“O Hans, nas primeiras horas das manhãs de sextas-feiras já estava na repartição com o pacote de jornais, todos devidamente identificados com o nome dos assinantes. Então, tínhamos o trabalho apenas de colocar os jornais nas respectivas caixas postais. Mas, antes mesmo de estar nas ruas, o pessoal já vinha nos Correios, curioso, para saber das notícias. O jornal era esperado com muita ansiedade.
A pontualidade do Hans era uma característica. Antes das 8 horas, o jornal já estava nos Correios. Ele era muito gentil, ajudava a distribuir, explicava alguns endereços. A grande maioria dos jornais era entregue a domicílio pelos carteiros. Já em Hamburgo Velho a distribuição era feita pela agência dos Correios deste bairro”.
O trecho acima está na página 162 do livro “O 5 de Abril – O primeiro jornal de Novo Hamburgo”, de minha autoria.
O entrevistado que trouxe detalhes da rotina da entrega e distribuição dos jornais foi Divo Nilson Sperb. Ele atuou nos Correios por muitos anos, sendo responsável pelo envio dos jornais pela caixa postal.
Entrevistei Divo para entender como funcionava essa logística de fazer o jornal chegar na casa dos leitores. É bom lembrar que O 5 de Abril circulou de maio de 1927 a fevereiro de 1962, num período de limitações técnicas. Fazer um jornal era um processo artesanal, realizar a distribuição exigia uma grande mobilização.
RELÍQUIA
Agora, por que estou trazendo este relato de como funcionava a distribuição do jornal há 70, 80 anos?
É que nesta sexta-feira (7) fui procurado pelo meu tio Athos Schuck. Em razão de arrumações caseiras ele disse que tinha algo que poderia me interessar.
Então, ele me presentou com uma balança de pesar cartas e selos com décadas de história. E, junto, informou: “Era a balança utilizada pelo teu bisavô Hans Behrend.”
Uau, eu desconhecia essa peça. Eu sabia que meu bisavô Hans – fundador do jornal ao lado de Leopoldo Petry – era colecionador de selos e foi o responsável durante anos por colocar as etiquetas, os selos e deixar os jornais prontos para envio aos Correios. Como dito anteriormente, fazer jornal era um trabalho artesanal e mobilizava alguns integrantes da família Behrend.
Mas eu desconhecia o equipamento que ele utilizava tanto na sua tarefa de preparar os jornais como na rotina de enviar correspondências. Eis que apareceu a balança do século passado!
Resumindo: essa peça foi muito utilizada e fundamental para o funcionamento da distribuição do jornal O 5 de Abril. Por décadas foi preservada por meu tio. Se ainda não tem 100 anos, essa balança daqui a pouco vai completar um século de história.
Uma relíquia da nossa família, um pedaço da história de Novo Hamburgo!
