Vídeo com tapa no rosto de mulher: vereadores de Novo Hamburgo aprovam Moção de Repúdio

Vereadores criticaram o teor do vídeo que gerou muita indignação pelo país

Sequência do vídeo indica um tapa no rosto com violência. Vídeo foi retirado do ar.

A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (18), o envio de uma Moção de Repúdio ao estabelecimento Bolezina Veículos, instalado na lateral da BR-116.

O documento, elaborado pelo vereador Enio Brizola (PT), critica um vídeo publicado pela revenda nas redes sociais que fez a indicação de uma funcionária sendo agredida com um tapa no rosto após interação com um superior.

O conteúdo, publicado na semana do Dia Internacional da Mulher, foi tirado do ar após repercussão negativa. A repercussão do caso foi nacional.

O Portal Martin Behrend publicou matéria sobre a repercussão do caso: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/mulher-levando-tapa-video-nao-esta-mais-no-perfil-de-revenda-de-novo-hamburgo .

Após a polêmica, o empresário e a funcionária envolvidos no caso foram indiciados pela Polícia Civil e vão responder por incitação ao crime contra a mulher.

BRIZOLA

Autor da moção, Brizola entende que o vídeo banaliza a violência de gênero, contrariando toda uma mobilização contra os índices alarmantes de feminicídio enfrentados no estado e no país. “É extremamente grave e irresponsável, pois transforma a agressão em forma de entretenimento e incentiva uma cultura de violência que vitimiza mulheres em todo o Brasil, contribuindo para reforçar padrões culturais que desrespeitam a dignidade feminina”, escreve o petista.

“A responsabilidade social de empresas e estabelecimentos comerciais também passa pelo respeito aos direitos humanos e pela adoção de práticas que não reforcem preconceitos ou comportamentos violentos. A utilização de imagens que simulam agressões contra mulheres como estratégia de marketing demonstra profunda irresponsabilidade, além de possíveis condutas criminosas”, prossegue o vereador.

Em nota, a Bolezina Veículos reconheceu que o conteúdo “poderia ser considerado inadequado sob a ótica da sensibilidade contemporânea”, reiterou não compactuar “com qualquer forma de violência e desrespeito contra mulheres” e se colocou à disposição das autoridades para demais esclarecimentos.

Aprovada em turno único, a Moção nº 16/2026 será enviada não apenas ao estabelecimento comercial, mas também ao Ministério Público do Estado, ao Ministério Público do Trabalho e à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.

Antes da votação, o texto ainda recebeu o acréscimo das assinaturas dos vereadores Cristiano Coller (PP), Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP), Giovani Caju (PP), Ico Heming (Podemos), Joelson de Araújo (Republicanos), Professora Luciana Martins (PT) e Ricardo Ritter – Ica (MDB).

MANIFESTAÇÕES

Na tribuna, o autor, Enio Brizola, demonstrou indignação. “Em meio a essa matança, me senti na obrigação de tomar uma atitude. Esta Casa tem um compromisso com a luta das mulheres e com a Procuradoria da Mulher, no sentido de dizer que elas não estão sozinhas. Em pleno mês em que as mulheres estão se manifestando, porque não há o que comemorar, a empresa poderia ter feito uma campanha de combate à violência. Teria muito mais visibilidade”, afirmou.

Felipe Kuhn Braun (PSDB) classificou o caso como “um fato muito infeliz”. “A gente luta todos os dias para combater a violência, e ações como esta vão na contramão”, disse.

Eliton Ávila (Podemos) ressaltou o contexto gaúcho. “Em um estado em que, toda semana, temos uma vítima de feminicídio, o repúdio a ações como esta é mais do que necessário”, destacou.

Cristiano Coller lamentou que a Câmara tenha precisado apresentar uma moção sobre o caso e avaliou que a retratação do empresário foi ainda pior do que a campanha.

Recém-empossada procuradora da Mulher, Deza Guerreiro questionou a intenção do vídeo. “Qual seria o objetivo de fazer um vídeo como esse? Dizer que, se uma mulher não faz algo direito, ela precisa apanhar? Isso é incitação ao ódio, especialmente neste momento em que já tivemos 23 feminicídios no estado”, pontuou.

Professora Luciana Martins afirmou que não há espaço para relativização. “Infelizmente, não é possível relativizar qualquer ato de violência, seja nas redes sociais, nos espaços institucionais ou em qualquer lugar da sociedade. É fundamental responsabilizar judicialmente esse empresário. A violência contra a mulher não é entretenimento”, enfatizou.

Daia Hanich (MDB) lembrou o papel das redes sociais no comportamento humano. “Elas podem ser usadas para educação, conscientização e promoção do respeito. Não foi o que vimos nesta empresa: uma total falta de responsabilidade. Estão banalizando a violência contra as mulheres”, concluiu.

OAB

A Subseção de Novo Hamburgo da OAB já havia se manifestado criticando o teor do vídeo conforme registrado pelo Portal Martin Behrend: https://martinbehrend.com.br/sem-categoria/video-com-tapa-em-mulher-subsecao-de-novo-hamburgo-da-oab-divulga-nota-de-repudio  .

Sair da versão mobile