Uma grande indústria de Novo Hamburgo com cerca de 9 mil empregos

Novo Hamburgo, Cidade Industrial. Novo Hamburgo, a Manchester brasileira.

Estes foram títulos que Novo Hamburgo ostentou com orgulho por muito tempo.

Durante décadas, a produção de calçados e da cadeia coureiro-calçadista impulsionou a geração de empregos na cidade. Eram centenas de indústrias de diferentes portes chegando a empregar cerca de 40 mil pessoas. São números impressionantes.

Até hoje, essa pujança de longas décadas identifica Novo Hamburgo como a Capital Nacional do Calçado. Um símbolo e um reconhecimento.

SETOR AINDA É IMPORTANTE

O setor calçadista, a propósito, segue movimentando a economia do município. São mais de cinco mil trabalhadores que atuam em fábricas de calçados instaladas na cidade – estimativa de 2022 do Sindicato das Indústrias de Calçados de Novo Hamburgo (SIC-NH). Se forem somadas as empresas fornecedoras do setor, os números se aproximam de 10 mil postos de trabalho.

A Fenac continua promovendo feiras do setor, como Fimec e Loucura por Sapatos. O Museu Nacional do Calçado fica na cidade, assim como as sedes da Abicalçados, Assintecal e IBTeC, grandes e estratégicas entidades do setor.

Só que os tempos da monocultura do calçado, há muitos anos, ficaram para trás. A economia soube se diversificar, abrindo espaços para o comércio, educação, serviços, turismo de negócios/eventos, tecnologia e indústria criativa, por exemplo.

SAÚDE

No começo deste ano, Novo Hamburgo conta com quase 70 mil trabalhadores com carteira assinada. O número exato de fevereiro é 68.987 trabalhadores.

Um parênteses antes de seguir a reportagem: desde 2020, Novo Hamburgo gerou praticamente 10 mil novos postos de trabalho. Saltou de 59.021 carteiras assinadas, em 2020, para 68.987 em 2023. Os números são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

O fato consolidado é que Novo Hamburgo se tornou uma cidade com economia plural, diversificada e abrangente. Dentro desse cenário de praticamente 70 mil trabalhadores de carteira assinada, existe um segmento que cresce gradativamente.

Diferentemente dos guarda-pós azuis que se utilizavam nas fábricas de calçados, o destaque são os jalecos brancos, calçados brancos e calças brancas. O setor da saúde é uma das grandes indústrias de Novo Hamburgo.

ESTRUTURAS

O número de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, laboratoristas, químicos, fisioterapeutas, educadores físicos, núcleos/institutos de psicologia, quiropraxistas, dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas, faculdades e cursos profissionalizantes, entre outras funções do setor de saúde, segue em ascensão no município.

Clínicas médicas, inclusive da capital gaúcha e de fora do Estado, abrem atendimentos em Novo Hamburgo, assim como franquias de clínicas odontológicas e empresas de emergências médicas.

Existem algumas explicações para esse movimento.

Novo Hamburgo é uma das poucas cidades do Rio Grande do Sul que conta com três grandes hospitais: Hospital Regina, Complexo Hospitalar Unimed VS e Hospital Municipal. Detalhe: os três estão com ampliações em andamento ou com projetos encaminhados. Vão ser ainda maiores e com mais vagas sendo abertas.

Duas das maiores operadoras de planos de saúde do Rio Grande do Sul têm suas sedes na cidade: Unimed Vale do Sinos e Doctor Clin. Até pouco tempo tinha a Multiclínica, que foi comprada pelo Centro Clínico Gaúcho.

Alguns dos mais prestigiados laboratórios de análises clínicas do Estado têm suas raízes em Novo Hamburgo: Fleming. Exame e Alfanálises. E estão expandindo pela região.

A chegada do curso de Medicina da Universidade Feevale passou a atrair mais investimentos para a cidade, como a criação do Centro Integrado de Especialidades em Saúde (CIES) da própria Feevale.

A cidade conta com mais de uma centena de farmácias: são 106 sem manipulação ou drogaria, e 13 com manipulação, de acordo com o Conselho Regional de Farmácia do RS (CRF/RS_. Este número continua atraindo farmacêuticos e outros profissionais do setor.

Com isso, Novo Hamburgo passou a ser um centro regional de excelência em serviços de saúde. Milhares de moradores de municípios vizinhos buscam uma série de atendimentos e consultas. Não precisam mais ir para Porto Alegre, pois Novo Hamburgo tem quase tudo que a capital oferece.

ESTATÍSTICAS

A reportagem do Portal Martin Behrend apurou informações de quantos empregos aproximadamente são gerados pelo setor de saúde na cidade. O número exato não foi confirmado, mas existe uma projeção real e muito próxima da realidade.


