Janeiro – então sede do governo federal – o tabelamento nacional do preço dos calçados. Curioso, não? A iniciativa vinha sendo conduzida pela COAP e graças a um poder de articulação muito forte de industriais de Novo Hamburgo e cidades vizinhas, a medida foi barrada.
A manifestação no Rio de Janeiro contra o tabelamento do preço dos calçados teve como porta-voz o deputado estadual Adalmiro Moura, então presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa. Baseados em números da produção de calçados, o parlamentar conseguiu reverter a ideia do tabelamento, que iria representar prejuízos e demissões nas indústrias calçadistas.
Cabe registrar a parte final do documento apresentado pelo deputado Adalmiro Moura. Já em 1957 o calçado era tratado como produto perecível por trabalhar com moda e sazonalidade.
“Em derradeiro, seja-nos lícito ponderar que se ao lado das dificuldades naturais que enfrenta a indústria gaúcha, se somar mais este, a mesma terá de limitar a sua variedade de modelos e perderá o mercado, porque o calçado não é produto estável, varia com as estações e com o gôsto da pessoa humana. O dirigismo não pode chegar ao ponto de atingir as pequenas cousas que fazem a alegria do homem. A escolha de um modelo, por exemplo, que não seja padronizado à maneira dos exércitos.”
