Ernesto Frederico Scheffel não precisava passar por isso. Gênio das artes plásticas, com trabalhos
em grandes centros mundiais, sua obra e seu legado em Hamburgo Velho são tratados com descaso e desleixo pela atual administração. Só isso para explicar o fato de que, pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura se enrola e atrasa o repasse da subvenção para manter um dos mais valiosos patrimônios do município: a Fundação Scheffel. Aliás, local de residência do artista.
O recurso de R$ 235 mil foi aprovado, na semana passada, na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. O valor chegará com três meses de defasagem: salários e contas estão em atraso, o atendimento foi reduzido, a manutenção do espaço ficou prejudicada, entre outros problemas pontuais. Precisava o principal museu de Novo Hamburgo passar por esse constrangimento? A atual administração precisava colocar o nome de Scheffel nesse patamar de desorganização? Não.
Na sessão que aprovou o repasse dos recursos,
duas situações chamaram a atenção: a
irmã e dois sobrinhos do pintor foram acompanhar a votação, inclusive com o livro de sua autoria em mãos,
e o discurso do vereador Issur Koch (PP). No caso dos familiares, a situação só não foi mais humilhante, pois Scheffel não conseguiu se fazer presente. Quem viu a cena, se emocionou: parecia que os parentes do artista estavam pedindo esmola na Câmara. Aliás, justo o Legislativo que já homenageou Scheffel com o título de Cidadão de Novo Hamburgo, em 2004.
Em relação ao discurso de Koch, ele não poupou críticas ao secretário municipal de Cultura, Carlos Mosmann. “O secretário precisa parar de arremessar os restos de cigarro pela janela de sua sala, o que é mais um erro pelo fato de sujar a cidade, e deve começar a se preocupar com a cultura do município”, disparou. O vereador do PP mencionou que este atraso é fruto da desorganização da atual administração, tendo em vista que esse valor é repassado anualmente e a Fundação Scheffel é um dos patrimônios históricos e culturais mais valiosos do município. “Agora, fica um alerta para a comunidade que valoriza a nossa história: se não cuidarem, vão diminuir ano após ano este valor, até não ter mais nada”, destacou.
