Foi durante o período natalino que uma família de Novo Hamburgo precisou conviver com um episódio revoltante.
Na madrugada de 25 de dezembro, a loja SulParts, localizada na Rua 3 de Outubro, no bairro Pátria Nova, em Novo Hamburgo, foi atacada. Um homem arremessou uma pedra e explodiu a vidraça.
Em ato contínuo, ele ingressou no comércio e levou objetos e valores que estavam no balcão. O detalhe: ele entrou fumando – provavelmente um cigarro de maconha. Na hora do ataque e durante o roubo, ele seguiu com o cigarro na boca.
DESABAFO
No dia seguinte ao prejuízo, o comerciante hamburguense Gilberto dos Reis, o Betinho, publicou em redes sociais um vídeo do ataque gravado por câmera de monitoramento no interior do estabelecimento.
Já nesta segunda-feira (29), Betinho – que foi secretário municipal da Fazenda e é servidor público aposentado – publicou uma reflexão em tom de desabafo.
Alertado por leitores sobre o episódio, o Portal Martin Behrend fez contato com o hamburguense para reproduzir o texto e as reflexões sobre este episódio. Confira o texto publicado por Gilberto dos Reis:
“Segurança pública: quando o crime é previsível e o Estado falha
Meu estabelecimento foi alvo de um roubo. O vidro da porta de entrada foi quebrado e mercadorias foram furtadas. Infelizmente, esse episódio não é isolado. Ele faz parte de uma rotina cada vez mais comum enfrentada por comerciantes e moradores, revelando a fragilidade da política pública de segurança.
Esse tipo de crime segue um padrão conhecido. O autor quebra, furta e rapidamente troca o produto do roubo por drogas, geralmente crack, em pontos de tráfico amplamente conhecidos. As chamadas bocas de fumo são de conhecimento da população, dos comerciantes e também das forças de segurança. Os autores desses delitos, em regra, não são desconhecidos.
O resultado é um ciclo perverso. O mesmo criminoso retorna rapidamente às ruas, reincide e volta a causar prejuízos. Enquanto isso, quem trabalha honestamente acumula perdas materiais, investe cada vez mais em segurança privada e convive com a constante sensação de insegurança. O custo da ineficiência estatal é transferido à sociedade.
A impunidade alimenta o crime. Quando não há consequência efetiva, o risco compensa. Prende-se, mas não se responsabiliza. Combate-se o efeito, mas ignora-se a causa.
Segurança pública não se faz apenas com discurso. Exige integração entre polícia, justiça e políticas sociais, mas também firmeza na repressão ao crime reiterado. Enquanto isso não ocorrer, o cidadão seguirá pagando a conta de um sistema que falha em protegê-lo.”

























