O tênis é um dos esportes mais vitoriosos em Novo Hamburgo.
Existe uma tradição e uma escola de campeões. A Sociedade Ginástica foi
bicampeã mundial de Veteranos; Fernando Roese e Paulo Taicher foram medalhistas
de ouro em Jogos Pan-Americanos; a Sociedade Aliança tem dezenas de títulos sul-americanos
individuais e por equipes; tenistas como Tomás Behrend (74º), Ivan Kley (81º) e
Fernando Roese (92º) figuraram no Top 100 dos melhores do mundo; apesar de
não ser hamburguense da gema, Larri Passos cresceu e se desenvolveu no
município para ser apontado como melhor técnico de tênis do mundo nos tempos de
Gustavo Kuerten; e dezenas de nomes conquistaram títulos nacionais e internacionais no profissional e infanto-juvenil.
Mas onde e como começa essa história do tênis em Novo
Hamburgo? Boa parte dessa resposta está numa reportagem de 10 de junho de 1960
publicada no jornal O 5 de Abril – O primeiro jornal de Novo Hamburgo. A
matéria falava da inauguração do Parque Tenístico da Sociedade Aliança, num evento triangular envolvendo o Tênis Clube Rio Branco (ainda um departamento da
Sociedade Ginástica) e da Associação Leopoldina Juvenil. No texto, há um
retorno às origens da prática da modalidade no município. A seguir, a parte
histórica da reportagem:
“Não imaginava por certo o sr. Pedro Mentz, quando doava um
pedaço de suas terras à Sociedade Comemorativa, parte do lote nº 1 concedido em
1824 pelo casal imperial Dom Pedro I e Dona Leopoldina à Libório Mentz, que
este torrão fosse teatro de tantas realizações e de tantos acontecimentos,
todos eles no são propósito de aproximar os homens, moços e velhos a esmerar os
jovens que com a prática de um esporte se tornassem sadios e felizes.
Julgo interessante relatar aos presentes, que a muitos é
desconhecida, a vida do tênis em Novo Hamburgo e os principais até a presente
data da Sociedade Aliança. Em 1915, jogava-se este esporte pela primeira vez
nos fundos da residência do industrial Carlos Vogt, em Hamburgo Velho. Em 1917,
ao lado da Sociedade Atiradores de Novo Hamburgo, em propriedade do sr. Jacob
Schmitt, construía-se outra quadra. Eram seus primeiros praticantes: Alberto
Adams, Oscar Poisl, Arno Hammer, Albino Schmitt, José Luetz, Oda e Lotte
Schinke, Sofia Bergmann e outros, tendo como primeiro presidente o sr. Adolfo Bercht.
Jogando alguns anos, até 1922, este grupo findou suas atividades esportivas por
motivos diversos.
Mais tarde, no ano de 1926 em terreno do Sport Club Novo
Hamburgo, hoje denominado Sport Club Floriano, moços sequiosos de luta e com
vontade de levar o tênis para a frente edificavam sua cancha de tênis. Walter
Hammer, Albano Steigleder, Victor Brusius, Oscar Ludwig, Sirio Brenner, Guenther
Scherer, Luciano Volkart, sob a orientação de Ervino Schmitt, foram os
primeiros participantes.
Entrementes, em 31 de dezembro de 1929, o sr. Edvino Kampff,
animado por sr. Albano Fleck, fabricava a primeira raquete de tênis que hoje é
afamada marca “Sulina”, conhecida em todo Brasil.
Mas, continuando o relato dos anteriormente mencionados
jovens, observamos que a luta foi árdua e a semente por eles lançada deu frutos
fartos e gostosos. Depois de jogadores durante 10 anos, em 1936, devido a
exiguidade do terreno, partiu entre eles um movimento de ampliar e procurar
novos horizontes para o tênis. Várias tentativas foram feitas, muitos terrenos
foram oferecidos, mas nenhum condizia às suas exigências e posses.
Foi então, quando dona Elizabeth Doerr, filha do presidente
da Sociedade Comemorativa, sr. Luiz Doerr, conseguiu e convenceu o pai,
permitindo a vinda desta equipe para os altos do Monumento. Novamente, Ervino
Schmitt, tendo ao lado Albano Steigleder, Victor Brusius, Sirio Brenner e Oscar
Ludwig, acompanhados de uma invulgar tenacidade e ardor e com apenas Cr$
10.000,00, conseguiram construir neste lugar duas bonitas quadras e vestiários
com acomodações. E foi assim que, em 17 de dezembro de 1937, o valoroso e
conhecido América Tênis Clube era fundado. Muitos defenderam suas cores, dos
quais alguns não vivem mais, todos eles saudosamente ainda hoje lembrados.
Em 19 de setembro de 1940, Rubem Blauth e Ataliba Juchem, na
Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo, iniciavam também o tênis, fundando o tão
conhecido e valoroso Rio Branco.
A seguir, o América concluía a fusão com a Sociedade
Comemorativa, comprometendo-se a zelar pelo patrimônio, não permitindo qualquer
alienação ou venda. Surgiu, então, a ideia da introdução de outros esportes,
inclusive construção de uma sede social. Felizmente o reconhecimento para uma
fusão dos dirigentes do América Tênis Clube, da Sociedade de Cantores Frohsinn
e da Sociedade de Atiradores de Hamburgo Velho motivou que surgisse um Aliança
maior, mais forte, unido e por todos respeitado.
Essa fusão, em 3 de dezembro de 1950, sob a presidência do
grande aliancista Guilherme C. Ludwig, mostrou aos seus diretores um novo
caminho a ser seguido. Em 18 de dezembro de 1955 era lançada a pedra
fundamental, marcando início das obras que nos propúnhamos levantar. Solicitado
a colaborar na execução do grande projeto que a sociedade tinha em mira, sob a
dinâmica presidência do sr. Almiro Lau, apresentou-se o nosso estimado Major
Ramião Rodrigues Pacheco, mais tarde substituído pelo grande batalhador Victor
Hugo Kunz.
Já em 19 de janeiro de 1958, inaugura-se esta sede
desportiva com suas piscinas e cancha de tiro, cujo ato festivo foi um
acontecimento invulgar em Novo Hamburgo. No início do ano passado, a Associação
Atlética Banco do Brasil construía suas duas modelares canchas de tênis à Rua
General Osório, nesta cidade.
Procurando seguir o plano traçado pela nossa Comissão de
Construção, no ano passado e terminadas em 31 de dezembro de 1959, foram
substituídas as três usadas quadras por quatro novas – as quadrigêmeas,
conforme denominação dada pelo sr. Tulio de Rose em um de seus comentários na
Folha da Tarde. Está de parabéns Novo Hamburgo, pois além de possuir o maior
número de quadras – 10 ao total – logicamente possui também o maior número de
atletas, em relação à população, em todo Brasil.”
