“Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.” Frase de Paulo Freire estampada num dos muros do Colégio Estadual Dr. Wolfram Metlzer, em Novo Hamburgo.
Em 24 de setembro de 2014, publiquei a reportagem: “Insegurança assusta pais e alunos de uma das maiores escolas de Novo Hamburgo”. A matéria abordava a onda de assaltos e violência no entorno do Colégio Estadual Dr. Wolfram Metzler, localizado no Centro e um dos maiores no município. Hoje é 21 de agosto de 2015 e, infelizmente, a mesma pauta está em evidência. A seguir está o link da reportagem do ano passado: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=250.
A partir de mensagem recebida do professor Ricardo Alexandre de Moraes, tomei
conhecimento da repetição do problema. O texto enviado veio em
tom de pedido de socorro: “Na última semana foram em torno de cinco assaltos aos alunos da escola onde trabalho. Hoje à tarde, três alunos foram novamente assaltados no portão da instituição. Pergunto: onde está a segurança? Desculpe pelo desabafo, mas é complicado escutar teus alunos e colegas professores dizerem: acabei de chegar ao colégio e estavam nos esperando para assaltar.”
Conversei com a diretora da instituição, Soedí Teresinha de Azeredo, que confirmou a situação no lado externo do colégio. “Dentro da escola conseguimos manter os alunos em segurança. No local de estudos a questão da violência está controlada. O problema é quando os estudantes retornam para suas casas”, explica. Segundo relatos dos professores e alunos, as abordagens ocorrem nas ruas Silveira Martins, Domingos de Almeida e das Flores. “Tivemos o caso de uma professora convidada que veio para uma atividade, estacionou seu veículo quase em frente, mas mesmo assim o carro foi arrombado”, relata Soedí.
A diretora destaca que, entre as recomendações aos alunos, está o pedido para que deixem a escola sempre em grupos. Isso inibe os ataques e deixa os jovens menos vulneráveis. “Outra alternativa que sempre mencionamos é que os pais e parentes, na medida do possível, venham buscar seus filhos, evitando essa circulação a pé”, destaca. Câmeras de vigilância ajudam no monitoramento dos portões de acesso ao Wolfram Metzler, mas não são suficientes para inibir a atuação de assaltantes e oportunistas.
Em relação ao policiamento, Soedí comenta que não obteve contato positivo com a Guarda Municipal para realizar a fiscalização no entorno da escola. Segundo outro
professor da instituição, que prefere não se identificar, foi alegado que como a escola é estadual não seria responsabilidade da corporação fazer a vigilância. “Mas os alunos e as ruas são de onde? De Novo Hamburgo! A Guarda tem o dever de cuidar dos seus jovens”, salienta o professor. Essa crítica em relação à Guarda se repete no caso da fiscalização da Faixa Nobre, quando a Guarda também aparece para multar e guinchar, mas se omite em casos onde deveria estar atuando e aplicando a lei.
Em relação à Brigada Militar, Soedí conta que existe uma Patrulha Escolar, mas a viatura estaria com problemas. “Também somos uma instituição pública, sabemos das dificuldades do Estado, mas é com a segurança dos alunos que precisamos dar mais atenção”, conta. Ela acrescenta que a 2ª Coordenadoria Regional de Educação está sendo informada desta situação com registros permanentes na Ouvidoria da 2ª CRE.
Entrei em contato com a assessoria de imprensa do 3º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Novo Hamburgo. A assessoria confirmou recebimento de pauta, encaminhou o assunto, mas até o fechamento desta reportagem não houve qualquer manifestação oficial sobre providências que poderão ser tomadas para garantir a segurança dos estudantes.
Entrei em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo. Enviei e-mail para seis integrantes da equipe de Comunicação colocando o blog à disposição para esclarecimentos. A seguir, a manifestação do diretor da Guarda Municipal, Marcos dos Santos, para conhecimento da comunidade escolar do Colégio Estadual Wolfram Metzler:
O curioso é que a Guarda Municipal costuma realizar barreiras a uma quadra do colégio, na mesma Rua Domingos de Almeida, para fiscalizar documentação e apreender veículos que estão com alguma irregularidades – o que é positivo! –, mas não conseguem criar uma estratégia para proteger os estudantes do colégio.
