Os vereadores Fufa Azevedo (PT) e Roger Corrêa (PCdoB) acusaram alguns colegas de racismo durante o debate sobre votação de recursos para o Carnaval e escolas de samba de Novo Hamburgo, mas pipocaram na hora de dar nomes. Apenas deixaram no ar que os votos contrários seriam “por histórica motivação racista”. Contudo, questionados por colegas, eles não citaram os nomes completos de quem seriam os racistas e quem estaria cometendo a discriminação. O episódio ocorreu na sessão desta quarta-feira na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo.
Por nove votos favoráveis e três contrários – Patrícia Beck (PTB), Issur Koch (PP) e Inspetor Luz (PMDB) –, foi aprovado repasse de R$ 214 mil para o Carnaval e escolas de samba de Novo Hamburgo. Só que a discussão do projeto foi contaminada por uma armação maldosa do Poder Executivo: junto com os recursos para o Carnaval, o projeto de lei 2/2016 contemplava repasse anual para a Fundação Scheffel e Associação Amigos Carreteiros de Lomba Grande. Ou seja: aprovava tudo ou nada. Tudo por falta de planejamento e organização do Poder Executivo.
Ao votarem não ao projeto, os três vereadores esclareceram que não aceitavam a manobra da Prefeitura nem a urgência de algo que se sabe com antecedência que ocorrerá. “Estamos aqui nos expondo com as escolas de samba, que são esquecidas durante o ano, e que agora vêm mendigar esse recurso. Quem deveria
estar aqui é o secretário da Cultura, Carlinhos Mosmann, explicando os motivos desse atraso”, desabafou Issur Koch. “Não sou capacho do prefeito. Não aceito votar de afogadilho esse tipo de projeto”, protestou Jorge Luz. “Teríamos de ter os três recursos em diferentes projetos. Teríamos como discutir e debater sobre cada valor. O que foi feito é inaceitável”, frisou Patrícia Beck.
Em defesa do repasse dos recursos para o Carnaval, Roger Corrêa e Fufa Azevedo conseguiram a proeza de equiparar a festa de um dia (mais de R$ 200 mil para cinco agremiações privadas/particulares) com a Fundação Scheffel (valor anual de R$ 245
mil), tombada como patrimônio histórico, artístico e cultural do Brasil pela grandeza da presidente Dilma Rousseff (PT), que abriga obras de um dos maiores gênios das artes plásticas no Brasil e que tem atividades o ano inteiro, recebendo milhares de visitantes, estudantes, turistas e abrigando dezenas de eventos.
Com o plenário lotado de representantes das escolas de samba, Roger e Fufa foram mostrar sua preocupação com a comunidade negra – vítima de injustiças e sofrimento por longas décadas – tentando constranger colegas, argumentando que o voto seria em função de racismo e discriminação. Contudo, não disseram os nomes dos vereadores racistas. Ao invés de lamentar o repasse em cima da hora ou a armadilha criada pela Prefeitura, eles preferiram enveredar para a politicagem e jogar para torcida. Pena que, no final, pipocaram.
PS1 – Não surpreende o descaso de Fufa e Roger para o repasse da Fundação Scheffel. No ano passado, a Secretaria da Cultura – comandada pelo PT e PCdoB – e onde ambos vereadores têm indicados e boas relações, deixou telefone e energia elétrica do local serem cortados pela falta de repasses, fazendo com que o museu fechasse as portas. Não fosse o histórico gesto de
Dilma, a situação poderia ter piorado.
PS2 – O presidente da Sociedade Cruzeiro do Sul foi defender os recursos para as escolas de samba na sessão de hoje. Em sua fala, mencionou que Novo Hamburgo tinha “imigração europeia”. Nunca ouvi essa expressão. Qual o problema de mencionar os imigrantes “alemães”, que sofreram, morreram, trouxeram progresso e
desenvolvimento para cá?
Preconceito? Discriminação? Vergonha em citar os alemães?
PS3 – Os vereadores Fufa Azevedo e Roger Corrêa não estão habilitados a falar em discriminação e preconceito. Eles participam de um governo – e têm conhecimento – que pratica discriminação e preconceito com o trabalho de parte da imprensa. Tem jornalista vítima de discriminação. E a dupla nada fala. Seria coerente, já que estão preocupados com discriminação e preconceito, que eles protestassem pela censura promovida pelo governo do prefeito Luis Lauermann (PT).
PS4 – Adoro Carnaval. Já participei de blocos. Trabalhei e prestigiei desfiles. Compro CDs de escolas se samba. Vou em bailes. Mas essa politicagem não combina com Carnaval – só que deve rimar com votos…