São cerca de 9 mil empregos – 13% do total de carteiras assinadas na cidade.

Para divulgar esta estimativa, a reportagem apurou informações com a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (Hospital Municipal), Hospital Regina, Complexo Hospitalar Unimed VS, Universidade Feevale, alguns laboratórios, farmácias, clínicas médicas e odontológicas, além de consulta no Centro Clínico Regina – um dos complexos que reúne o maior número de profissionais da saúde na cidade.

Somando a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (hospital, UPAs, UBSs e saúde mental), Unimed VS (com atuação em Novo Hamburgo) e Hospital Regina, são quase 5 mil empregos com carteira assinada. Se somado o número total de colaboradores da Unimed VS, salta para cerca de 6 mil empregos.

Já na Universidade Feevale, são 232 docentes junto ao Instituto de Ciências da Saúde, além de 30 colaboradores administrativos diretamente vinculados a área da saúde – nesse levantamento faltou confirmar na área de Psicologia.

Além disso, nos outros setores, foram feitas apurações e projeções a partir dos números repassados por empresas consultadas. O número de 9 mil empregos no setor da saúde é uma realidade.

Este é um mercado em expansão. E vai precisar cada vez mais de mão de obra qualificada. Os números falam por si.

SEBRAE RS E FEEVALE

Essa pujança do setor de saúde em Novo Hamburgo cria um ambiente de crescimento e lança desafios

Diante desse cenário, as principais necessidades e as grandes oportunidades de negócios para a
cadeia de fornecedores em saúde, não só de Novo Hamburgo, mas do Vale do Sinos, constam no mapeamento “O Diagnóstico Setorial da Saúde no Vale do Sinos”, desenvolvido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae RS) e pela Feevale.

Divulgado nesta quarta-feira (26), em Novo Hamburgo, o conteúdo é um estudo inédito
que tem como objetivo conectar diferentes iniciativas em saúde, criando
mais oportunidades para que as micro e pequenas empresas forneçam suas
soluções às instituições de saúde que são referência nos diferentes
municípios em que atuam.

Iniciado em agosto de 2022, o diagnóstico foi realizado em duas etapas. Em um primeiro momento, foram ouvidos os principais hospitais públicos e privados de 12 municípios do Vale do Sinos para que, em seguida, fossem cruzadas informações junto a um universo de cerca de 900 micro e pequenas empresas que atuam na cadeia de fornecedores do setor. O evento desta quarta-feira consistiu em uma apresentação dos principais resultados obtidos nessas duas etapas.

O gerente regional do Sebrae RS, Marco Aurélio Copetti, lembra que a atuação da entidade junto à cadeia produtiva da saúde na região é recente e, portanto, necessita de um olhar atento prévio ao desenvolvimento de iniciativas. “Temos uma premissa muito importante de, sempre que começamos a trabalhar com uma cadeia, entendermos melhor quais são as oportunidades com que podemos contribuir. A partir disso, contatamos a Feevale para nos ajudar a pesquisar como esse movimento todo acontece na nossa região e dali tirar conclusões importantes para que possamos seguir acompanhando, fortalecendo ou até nos colocando à disposição do ecossistema como um todo”, pontuou Copetti.

A diretora de Inovação da Universidade, Daiana de Leonço Monzon, considera uma satisfação que a instituição tenha sido escolhida pelo Sebrae RS para execução do diagnóstico, uma vez que a Feevale conta com expertise nas áreas de saúde, gestão em saúde e empreendedorismo em saúde. “Os dados levantados durante esse mapeamento serão extremamente importantes para os produtos e processos que virão a seguir, através do Sebrae”, afirmou.

Também participaram da apresentação a professora e coordenadora técnica do projeto, Carla Adam; os professores e membros da equipe técnica do mapeamento, Juan Almada e Marcelo Curth; e a coordenadora de projetos de saúde do Sebrae RS, Ana Paula Rezende.

Ainda estiveram no evento a secretária de Desenvolvimento Econômico de Novo Hamburgo, Paraskevi Bessa-Rodrigues, e fornecedores de saúde e representantes dos hospitais que contribuíram para a realização do diagnóstico.

RESULTADOS


Entre os principais
desafios apontados pelo diagnóstico estão questões como dificuldade em
processos de compra e logística, gerenciamento de suprimentos de curto
prazo, contratação de médicos especialistas e enfermeiros e falta de
tecnologia e estratégias de digitalização dos negócios.

Soluções em
processos de gestão, sistema de rastreabilidade, aproximação com players
do ecossistema de inovação – incluindo startups – e investimento em
tecnologia e plataforma digitais de venda são as oportunidades mais
citadas.

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